O QUE SOMOS COMO POVO?
Afinal o que somos? O ser de um povo, não
é um conceito claramente concreto, mas também não é uma teoria que se apoie em
várias épocas para criar um estereotipo, não me parece. O sentir, o ser, de um
povo, ficou sempre confinado ao vivido nas várias épocas, por isso, não é um
padrão definido, é sempre circunstancial. O ser, de um povo, é então uma
construção de vários elementos que o constituem, de época, a sua maneira de
interpretar, de falar, de estar, construir, criar, com todas as orientações
sociais e políticas ao tempo e no tempo, regras sociais impostas, ou de
herança, que se possuam. Mas, tal como um instrumento musical, que se distingue
de um outro, não pelas notas que toca, mas pelo seu timbre, existe de facto uma
“estrutura central” que dita, quanto à minha óptica, a característica de um
povo ao longo da sua existência.
A ideia do ser, do nosso povo, parece-me
simples:
Sabemos que somos um povo de ideias
contraditórias, porque cada um tem sempre uma forma diferente de abordar um assunto,
mesmo que o seu conhecimento seja somente superficial, ou formado pelos
“opinion maker’s” que sempre “plantam“ as suas formas de ver em nós, e nós, por
falta de exercício mental, vamos atrás, ou “abanamos” uma opinião que
pretendemos nossa, para mais tarde acabar por mergulhar no que nos dizem… é que
dá menos trabalho não pensarmos. Temos sempre a presunção que somos capazes,
ainda, de desempenhar magníficos papeis no mundo, mas isso, bom, isso só seria
possível se o país nos for, alguma vez, entregue integralmente.
Mantivemos uma ideia de missão, até à cinquenta
anos atrás, deu no que deu. Tenho a ideia e a prova, de sermos um povo que não
foi “criado” para executar tarefas, mas, se formos bem dirigidos, fazemos tudo e
com a precisão pedida. A nossa forma de ser, está virada para fruir o que é abstracto
e em querer, seguidamente, transformá-lo em algo concreto. Também não sabemos
se perdemos tempo nisso, ou ganhamos tempo para fruir os nossos sonhos.
O nosso ser, passa por uma liberdade que,
neste momento, está a ser podada, aos nossos olhos, aos poucos, tal qual um
“bonsai”. De incompetência em incompetência governativa e empresarial, a “humilhação”
que nos contempla enquanto povo, já começou faz algum tempo, nos desempregados e
na pobreza que ainda persiste e que, por isso, não conseguem honrar os seus
compromissos. Somam-se as “desgraças”, para nós, da banca que nos mostra os
lucros absurdos, passando pela corrupção, lavagem de valores… Esta perda de
liberdade rápida, ao som do metrónomo do capital e da incompetência
generalizada que assim nos embrulha, limita e alastra por e para todos, e vai
acabar, com toda a certeza, por dar azo à penetração do populismo, por arrasto.
Será que um cataclismo seria mais benéfico do que o que está a ser provocado
pelos usurpadores da vida das nações, “conscientes ou não”, com as suas
atitudes? Com Putin ou Trump, no percurso das nações?
Olhe-se bem para todas as dívidas das
nações, faça-se a conta à nossa dívida, e pensemos se algum dia próximo, a pagamos…
Os governos não conseguem sacudir, com força na razão e “trabalho de casa”, o demonstrativo
de que assiste em verdade incontestável, um reiterado ataque aos povos. Putin e
Trump e os seguidores destas políticas, querem ter o domínio de todo o mundo. Ainda
temos a possibilidade de reverter isto! As tecnologias dão-nos tempo para
pensar e mudar esta forma de nos explorarem. Assim os governantes sejam povo
qualificado para isso!
Necessitamos devolver aos cursos das
economias, finanças, gestão, as cadeiras humanistas, a filosofia, a historia, a
psicologia, a sociologia. Se saírem desta nossa ideia, os governos que terão
que ser em exclusivo para o povo, seria então e só o necessário para uma vida
digna e uma liberdade plena para um povo, mas, esses nossos governos, por
demonstrada incompetência, presumo que inconsciente, sem força de vontade na
razão que assiste à necessidade de ser, de um povo, infelizmente, acabam isolados
dos “blocos capitalistas”, ser martirizados com taxas sobre os empréstimos e
taxas sobre os produtos produzidos para exportação, porque um governante que é
um simples especulador financeiro, nunca será governante, as impõe,
considerando que o seu povo deverá viver à sombra do mundo que trabalha.
No nosso país, e dada a incompatibilidade
de interesses, nunca se pensou no país, sim nos vencimentos e “alguma
visibilidade” que é proporcionado ao deputado, é natural que as necessidades
imediatas das “minorias” governativas, colidam nas suas determinações, com as
oposições dos parlamentares de outras cores. O “capital” agradece esta posição
de guerrilha nos parlamentos, e vai mexendo nas “suas hostes”, de forma
estratégica, para que se avolume, prolongue, ou termine essa oposição, sempre
que lhe interessa.
Apostámos e gastámos na educação, dando
novos horizontes a milhares de jovens que provam em todas as frentes que estão
preparados. Infelizmente alguns ainda abandonam o país, porque o nosso país não
lhes oferece nada para que tenham uma vida digna, (sem ser ostensiva) é claro.
Qual é então o nosso futuro imediato? Precisamos
de o moldar, até sabemos o que deveria acontecer, porquanto já se nos é
presente. Com provas bem na nossa frente, nenhum governo conseguiu entender o nosso
passado, e com as “mestrias” que nos mostram diariamente (fora e dentro do
processo de governar), não vão nunca conseguir dar-nos um futuro que interesse
a todos. E até somos cada vez menos… não era difícil governarmo-nos.
Parece que o futuro está cada vez mais
longínquo do nosso presente, mas esse só pode começar a ser traçado quando um
governo deliberar processos que projectem claramente o presente. Tem que se
governar olhando sempre para cima. Nenhum governo pode traçar um futuro de um
povo, sem ser negativo, se delibera constantemente com a “cabeça subserviente!”
Também não é possível manter sempre, mas
sempre, para comprometer o futuro, uma bateria de franco-atiradores surgidos das
oposições, de qualquer partido, que fazem sempre, de um simples desvio de
procedimentos, uma tempestade que logo é considerado de “lesa pátria”.
O povo, por comodismo mantém-se na defesa
das cores do clube.. Temos um subsolo que nos pode dar mais bem-estar, mas lá
vem a ideia da serenidade das árvores, dos mares, das montanhas onde se querem
ter “animais” a pastar silenciosamente, dando lugar a prósperas microempresas
que beneficiam 4 indivíduos cada… o resto do país não conta, em lado nenhum…
até somos capazes de dizer que se explorarmos o gaz em offshore, virão marés de
petróleo que entrarão pelos hotéis dentro, e fica tudo “negro”. Não é só o
lítio e as terras raras… As pedras não podem sair do seu local de sempre… Nunca
quisemos assumir um governo verdadeiro, mas também não permitimos que nos
governem. Vamos então ter futuro? Projectamos algum dia, o presente? Para
quando fixarmo-nos no “arco iris” e deixarmo-nos de ser “monocromáticos”?
VM
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