quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

 

E AGORA MANUEL?

 

E agora Manuel?

Sim, e agora?

O que clamaste, dando-lhes tu razão,

aplaudindo quem te chegou ao “coração”.

Pois foi, aderiste sem demora,

comendo daquele “farnel”.

E agora Manuel?

Sim, e agora?

Eram os melhores do mundo,

prometeram tudo, mas não foste ao fundo.

E agora Manuel?

Sim, e agora?

Já te arrependeste, eu sei.

Já choraste, também sei,

até perguntaste lá, na sede,

afinal, o que faziam por ti.

A resposta, disseste: “Não a ouvi!

E agora Manuel?

Sim, e agora?

Zangaste-te comigo e não me falas,

não sei porquê, agora que tudo calas,

não será de mandar alma fora

o que te atormenta? Já agora…

E agora Manuel?

Sim, e agora?

Olha, não será que a culpa é nossa?

Não te disse que o “tal”, assim que possa,

fica igual a outros tantos

e não nos vale entrar em prantos,

é mais um que o país arrasa.

É que não fazemos o “trabalho de casa”,

na hora das eleições.

E agora Manuel?

Sim, e agora?

Tens a casa “pendurada”,

não consegues já pagá-la.

Pagas na farmácia mais,

e quando ao hospital vais

ninguém te atende na hora,

mandam-te, mas é embora,

que isto de estares doente,

não é quando tu o sentes,

mas sim sermos pacientes,

até ver o pré dos galenos

engrossar, e deixá-los mais serenos.

Lembras-te do Aníbal?

O de Mirandela? Esse.

O que nos disse, que afinal

não podia pagar, o que fosse,

dos estudos dos seus filhos. Tal e qual.

Pagava todos os impostos

para que outros estudassem.

O que havia de fazer?

O que tinha p’ra dizer?

E a sua vida? Só desgostos…

Toca a semear pastagens!

E o que de todos, nos impostos,

pagámos para os seus cursos?

E o país? Sem retorno! É ver os modos

com que nos fazem fazer figura d’ursos

na frente dos hospitais…

E muito, muito mais…

Vão embora do país…

E o caso do tribunal?

O que te deixou tanto mal,

prolongando-se ao infinito,

como ficaste aflito!

Lá saiu, mas, p’ra que serviu a sentença.

Tu e a tua bem-querença.

E o automóvel a crédito?

O do carro que precisavas,

com juros exorbitantes?

Lembra que até te tinha dito

que, nos que acreditavas,

ficavam iguais aos que já estavam!

Que te dizia eu? Quem disso

te lembrou? Porque te meteste nisso?

Mas, ir ver quem são, o que fizeram,

o que fazem no país, onde estiveram?

Disse-te: “Temos que fazer o trabalho de casa”,

Não o fizeste, nunca o fazemos…

Prometem-nos tudo p’ra nada termos.

E agora Manuel?

Sim, e agora?

Se nunca a riqueza se produziu,

Para quê confiar em quem prometeu,

que até pensa ser o maior “disto tudo”,

a perder ficas tu e fico eu,

a ver tudo pelo canudo

que “nesta rifa” saiu.

Sim senhor. Muito bem. E agora?

E agora Manuel?

Pagas tu… e pago eu!


VM

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