quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

 

E AGORA MANUEL?

 

E agora Manuel?

Sim, e agora?

O que clamaste, dando-lhes tu razão,

aplaudindo quem te chegou ao “coração”.

Pois foi, aderiste sem demora,

comendo daquele “farnel”.

E agora Manuel?

Sim, e agora?

Eram os melhores do mundo,

prometeram tudo, mas não foste ao fundo.

E agora Manuel?

Sim, e agora?

Já te arrependeste, eu sei.

Já choraste, também sei,

até perguntaste lá, na sede,

afinal, o que faziam por ti.

A resposta, disseste: “Não a ouvi!

E agora Manuel?

Sim, e agora?

Zangaste-te comigo e não me falas,

não sei porquê, agora que tudo calas,

não será de mandar alma fora

o que te atormenta? Já agora…

E agora Manuel?

Sim, e agora?

Olha, não será que a culpa é nossa?

Não te disse que o “tal”, assim que possa,

fica igual a outros tantos

e não nos vale entrar em prantos,

é mais um que o país arrasa.

É que não fazemos o “trabalho de casa”,

na hora das eleições.

E agora Manuel?

Sim, e agora?

Tens a casa “pendurada”,

não consegues já pagá-la.

Pagas na farmácia mais,

e quando ao hospital vais

ninguém te atende na hora,

mandam-te, mas é embora,

que isto de estares doente,

não é quando tu o sentes,

mas sim sermos pacientes,

até ver o pré dos galenos

engrossar, e deixá-los mais serenos.

Lembras-te do Aníbal?

O de Mirandela? Esse.

O que nos disse, que afinal

não podia pagar, o que fosse,

dos estudos dos seus filhos. Tal e qual.

Pagava todos os impostos

para que outros estudassem.

O que havia de fazer?

O que tinha p’ra dizer?

E a sua vida? Só desgostos…

Toca a semear pastagens!

E o que de todos, nos impostos,

pagámos para os seus cursos?

E o país? Sem retorno! É ver os modos

com que nos fazem fazer figura d’ursos

na frente dos hospitais…

E muito, muito mais…

Vão embora do país…

E o caso do tribunal?

O que te deixou tanto mal,

prolongando-se ao infinito,

como ficaste aflito!

Lá saiu, mas, p’ra que serviu a sentença.

Tu e a tua bem-querença.

E o automóvel a crédito?

O do carro que precisavas,

com juros exorbitantes?

Lembra que até te tinha dito

que, nos que acreditavas,

ficavam iguais aos que já estavam!

Que te dizia eu? Quem disso

te lembrou? Porque te meteste nisso?

Mas, ir ver quem são, o que fizeram,

o que fazem no país, onde estiveram?

Disse-te: “Temos que fazer o trabalho de casa”,

Não o fizeste, nunca o fazemos…

Prometem-nos tudo p’ra nada termos.

E agora Manuel?

Sim, e agora?

Se nunca a riqueza se produziu,

Para quê confiar em quem prometeu,

que até pensa ser o maior “disto tudo”,

a perder ficas tu e fico eu,

a ver tudo pelo canudo

que “nesta rifa” saiu.

Sim senhor. Muito bem. E agora?

E agora Manuel?

Pagas tu… e pago eu!


VM

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

 

O QUE SOMOS COMO POVO?



Afinal o que somos? O ser de um povo, não é um conceito claramente concreto, mas também não é uma teoria que se apoie em várias épocas para criar um estereotipo, não me parece. O sentir, o ser, de um povo, ficou sempre confinado ao vivido nas várias épocas, por isso, não é um padrão definido, é sempre circunstancial. O ser, de um povo, é então uma construção de vários elementos que o constituem, de época, a sua maneira de interpretar, de falar, de estar, construir, criar, com todas as orientações sociais e políticas ao tempo e no tempo, regras sociais impostas, ou de herança, que se possuam. Mas, tal como um instrumento musical, que se distingue de um outro, não pelas notas que toca, mas pelo seu timbre, existe de facto uma “estrutura central” que dita, quanto à minha óptica, a característica de um povo ao longo da sua existência.

