terça-feira, 16 de dezembro de 2025

 

O QUE SOMOS COMO POVO?



Afinal o que somos? O ser de um povo, não é um conceito claramente concreto, mas também não é uma teoria que se apoie em várias épocas para criar um estereotipo, não me parece. O sentir, o ser, de um povo, ficou sempre confinado ao vivido nas várias épocas, por isso, não é um padrão definido, é sempre circunstancial. O ser, de um povo, é então uma construção de vários elementos que o constituem, de época, a sua maneira de interpretar, de falar, de estar, construir, criar, com todas as orientações sociais e políticas ao tempo e no tempo, regras sociais impostas, ou de herança, que se possuam. Mas, tal como um instrumento musical, que se distingue de um outro, não pelas notas que toca, mas pelo seu timbre, existe de facto uma “estrutura central” que dita, quanto à minha óptica, a característica de um povo ao longo da sua existência.

A ideia do ser, do nosso povo, parece-me simples:

Sabemos que somos um povo de ideias contraditórias, porque cada um tem sempre uma forma diferente de abordar um assunto, mesmo que o seu conhecimento seja somente superficial, ou formado pelos “opinion maker’s” que sempre “plantam“ as suas formas de ver em nós, e nós, por falta de exercício mental, vamos atrás, ou “abanamos” uma opinião que pretendemos nossa, para mais tarde acabar por mergulhar no que nos dizem… é que dá menos trabalho não pensarmos. Temos sempre a presunção que somos capazes, ainda, de desempenhar magníficos papeis no mundo, mas isso, bom, isso só seria possível se o país nos for, alguma vez, entregue integralmente.

Mantivemos uma ideia de missão, até à cinquenta anos atrás, deu no que deu. Tenho a ideia e a prova, de sermos um povo que não foi “criado” para executar tarefas, mas, se formos bem dirigidos, fazemos tudo e com a precisão pedida. A nossa forma de ser, está virada para fruir o que é abstracto e em querer, seguidamente, transformá-lo em algo concreto. Também não sabemos se perdemos tempo nisso, ou ganhamos tempo para fruir os nossos sonhos.

O nosso ser, passa por uma liberdade que, neste momento, está a ser podada, aos nossos olhos, aos poucos, tal qual um “bonsai”. De incompetência em incompetência governativa e empresarial, a “humilhação” que nos contempla enquanto povo, já começou faz algum tempo, nos desempregados e na pobreza que ainda persiste e que, por isso, não conseguem honrar os seus compromissos. Somam-se as “desgraças”, para nós, da banca que nos mostra os lucros absurdos, passando pela corrupção, lavagem de valores… Esta perda de liberdade rápida, ao som do metrónomo do capital e da incompetência generalizada que assim nos embrulha, limita e alastra por e para todos, e vai acabar, com toda a certeza, por dar azo à penetração do populismo, por arrasto. Será que um cataclismo seria mais benéfico do que o que está a ser provocado pelos usurpadores da vida das nações, “conscientes ou não”, com as suas atitudes? Com Putin ou Trump, no percurso das nações?

Olhe-se bem para todas as dívidas das nações, faça-se a conta à nossa dívida, e pensemos se algum dia próximo, a pagamos… Os governos não conseguem sacudir, com força na razão e “trabalho de casa”, o demonstrativo de que assiste em verdade incontestável, um reiterado ataque aos povos. Putin e Trump e os seguidores destas políticas, querem ter o domínio de todo o mundo. Ainda temos a possibilidade de reverter isto! As tecnologias dão-nos tempo para pensar e mudar esta forma de nos explorarem. Assim os governantes sejam povo qualificado para isso!

Necessitamos devolver aos cursos das economias, finanças, gestão, as cadeiras humanistas, a filosofia, a historia, a psicologia, a sociologia. Se saírem desta nossa ideia, os governos que terão que ser em exclusivo para o povo, seria então e só o necessário para uma vida digna e uma liberdade plena para um povo, mas, esses nossos governos, por demonstrada incompetência, presumo que inconsciente, sem força de vontade na razão que assiste à necessidade de ser, de um povo, infelizmente, acabam isolados dos “blocos capitalistas”, ser martirizados com taxas sobre os empréstimos e taxas sobre os produtos produzidos para exportação, porque um governante que é um simples especulador financeiro, nunca será governante, as impõe, considerando que o seu povo deverá viver à sombra do mundo que trabalha.

No nosso país, e dada a incompatibilidade de interesses, nunca se pensou no país, sim nos vencimentos e “alguma visibilidade” que é proporcionado ao deputado, é natural que as necessidades imediatas das “minorias” governativas, colidam nas suas determinações, com as oposições dos parlamentares de outras cores. O “capital” agradece esta posição de guerrilha nos parlamentos, e vai mexendo nas “suas hostes”, de forma estratégica, para que se avolume, prolongue, ou termine essa oposição, sempre que lhe interessa.

Apostámos e gastámos na educação, dando novos horizontes a milhares de jovens que provam em todas as frentes que estão preparados. Infelizmente alguns ainda abandonam o país, porque o nosso país não lhes oferece nada para que tenham uma vida digna, (sem ser ostensiva) é claro.

Qual é então o nosso futuro imediato? Precisamos de o moldar, até sabemos o que deveria acontecer, porquanto já se nos é presente. Com provas bem na nossa frente, nenhum governo conseguiu entender o nosso passado, e com as “mestrias” que nos mostram diariamente (fora e dentro do processo de governar), não vão nunca conseguir dar-nos um futuro que interesse a todos. E até somos cada vez menos… não era difícil  governarmo-nos.

Parece que o futuro está cada vez mais longínquo do nosso presente, mas esse só pode começar a ser traçado quando um governo deliberar processos que projectem claramente o presente. Tem que se governar olhando sempre para cima. Nenhum governo pode traçar um futuro de um povo, sem ser negativo, se delibera constantemente com a “cabeça subserviente!”

Também não é possível manter sempre, mas sempre, para comprometer o futuro, uma bateria de franco-atiradores surgidos das oposições, de qualquer partido, que fazem sempre, de um simples desvio de procedimentos, uma tempestade que logo é considerado de “lesa pátria”.

O povo, por comodismo mantém-se na defesa das cores do clube.. Temos um subsolo que nos pode dar mais bem-estar, mas lá vem a ideia da serenidade das árvores, dos mares, das montanhas onde se querem ter “animais” a pastar silenciosamente, dando lugar a prósperas microempresas que beneficiam 4 indivíduos cada… o resto do país não conta, em lado nenhum… até somos capazes de dizer que se explorarmos o gaz em offshore, virão marés de petróleo que entrarão pelos hotéis dentro, e fica tudo “negro”. Não é só o lítio e as terras raras… As pedras não podem sair do seu local de sempre… Nunca quisemos assumir um governo verdadeiro, mas também não permitimos que nos governem. Vamos então ter futuro? Projectamos algum dia, o presente? Para quando fixarmo-nos no “arco iris” e deixarmo-nos de ser “monocromáticos”?

VM

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