O ENSINO, UMA ATITUDE
SOLIDÁRIA DOS POVOS.
O ensino é fundamental para um povo. No
caso do nosso país e na base da sua implementação, está uma atitude solidária
por parte de todos os cidadãos, no que diz respeito ao seu suporte financeiro e
com esse acto, a transmissão de valores intrínsecos de cidadania. Pretende-se,
com a formação das novas gerações que renovam um país, que esta seja a base de
cidadãos conscientes, na sociedade e no mundo, a base do desenvolvimento
económico da nossa sociedade e da sua construção na forma mais justa, criando
as mesmas oportunidades para todos e ser sempre democrática. Assim, o ensino deve proporcionar o
conhecimento e as competências necessárias para o progresso individual e
colectivo, eliminando, dentro do possível, desigualdades ao longo da vida,
fortalecendo a democracia e promovendo a inovação e a riqueza, económica e
cultural do país.
Fica, a todos os cidadãos contribuintes, esta comparticipação no ensino
e formação dos nossos jovens ao longo da sua vida, dispendiosa em termos
de “numerário”, mas “o sacrifício” é
fundamental para que a sociedade possa e deva progredir, e assim “reaver” o que
investiu nas novas gerações, pois são elas a chave do desenvolvimento social e
financeiro do país. Esta atitude solidária por parte de todos, tem sempre um
retorno futuro, no trabalho desenvolvidos pelas gerações sucessivas.
Para se ter uma
ideia do que se “despende” no ensino, tomemos como exemplo o curso que mais
recursos financeiros requer, para os contribuintes: o estado (cidadãos) dá um
apoio significativo ao ensino da medicina nas faculdades públicas, cobrindo o
custo real do curso, que é muitíssimo superior às propinas que os estudantes
pagam. O montante exacto, varia conforme a faculdade, o orçamento e os
custos específicos, mas estima-se que a formação de um médico possa orçar em
cerca de 100 mil euros ao longo de seis anos.
As faculdades
públicas são financiadas pelo Orçamento do Estado (OE), que cobre a maior parte
dos custos de formação, vencimentos de pessoal administrativo, docente e
infra-estruturas.
Os alunos pagam
propinas, mas este valor é simbólico em comparação com o custo total da formação.
Para o ano lectivo de 2025-2026, o valor máximo das propinas para os mestrados
integrados é de 697 euros anuais, montante que serve como exemplo do encargo do
aluno.
O discente paga
propinas anuais que variam, mas o valor total em que o estado contribui, ou
seja, o que custa ao contribuinte, está mais perto dos 16 mil euros por ano do
que do valor da propina, claro, pago pelo aluno, diremos até que é
simbólico.
O custo por ano de
formação para uma faculdade privada, pode ser mais elevado, ultrapassando os 17
mil euros por ano, mas as universidades privadas também não cobrem 100% dos
seus custos, e a diferença é, muitas vezes, subsidiada por fundações, como no
caso da Universidade Católica Portuguesa.
O curso de Medicina é mais caro que
outros, o Estado (todos os contribuintes) paga essa formação... Nas faculdades públicas, o Estado tenta compensar
valores para a formação anual, com verba do Orçamento do Estado e dá às
faculdades cerca de 5000 euros por aluno/ano. O restante valor (mais de seis mil
euros) tem de ser coberto com receitas próprias das universidades, que o fazem
com muita dificuldade e muita “imaginação”.
Tomemos agora como
exemplo o que alguns países “fazem pelo ensino da Medicina”.
Na América o ensino da
medicina não é “gratuito” como o fazemos cá. O aluno tem que recorrer a
empréstimos bancários, bolsas de estudo, etc. O curso pode orçar os 280 000
dólares, acrescentando ainda as propinas a pagar pelo estudante.
Na Inglaterra o ensino da
Medicina não é gratuito, o custo anual, por estudante orça os 15 000 libras
anuais. O aluno tem que recorrer a várias alternativas para obter dinheiro para
custear o curso.
Na Suíça, Luxemburgo,
Itália… também não é gratuito o ensino da Medicina, o recurso a que o estudante
recorre é o mesmo que na América ou Inglaterra.