A ideia do ser, do nosso povo, parece-me simples:

Sabemos que somos um povo de ideias contraditórias, porque cada um tem sempre uma forma diferente de abordar um assunto, mesmo que o seu conhecimento seja somente superficial, ou formado pelos “opinion maker’s” que sempre “plantam“ as suas formas de ver em nós, e nós, por falta de exercício mental, vamos atrás, ou “abanamos” uma opinião que pretendemos nossa, para mais tarde acabar por mergulhar no que nos dizem… é que dá menos trabalho não pensarmos. Temos sempre a presunção que somos capazes, ainda, de desempenhar magníficos papeis no mundo, mas isso, bom, isso só seria possível se o país nos for, alguma vez, entregue integralmente.

Mantivemos uma ideia de missão, até à cinquenta anos atrás, deu no que deu. Tenho a ideia e a prova, de sermos um povo que não foi “criado” para executar tarefas, mas, se formos bem dirigidos, fazemos tudo e com a precisão pedida. A nossa forma de ser, está virada para fruir o que é abstracto e em querer, seguidamente, transformá-lo em algo concreto. Também não sabemos se perdemos tempo nisso, ou ganhamos tempo para fruir os nossos sonhos.

O nosso ser, passa por uma liberdade que, neste momento, está a ser podada, aos nossos olhos, aos poucos, tal qual um “bonsai”. De incompetência em incompetência governativa e empresarial, a “humilhação” que nos contempla enquanto povo, já começou faz algum tempo, nos desempregados e na pobreza que ainda persiste e que, por isso, não conseguem honrar os seus compromissos. Somam-se as “desgraças”, para nós, da banca que nos mostra os lucros absurdos, passando pela corrupção, lavagem de valores… Esta perda de liberdade rápida, ao som do metrónomo do capital e da incompetência generalizada que assim nos embrulha, limita e alastra por e para todos, e vai acabar, com toda a certeza, por dar azo à penetração do populismo, por arrasto. Será que um cataclismo seria mais benéfico do que o que está a ser provocado pelos usurpadores da vida das nações, “conscientes ou não”, com as suas atitudes? Com Putin ou Trump, no percurso das nações?

Olhe-se bem para todas as dívidas das nações, faça-se a conta à nossa dívida, e pensemos se algum dia próximo, a pagamos… Os governos não conseguem sacudir, com força na razão e “trabalho de casa”, o demonstrativo de que assiste em verdade incontestável, um reiterado ataque aos povos. Putin e Trump e os seguidores destas políticas, querem ter o domínio de todo o mundo. Ainda temos a possibilidade de reverter isto! As tecnologias dão-nos tempo para pensar e mudar esta forma de nos explorarem. Assim os governantes sejam povo qualificado para isso!

Necessitamos devolver aos cursos das economias, finanças, gestão, as cadeiras humanistas, a filosofia, a historia, a psicologia, a sociologia. Se saírem desta nossa ideia, os governos que terão que ser em exclusivo para o povo, seria então e só o necessário para uma vida digna e uma liberdade plena para um povo, mas, esses nossos governos, por demonstrada incompetência, presumo que inconsciente, sem força de vontade na razão que assiste à necessidade de ser, de um povo, infelizmente, acabam isolados dos “blocos capitalistas”, ser martirizados com taxas sobre os empréstimos e taxas sobre os produtos produzidos para exportação, porque um governante que é um simples especulador financeiro, nunca será governante, as impõe, considerando que o seu povo deverá viver à sombra do mundo que trabalha.

No nosso país, e dada a incompatibilidade de interesses, nunca se pensou no país, sim nos vencimentos e “alguma visibilidade” que é proporcionado ao deputado, é natural que as necessidades imediatas das “minorias” governativas, colidam nas suas determinações, com as oposições dos parlamentares de outras cores. O “capital” agradece esta posição de guerrilha nos parlamentos, e vai mexendo nas “suas hostes”, de forma estratégica, para que se avolume, prolongue, ou termine essa oposição, sempre que lhe interessa.

