sábado, 22 de novembro de 2025

 

O MENINO E A LUZ DO PIRILAMPO

 

 

               Era uma vez um menino chamado Cid Adão. Tinha decidido apanhar um pirilampo, daqueles, dos que brilhavam muito no meio dos “outros”, para que iluminasse a sua vida, quando chegavam os medos da “noite”. O que ele sabia, e até via, o brilho do pirilampo, era uma ”luz” irradiada por ele, a que lhe iria iluminar a “noite”, altura em que lhe apareciam muitos medos… também pressentia que aquele brilhar intenso, era com toda a certeza, melhor do que a “luz antiga” que tinha, e toda a noite ou para sempre, seria iluminada e assim, perderia os medos. O pirilampo tinha-lhe prometido que sim, que a sua luz era a mais brilhante de todas as que andavam pelo “bosque”, pelas ruas, trazia a “verdade”, e o menino ouvia-o, acreditando em tudo que eram promessas.

               Veio para a rua, conversou com os amigos, alguns disseram-lhe que essa luz era a melhor de todas, outros alertavam-no para não ir procurar o pirilampo, porque essa luz era de fantasia, ele, se o “apanhasse”, iria ver que não iluminaria nada, que afinal a luz irradiada, teria no máximo metade do que prometia porque era muito, mas muito intermitente, e era só quando o pirilampo queria, então se o “apanhasse”, não lhe serviria para nada, o seu quarto continuaria com a luz antiga, ou pior. Seria depois, muito difícil livrar-se do pirilampo, porque acabaria por ter pena dele e, por frustração não assumida, justificar sempre, aos amigos, o ter entrado para “aquela luz”. Devia era ir mudando a luz do quarto para outras mais modernas, mas com segurança, estudando sempre a luz que lhe interessava.

               Ora o menino não gostou do que lhe diziam, “estudar outras luzes”, para quê se tudo já estava delineado e ele acreditava nisso, e claro, no que o pirilampo dizia. Não tinha tempo para estudar “essas coisas deles”. Se a “luz” iria acabar com os seus medos, porque razão tinha que ouvir as opiniões dos amigos que não gostavam do pirilampo? Muitos amigos, desses, até diziam ao pirilampo que ele era uma fantasia, que só se apresentava a piscar de quatro em quatro, ou cinco em cinco anos, aqui, o pirilampo sorria para dentro porque ninguém sabia o que ele sabia, só vivia sessenta e um dias, e a sua irradiação eram só dois dias, mas não interessava, o que interessava é que ele seria muito bem tratado durante a sua vigência pelos que o apoiavam e queriam a sua luz para se iluminarem.

               Saiu o menino para as ruas e bosques com uma rede para apanhar um pirilampo. Não precisou andar muito. O pirilampo que ele conhecia estava ali, na sua frente e perguntou-lhe:

               - Para que queres a rede se eu sou livre e tu também? Eu tenho a luz que queres, não necessitas andar de rede para me apanhares, como vês até fui ter contigo, é que és verdadeiro, queres acabar com a falta de uma luz autentica na tua vida, queres acabar com a falta de felicidade. Sou eu que vou iluminar as tuas “noites”, sou eu que vou acabar com os medos que tens, dando-te esperança, desde que me apoies sempre. Não ligues ao que dizem de mim, se vires, os teus amigos não têm luz à noite no quarto deles, não são meninos felizes, ralham-lhes muito e não querem que eles brinquem quando querem. Comigo, vais ter tudo para ser feliz.