É então lógico que esses
países aliciem os nossos jovens, com vencimentos razoáveis para um inicio de
carreira, porque não gastaram rigorosamente, um cêntimo que seja, do “fundo
solidário” que o nosso país despendeu para a formação destes jovens e que nos
são absolutamente necessários…
Moralmente, um jovem
licenciado em Medicina deve sentir que, durante quatro ou cinco anos, o seu
servir profissional deve ser no país que lhe pagou a maior “fatia” dos seus
estudos? Aqui, a consciência deste facto, é soberana para uma decisão.
Um pai em, por exemplo,
Barcal ou Valverde da Gestosa, perto de Mirandela, que viva de um vencimento
suportado na agricultura, ou outro métier… como lhe é possível colocar um filho
a estudar Medicina? Não tem direito? Mas paga, com os seus impostos, o ensino
dos filhos dos outros. É assim que funciona o nosso “fundo solidário”. Terá que
ser sempre assim. Qual a diferença de votantes… entre o Barcal e Lisboa? Pois
é, o que está incorrecto é não se terem criado oportunidades, neste país, para
todos. País que não é tão grande assim. A dimensão da capacidade “mental”, que
sucessivamente tomam assento nos governos, é que tem vindo a diminuir em termos
de competências.
Um bastonário da ordem
dos médicos, em 2025, afirmou que os jovens médicos não deviam,
financeiramente, nada ao país, … (li esta afirmação). Penso que será uma
notícia falsa por tão absurda que é a afirmação…
Já se afirmou que o
número de médicos é suficiente, já foi dito o contrário… razão de que lado? Vamos
fazer um raciocínio linear: Numa consulta, “rotina”, qual é o seu tempo de
duração? Não está definido. Penso que administrativamente está. Conscientemente,
deveria ser de 20 a 25 minutos, porque a “leitura” por parte do médico, das
análises mandadas fazer, por necessárias (está em causa a saúde do contribuinte
que deve continuar a sê-lo e assim garantir o sistema), seguindo-se a revisão
da medicação… penso que este tempo é mínimo e se calhar não chega, falamos de
rotina, não de consulta que se pretende consciente quando o caso, infelizmente,
não é rotineiro. Este “meu tempo”, atribuído por mim, não é correcto de forma
nenhuma. O médico, em seis horas de trabalho não consegue, honestamente, ver
mais que 10 contribuintes e possui cerca de 1800 contribuintes ao seu cuidado. Que
contabilidade faremos, em modo de “gasto de tempo”, para consultar todos os
utentes? Claro que não são todos consultados, uns atrás dos outros. O que
queremos demonstrar com esta “contabilidade”? Dizer que os tempos atribuídos a
um médico, média, é uma “forma de pressão”, financeira, e tem tudo a ver com os
“tais gastos” na saúde. A saúde não tem gastos. A saúde é um bem necessário, e
os tais “gastos”, são a normal despesa que temos, para garantir que o
contribuinte continua a “financiar” o sistema de saúde, com a sua saúde.
Encurtar tempos de
consulta só porque é dispendioso… Serve quem? Se está em causa o bem estar do
cidadão que garante o financiamento do SNS? Quem tem o direito de se meter no
“meio”, contribuinte e prestador de serviço, pago pelo próprio contribuinte,
para retirar o direito que cabe ao utente? Quem quer manobrar o financiamento?
Criou-se uma classe de chantagistas? Claro que esta palavra e actuação, é o que
nunca designará um prestador de serviço em saúde de formação nacional, e neste
país. Então, temos que actuar sobre o que se passa na saúde em termos de:
estruturas, prestadores de serviços, monopólios e eventualmente… quem sabe,
cartelizações. Eu pago, para a saúde, demasiado da, e na, “minha vida”, para
que me façam sentir, ainda, devedor e eternamente agradecido, com a prestação
dos serviços. Não se atrevam, nunca, e sequer, a dar-me por esmola o que me
cabe por justiça!
Dentro de um qualquer
departamento ligado à saúde, centro de saúde ou hospital, não devem existir
condados, reinos. São os prestadores do serviço de saúde, homens e mulheres, a
quem o contribuinte respeita e espera profissionalmente e humanamente um
excelente desempenho, quem nos ajuda a ter melhor qualidade de vida. A nossa
homenagem a esses que fizeram no juramento de Hipócrates um modo de vida social
e profissional.
VM