Apostámos e gastámos na educação, dando novos horizontes a milhares de jovens que provam em todas as frentes que estão preparados. Infelizmente alguns ainda abandonam o país, porque o nosso país não lhes oferece nada para que tenham uma vida digna, (sem ser ostensiva) é claro.

Qual é então o nosso futuro imediato? Precisamos de o moldar, até sabemos o que deveria acontecer, porquanto já se nos é presente. Com provas bem na nossa frente, nenhum governo conseguiu entender o nosso passado, e com as “mestrias” que nos mostram diariamente (fora e dentro do processo de governar), não vão nunca conseguir dar-nos um futuro que interesse a todos. E até somos cada vez menos… não era difícil  governarmo-nos.

Parece que o futuro está cada vez mais longínquo do nosso presente, mas esse só pode começar a ser traçado quando um governo deliberar processos que projectem claramente o presente. Tem que se governar olhando sempre para cima. Nenhum governo pode traçar um futuro de um povo, sem ser negativo, se delibera constantemente com a “cabeça subserviente!”

Também não é possível manter sempre, mas sempre, para comprometer o futuro, uma bateria de franco-atiradores surgidos das oposições, de qualquer partido, que fazem sempre, de um simples desvio de procedimentos, uma tempestade que logo é considerado de “lesa pátria”.

O povo, por comodismo mantém-se na defesa das cores do clube.. Temos um subsolo que nos pode dar mais bem-estar, mas lá vem a ideia da serenidade das árvores, dos mares, das montanhas onde se querem ter “animais” a pastar silenciosamente, dando lugar a prósperas microempresas que beneficiam 4 indivíduos cada… o resto do país não conta, em lado nenhum… até somos capazes de dizer que se explorarmos o gaz em offshore, virão marés de petróleo que entrarão pelos hotéis dentro, e fica tudo “negro”. Não é só o lítio e as terras raras… As pedras não podem sair do seu local de sempre… Nunca quisemos assumir um governo verdadeiro, mas também não permitimos que nos governem. Vamos então ter futuro? Projectamos algum dia, o presente? Para quando fixarmo-nos no “arco iris” e deixarmo-nos de ser “monocromáticos”?

VM

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

 

ISTO DE IR ÀS COMPRAS... TEM QUE SE LHE DIGA.



Por muito que pensasse porquê, mas a história foi de um aziar que só o Remidor sabe. Nem as convalárias nascidas a esmo, pelas bermas da estrada, me alegravam…

Senti que não estava nos meus dias… não era de facto um dia inerrante para mim. O que aconteceu? Eu explico:

Trazia uns envoltórios de asas na mão, de repente um deles aluiu. Apesar do peso, de todos, no seu conjunto, não tive problemas em me baixar repentinamente para apanhar o mais pesado, afinal o que tinha derribado. Armei em mancebo e… ouvi um ruidar que me deixou no mesmo sitio… de cócoras… nada de subitâneo me ocasionou. Mas que algo se derruiu ou estrinchou, isso foi. O alarido não foi grande, mas deu para apreender.

Não fosse um transferir de algum osso… longe disso… “Que o diabo seja surdo, mudo e paraplégico”… Ergui-me devagar não fosse o resmungo começar de novo…

Sou intemente, mas agora lembrei-me de “O” solicitar… O Remidor virá em meu auxilio com certeza… Rendidura, não tinha… que demo seria? Fazendo um remurejo tão estranho… É claro que não me interessava estar para ali a sezoar. Fiquei novamente de pé. Por estranho que pareça não senti nada de anormal ou estranho… era o caso um pouco anfigúrico. Um pau-d’água a passar, olhou para mim numa perplexidade que só visto. Claro que noventa por cento dele era álcool. Mas que deve ter achado alguma coisa estranha, isso foi!