               O menino agradeceu e foi para casa. Em casa descobriu que o seu pai tinha colocado uma nova luz no quarto e que a luz era muito mais bonita que a que estava lá. O pai disse-lhe que era altura para mudar para outra melhor, e explicou-lhe o que era a “nova luz”. Ficou muito contente, pensou: afinal de luz em luz podemos perder medos. Pensou muito, lembrou que a luz do pirilampo, a que afinal não está sempre acesa, e só, pensou, até quando o pirilampo quiser… Quando apagou aquela nova luz, notou que tinha perdido alguns medos. Para surpresa sua, viu sobre a cómoda do quarto, um pirilampo que sorria para ele e piscava, ora dando luz, ora não. Afinal a luz que o pai colocou e o informou disso, era bem melhor que a do pirilampo. Acabou por ver que ele só era “engraçado” e de facto não dava luz nenhuma para afastar os medos que agora já não tinha tantos. Deu conta, com satisfação, que com mais luz, a que lhe tinha dado e explicado, o “pai”, os medos estavam, mesmo, quase todos afastados. Os amigos afinal tinham razão, o tal “de pirilampo, é uma luminosa ficção que não os liberta dos medos”, os tais que até ele diz, há que eliminar, e que só acontecerá se for na sua companhia. Pensou: “Quão infeliz é o pirilampo que, afinal, só vive 61 dias, não ilumina nada, e começou-se a descobrir que, afinal, a sua luz é efémera, porque é uma perfeita ficção, uma modelação do próprio…”. Acabou por adormecer sorrindo e o brilho do pirilampo… apagou-se naturalmente.


Victor Martins

(Também publicado no diário online Duas Linhas)

sábado, 15 de novembro de 2025

 

ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

 

            Vejo debates transmitidos a partir do Palácio de São Bento, e claro, ouço o que se diz. Possuo um relato escrito de quando se dizia:

            - “Vª Exª excedeu-se na sua explanação e posicionamento, verificou-se claramente, que o plausível acto, decidido pelo seu governo, na ordem dada ao ministro das finanças, que alude, afinal não é um meritório aplauso, porque se trata de uma mansa quietude, interprete actuação, porque ambos, são as estufas para os políticos que são escravos dos desígnios, titulados pelo titular do governo.”

            Vejo, ouço, o que se passou a dizer na mesma casa, nestes tempos “modernos”:

            - O senhor… oiça… não me interrompa… oiça bem o que lhe digo… Senhor presidente, assim não é possível responder àquele senhor deputado… espero que o senhor presidente tenha em conta o tempo destas interrupções e compense o tempo que tenho disponível… ó senhor deputado, não está ao corrente… pois é isso… o senhor não sabe mesmo nada, o que afirmou é pura mentira. O senhor vem para aqui mentir… traz a letra toda, mas a música que quer dar, não serve para ninguém dançar. Não sei, ainda, o que o senhor faz nessa bancada. Estude primeiro, não venha desinformar… oiça, não adianta atropelar as pessoas gritando mais alto… assim não conseguimos dialogar… senhor presidente, assim não é possível ter um diálogo correcto…

            - Senhores deputados, por favor, um pouco de decoro linguístico, mais ética por favor. O local onde os senhores estão, não é um Clube Recreativo. Por favor, contensão.

            Na democracia representativa, escolhemos os nossos representantes para decidirem e darem soluções aos nossos problemas; escolhidos em três ocasiões fundamentais: Eleições de um presidente para o país, eleições de deputados para legislarem, leis que sejam: organização do funcionamento do país, que sejam soluções para os problemas pontuais criadas pelas leis aprovadas, criarem legislação para que o país progrida: economicamente, financeiramente, socialmente, de modo a que todos os cidadãos tenham um nível de bem-estar, igual ou sempre perto disso, entre todos. Para que isso aconteça, e seja aplicada nos vários locais, onde existe população, elegemos pessoas entre os cidadãos, para dirigirem as cidades, as vilas, as aldeias, os lugares, criámos então, as eleições autárquicas.