Comecei a andar, calmo, apesar do haltere. Nada se me fez mais, mas algo se passava porque quem por mim cruzava… deitava uma olhadeira que era de observar. Pensei, deve ser um dos pacotes que devia estar lanhado. Tudo bem, se caísse alguma coisa, logo se veria. Andei mais uns bons cem metros até casa. Nada de novo então, em relação ao caso, entretanto, estranho para mim, na espionagem que me iam fazendo.

Abri a porta de casa e entrei. Fui directo ao local onde se pratica a gastrologia. Pousei tudo, a mulher olha para mim e diz:

A esfinge é micante, mas escusava de ser tão explicita!”

Franzi o sobrolho e fui ver ao espelho o que seria o ferrete. Bom, o que vi deixou-me em agonia. Há dias assim.

O ruido deveu-se a uma declaração de liberdade das linhas para com o tecido do cós e… pasme-se, as “testemunhas” estavam livremente a olhar a calçada do passeio, isto, até casa. Mas que diabo, de uma coisa eu tinha a certeza, não tinha nenhuma rendidura!



VM



sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

 

O ENSINO, UMA ATITUDE SOLIDÁRIA DOS POVOS.

 

O ensino é fundamental para um povo. No caso do nosso país e na base da sua implementação, está uma atitude solidária por parte de todos os cidadãos, no que diz respeito ao seu suporte financeiro e com esse acto, a transmissão de valores intrínsecos de cidadania. Pretende-se, com a formação das novas gerações que renovam um país, que esta seja a base de cidadãos conscientes, na sociedade e no mundo, a base do desenvolvimento económico da nossa sociedade e da sua construção na forma mais justa, criando as mesmas oportunidades para todos e ser sempre democrática. Assim, o ensino deve proporcionar o conhecimento e as competências necessárias para o progresso individual e colectivo, eliminando, dentro do possível, desigualdades ao longo da vida, fortalecendo a democracia e promovendo a inovação e a riqueza, económica e cultural do país.

Fica, a todos os cidadãos contribuintes, esta comparticipação no ensino e formação dos nossos jovens ao longo da sua vida, dispendiosa em termos de  “numerário”, mas “o sacrifício” é fundamental para que a sociedade possa e deva progredir, e assim “reaver” o que investiu nas novas gerações, pois são elas a chave do desenvolvimento social e financeiro do país. Esta atitude solidária por parte de todos, tem sempre um retorno futuro, no trabalho desenvolvidos pelas gerações sucessivas.

Para se ter uma ideia do que se “despende” no ensino, tomemos como exemplo o curso que mais recursos financeiros requer, para os contribuintes: o estado (cidadãos) dá um apoio significativo ao ensino da medicina nas faculdades públicas, cobrindo o custo real do curso, que é muitíssimo superior às propinas que os estudantes pagam. O montante exacto, varia conforme a faculdade, o orçamento e os custos específicos, mas estima-se que a formação de um médico possa orçar em cerca de 100 mil euros ao longo de seis anos. 

As faculdades públicas são financiadas pelo Orçamento do Estado (OE), que cobre a maior parte dos custos de formação, vencimentos de pessoal administrativo, docente e infra-estruturas.

Os alunos pagam propinas, mas este valor é simbólico em comparação com o custo total da formação. Para o ano lectivo de 2025-2026, o valor máximo das propinas para os mestrados integrados é de 697 euros anuais, montante que serve como exemplo do encargo do aluno.

O discente paga propinas anuais que variam, mas o valor total em que o estado contribui, ou seja, o que custa ao contribuinte, está mais perto dos 16 mil euros por ano do que do valor da propina, claro, pago pelo aluno, diremos até que é simbólico. 

O custo por ano de formação para uma faculdade privada, pode ser mais elevado, ultrapassando os 17 mil euros por ano, mas as universidades privadas também não cobrem 100% dos seus custos, e a diferença é, muitas vezes, subsidiada por fundações, como no caso da Universidade Católica Portuguesa. 

O curso de Medicina é mais caro que outros, o Estado (todos os contribuintes) paga essa formação... Nas faculdades públicas, o Estado tenta compensar valores para a formação anual, com verba do Orçamento do Estado e dá às faculdades cerca de 5000 euros por aluno/ano. O restante valor (mais de seis mil euros) tem de ser coberto com receitas próprias das universidades, que o fazem com muita dificuldade e muita “imaginação”.

Tomemos agora como exemplo o que alguns países “fazem pelo ensino da Medicina”.

Na América o ensino da medicina não é “gratuito” como o fazemos cá. O aluno tem que recorrer a empréstimos bancários, bolsas de estudo, etc. O curso pode orçar os 280 000 dólares, acrescentando ainda as propinas a pagar pelo estudante.

Na Inglaterra o ensino da Medicina não é gratuito, o custo anual, por estudante orça os 15 000 libras anuais. O aluno tem que recorrer a várias alternativas para obter dinheiro para custear o curso.

Na Suíça, Luxemburgo, Itália… também não é gratuito o ensino da Medicina, o recurso a que o estudante recorre é o mesmo que na América ou Inglaterra.

É então lógico que esses países aliciem os nossos jovens, com vencimentos razoáveis para um inicio de carreira, porque não gastaram rigorosamente, um cêntimo que seja, do “fundo solidário” que o nosso país despendeu para a formação destes jovens e que nos são absolutamente necessários… 

Moralmente, um jovem licenciado em Medicina deve sentir que, durante quatro ou cinco anos, o seu servir profissional deve ser no país que lhe pagou a maior “fatia” dos seus estudos? Aqui, a consciência deste facto, é soberana para uma decisão.

Um pai em, por exemplo, Barcal ou Valverde da Gestosa, perto de Mirandela, que viva de um vencimento suportado na agricultura, ou outro métier… como lhe é possível colocar um filho a estudar Medicina? Não tem direito? Mas paga, com os seus impostos, o ensino dos filhos dos outros. É assim que funciona o nosso “fundo solidário”. Terá que ser sempre assim. Qual a diferença de votantes… entre o Barcal e Lisboa? Pois é, o que está incorrecto é não se terem criado oportunidades, neste país, para todos. País que não é tão grande assim. A dimensão da capacidade “mental”, que sucessivamente tomam assento nos governos, é que tem vindo a diminuir em termos de competências.

Um bastonário da ordem dos médicos, em 2025, afirmou que os jovens médicos não deviam, financeiramente, nada ao país, … (li esta afirmação). Penso que será uma notícia falsa por tão absurda que é a afirmação…

Já se afirmou que o número de médicos é suficiente, já foi dito o contrário… razão de que lado? Vamos fazer um raciocínio linear: Numa consulta, “rotina”, qual é o seu tempo de duração? Não está definido. Penso que administrativamente está. Conscientemente, deveria ser de 20 a 25 minutos, porque a “leitura” por parte do médico, das análises mandadas fazer, por necessárias (está em causa a saúde do contribuinte que deve continuar a sê-lo e assim garantir o sistema), seguindo-se a revisão da medicação… penso que este tempo é mínimo e se calhar não chega, falamos de rotina, não de consulta que se pretende consciente quando o caso, infelizmente, não é rotineiro. Este “meu tempo”, atribuído por mim, não é correcto de forma nenhuma. O médico, em seis horas de trabalho não consegue, honestamente, ver mais que 10 contribuintes e possui cerca de 1800 contribuintes ao seu cuidado. Que contabilidade faremos, em modo de “gasto de tempo”, para consultar todos os utentes? Claro que não são todos consultados, uns atrás dos outros. O que queremos demonstrar com esta “contabilidade”? Dizer que os tempos atribuídos a um médico, média, é uma “forma de pressão”, financeira, e tem tudo a ver com os “tais gastos” na saúde. A saúde não tem gastos. A saúde é um bem necessário, e os tais “gastos”, são a normal despesa que temos, para garantir que o contribuinte continua a “financiar” o sistema de saúde, com a sua saúde.