            Na casa onde o povo tem os seus representantes, a democracia que se deseja, devia estar assente em princípios onde tem que estar presente a realidade das coisas do dia-a-dia dos cidadãos, e a das ideias concretizáveis para levar o “sonho” de uma sociedade mais rica e mais igual entre todos, num movimento contínuo. Para que esta, digamos, “metafísica”, se realize e desenvolva, na casa onde se trata a democracia, o poder que lá se pretende, não pode estar baseado nos caprichos de alguns “senhores com assento na casa”, sim, em princípios, fundamentos, que os superem nos seus ditames e explique a todos, a necessidade de retirar ou transformar esses indivíduos, não no que gostam de ser e dizem ser a fonte da verdade, mas sim no canal fundamental ao transporte do que é verdadeiro e necessário ao povo, o que lhe é devido para a sua existência digna, no espaço e tempo acordado entre todos os que foram eleitos.

            Não devemos ter em conta o “sonho” que os eleitos possuem, porque esse não foi divulgado ao povo, por nenhum dos que se propuseram aos cargos. É que esse “sonho”, nunca tem em conta a realidade do necessário. É um sonho pessoal que tem como pretensão transforma-lo em realidade, para que o seu detentor leve a cabo os seus projectos pessoais. E para os demais? Nunca vimos ou soubemos, de alguém que se digne a estar com atenção à realização dos sonhos dos demais, quanto muito, e por amabilidade, “ouve, em sonolência”, a necessidade do “sonho” dos outros.

            Os representantes, os nossos, os do povo, dizem-nos que nos amam que só estão na politica porque nos querem servir, porque combaterão por nós sempre que necessário. O que notámos até agora, nós povo? Que somos simplesmente um meio para que o “sonho” dos que nos amam, se concretize. Por exemplo, ouvi comentários que subscrevem o que digo, muito gostam de nós quando apresentamos arte. Comentam com “ternura” da ingenuidade da nossa arte, das nossas superstições e do que representam as lendas e os mitos que nos são subjacentes… tão “simples” que nós somos… a ver pela leitura dos sorrisos complacentes e adamados, desses nossos “benfeitores políticos”.

            Em abono da verdade, interessam-nos outros interventores políticos, dentro do quadrante clássico, os que sempre, debaixo da democracia por eles assegurada, levaram o país para o desenvolvimento, mas agora os que vêm o povo como uma fonte de intervenções para a resolução económica e social que é necessária fazer, com inteligência e a vontade necessárias, onde o equilíbrio social tem que residir sempre no prato da balança da vontade; os que consigam  “desmontar em consenso”, as actuações das corporações nefastas ao mesmo desenvolvimento, e que, por serem ideologicamente corporativas, são um entrave económico, financeiro e social ao progresso de um país que até tem menos habitantes, por exemplo, que Tóquio, Xangai, São Paulo ou Nova Yorque.

            Será que os políticos arregimentados para o Palácio de São Bento, para estas eleições presidenciais, lançaram candidatos próprios, quanto a nós, sem terem em conta o interesse do povo, para que, alguém, (sou eu a pensar) que por acaso venha fora dos partidos, não “penetre” no “estabelecido tácito político”? A dispersão de votos interessa a quem, isto atendendo a que o povo seja “seguidista partidário”? Esta atitude corporativa, vai dispersar votos para que o candidato, extra partidário, não entre? Era o cúmulo desse monopólio corporativo partidário! Bom, também era um “abre olhos para o povo que quer democracia limpa”... Seria? Mas, será que todos os candidatos possuem o perfil necessário, sim, necessário, aos tempos imediatos, que se nos afiguram pela frente? Vamos pensar nisto? Ou vamos ouvir aquele influenciador que nos diz que o melhor insecticida é o que mata insectos voadores, mas esquece que não mata os “rastejantes”?

VM

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

 

JOÃO DAS CABEÇAS

 

 

               - Esta lata não custava tanto… será que aumentou da semana passada para agora?... Mais dois litros… lá terá que ser… Bom, o saco do cimento… de 25 quilos… vá lá, 4,91€, não subiu desde a semana passada. Ó Manel, a tinta subiu assim tanto em relação à semana passada? O cimento está ao mesmo preço, e…

            - É que a tinta é de uma nova remessa. O cimento já o tinha cá. Se calhar para a semana vou ter que mandar vir mais cimento… olha que não sei se vai aumentar, ou não… tem sido uma desgraça, em cada encomenda, aumenta a mercadoria. Vais fazer alguma obra lá em casa?