Encurtar tempos de consulta só porque é dispendioso… Serve quem? Se está em causa o bem estar do cidadão que garante o financiamento do SNS? Quem tem o direito de se meter no “meio”, contribuinte e prestador de serviço, pago pelo próprio contribuinte, para retirar o direito que cabe ao utente? Quem quer manobrar o financiamento? Criou-se uma classe de chantagistas? Claro que esta palavra e actuação, é o que nunca designará um prestador de serviço em saúde de formação nacional, e neste país. Então, temos que actuar sobre o que se passa na saúde em termos de: estruturas, prestadores de serviços, monopólios e eventualmente… quem sabe, cartelizações. Eu pago, para a saúde, demasiado da, e na, “minha vida”, para que me façam sentir, ainda, devedor e eternamente agradecido, com a prestação dos serviços. Não se atrevam, nunca, e sequer, a dar-me por esmola o que me cabe por justiça!

Dentro de um qualquer departamento ligado à saúde, centro de saúde ou hospital, não devem existir condados, reinos. São os prestadores do serviço de saúde, homens e mulheres, a quem o contribuinte respeita e espera profissionalmente e humanamente um excelente desempenho, quem nos ajuda a ter melhor qualidade de vida. A nossa homenagem a esses que fizeram no juramento de Hipócrates um modo de vida social e profissional.

 

 

VM

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

 

COM O REI NA BARRIGA

 

Não é que eu tenha nada a ver, mas tendo tudo, no que diz respeito aos “efeitos colaterais, repiso sempre a ideia, mais que provada no “terreno”, que é nosso dever fazer sempre a leitura dos currículos dos candidatos a políticos, bem como saber o que têm produzido, ao longo da sua carreira, algo de positivo para as nossas sociedades. Brada aos ventos, o que os povos demissionários das suas responsabilidades, fazem, ou não fazem, para procurar “patronos” que lhes dêem um refrigerante e um hambúrguer dos grandes embrulhado na promessa, vem “certificada”, de grandes vencimentos e viagens “culturais” ao mundo.

Nós, por não fazermos o “trabalho de casa”… se “calhar” pode sair-nos na rifa um “Dono da Verdade” (DdV)?

O calcanhar de Aquiles dos egocêntricos é a sua fragilidade emocional, mas a arruaça, a grosseria, para disfarçarem o ponto fraco, são parte intrínseca dos tais donos da verdade. O simples cidadão não está consciente, porque desconhece, os “grandes desígnios” que o dono da verdade transporta sobre os seus ombros, poderá dizer-se que tem uma missão messiânica, que é “abrir os olhos” do povo para fenómenos como a corrupção, que lavra pela sociedade e ganha um terreno que tem de ser atalhado rapidamente. Este é o estandarte do DdV. Sacrificar-se pelo povo, pois só ele sabe do que fala e do que vê. Um verdadeiro vidente. Mostra o caminho, a luz que a maioria não vislumbra, e até, alguns, preferem viver na escuridão. O DdV não pode permitir que o povo continue a passar por situação semelhante. Este DdV é um paladino da justiça.

A sua forma de catequizar, é baseada em pressupostos que carecem de confirmação, porque não são verdade ou estão fora de contexto. Quando for analisado o que disse, o que o dono da verdade afirma, já a sua mentira ou ideia confusa, se tornou verdade no espirito iletrado. A análise do discurso, logicamente, acaba por ser feita fora de tempo, porque demora. Logo, a mentira entrou no espirito dos incautos e já fez a sua “progressão”, tornando-se em verdade absoluta.

O DdV, no seu pavonear, quando lhe é dirigido um “não”, vindo de um qualquer interlocutor, a reacção destes “doentes”, é de raiva ou abandono do local de diálogo, mas acaba em tentativas imediatas de manipulação a quem pronunciou o não. Se estes DdV estão em posição de chefia, numa empresa, ou partido, por exemplo, vão “pisar” quem disse a palavra até conseguirem o seu despedimento, ou expulsão da agremiação.

 Esta sensibilidade à crítica, construtiva ou destrutiva, seguida de uma doentia ideia de rejeição, faz com que tenham sempre presente a necessidade de aprovação dos seus actos, nem que paguem a uma plateia para terem “aplausos” à sua gestão. São um embuste, porque dão sempre um ar de seres confiantes, sobretudo superiores, dentro da sua incapacidade em serem competentes, no que quer que seja. São só donos de retóricas. Se não é a plateia, a tal dos aplausos, para os “admirar”, o seu ego minga, e isso não pode acontecer de forma alguma. Não estão com ninguém, não ouvem ninguém, não esperam conselhos de ninguém, estão sempre prontos a reagir de uma maneira brusca, especialmente espalhafatosa, para que todos vejam o seu papel de vítimas ou, bem aproveitada a circunstância, o de uma firme liderança. Querem dar sempre a ideia de seres perfeitos, imaculados, porque os outros é que são taxistas e, ou corruptos.

Diremos então que existe uma necessidade constante, deste grupo de “doentes”, em serem admirados e aplaudidos permanentemente, isso para ter lugar a tal admiração e credibilidade externa ao grupo, que dê suporte a uma auto-imagem e à percepção subjectiva da sua superioridade. 

Bom, recordo nos meus tempos de adolescente, que um elemento do nosso grupo, filho de pais com capacidade financeira, possuía uma magnifica bola, igual aquela dos jogos, toda em cabedal que, quando o contrariávamos dizia:

- A bola é minha, ninguém joga, ou as equipas são como eu quero!

Com toda a implicação que isto possa ter, agora, neste brilhante mundo partidário…

Existem DdV, de vários tipos, os que só usaram a verdade, por um período de tempo, tipo empréstimo, mas que entendem ser os donos, mesmo assim. Bom, são os que só servem para uma conversa na mesa de um café durante um jogo de futebol, com todos os presentes interessados em que Portugal ganhe… Ninguém quer saber do que dizem. Se calhar nem capacidade económica possuem para chamar a atenção dos presentes. Na verdade, são apenas maçadores. Educadamente olhamos para eles, de vez em quando, e referir: “Ah, sim, sim. Tem razão”. Sim, nisto somos educados.

Agora, existem os DdV que estão escudados pela retaguarda. Com suporte financeiro substancial e que acenam o estandarte da verdade constantemente, com a mentira na ponta do discurso. Quando se for analisar essa mentira, já ela produziu o seu efeito e a verdade já não “vai a tempo” de repor o contexto nem o objectivo da desmistificação. O que interessava aos Donos da Verdade está dito e conta como verdadeiro todo o contexto da mentira anunciada. Esse apoio financeiro tem um objectivo, o da multiplicação, tal como nas culturas do bolor: em ambiente (depois) favorável.

O que tiramos de ilação daqui? Estudar estes comportamentos? Ler mais para se ter mais dados para fazer uma análise, neste nosso caso? Trocar ideias e conhecimentos com quem sabemos estar à altura de saber mais sobre estes casos ou para detectarmos estes charlatões? Detectar as mentiras destes discursos e comunicá-las aos demais?

Não digamos peremptoriamente, que não temos tempo para o trabalho básico, seja, “ver/ler/ouvir” com olhos, ouvidos e cérebro de, “ver/ler/ouvir”. Para conseguirmos ter uma democracia com verdade, temos que ter tempo para tudo isto. E temos!

Finalizarei com uma frase simples que pode ser transformada para esta nossa vivência e cuidado democrático, foi-me referida há muitos anos:

“Dizes sempre que nunca tens tempo para ir ao médico, mas vais acabar por ter tempo para estares doente”.

 

VM

  A melhor cabidela de galo do “planeta”                 Nem todos gostam. Nem todos a sabem fazer e ainda nem todos conseguem finaliz...