            - Não me digas nada. Nem quero responder…

            - Não me digas que é mesma coisa, outra vez?

            - O que te parece? Conheces a casa, o espaço… preciso de alguma coisa lá dentro, para levar cimento e tinta?

            - Nem quero acreditar. Então é quase todas as semanas? Escuta, na outra encarnação “atiraste uma pedra à cruz”?

            - Se calhar o pároco, como não me vê na igreja, rogou-me alguma…

            - Olha, lá vão mais… deixa cá ver… 35€.

            - Não ganho para isto. Estes maganos, estão a dar cabo da minha paciência… já pedi, lá no João, não sei se é quando vão para a tasca, porque a minha esquina é a de cima, mas para alertar a “maltosa”, a terem cuidado … Não adianta… 

            - Tens que pensar nalguma solução… Será que é de lá que saem os “atiradores” em muros? Mas é bom pores um letreiro, ou coisa assim…

            - Tal e qual… Parece que vou começar com um pequeno letreiro a recomendar calma… sei lá…a ver se não me rebentam mais a esquina, como sempre tem acontecido, é quase todas as semanas…

            - O que vais escrever?

            - Deixa, que logo vês. Até me parece que já roçaram a esquina outra vez… é demais… Até logo. Já tenho o papel feito no computador para colocar na parede… passa lá para veres. Até logo.






 

            Estive a ver, de facto o preço da tinta subiu imenso. E não é só em Castro. Onde é “que isto vai parar”…

terça-feira, 4 de novembro de 2025

 

SER POBRE LINEARMENTE

 

            Começo a perder a capacidade de seguir a linha orientadora protagonizada em 25 de Abril de 1974. Fui ao meu bloco de notas, abri-o, folheei, e na página do “25Abr”, começo por ler:

Os objectivos sociais definidos no manifesto apresentado pelos capitães de Abril, incluem a criação de um regime democrático, o fim da guerra colonial e promover a descolonização. Desenvolver a economia, o sector social e garantir decial e a garantir colonial, a manifesto apresentado pelos  direitos e liberdades. Estes objectivos têm por orientação, democratizar o país e modernizar a sociedade através de políticas, que melhorem as condições de vida de todos indiscriminadamente, e garantam o acesso à cultura, por todos os cidadãos. 

No desenvolvimento socioeconómico, anotei que se falava no implemento de um modelo económico moderno e dinâmico, ao serviço do país, que promovesse reformas sociais para combate à pobreza e às desigualdades e assim garantir uma melhoria constante das condições de vida dos cidadãos.

Resumidamente, a Revolução de Abril quis criar uma sociedade mais justa, mais livre e igualitária. Criou o Serviço Nacional de Saúde, a Segurança Social e um Sistema de Ensino Público Universal, tudo o que não era prática no regime anterior, que foi, sim, de opressão e com desigualdades acentuadas, como sabemos.

Passados 50 anos… leio num relatório, recente, que em Portugal: “Cerca de 1,8 milhões de pessoas vivem em risco de pobreza, o que corresponde a aproximadamente 18% da população. Existem também desigualdades regionais significativas, com a taxa de pobreza, mais elevada, nas regiões autónomas e mais baixa na Grande Lisboa. A "intensidade da pobreza" aumentou em 2022, indicando que os mais pobres estão a ficar ainda mais pobres. 

Sabemos que a pobreza é uma tendência transmitida de pais para filhos. Um jovem de 14 anos que cresce em pobreza, lemos nas estatísticas, este jovem tem três vezes mais probabilidades de continuar a viver em pobreza, ainda entre os 39-49 anos, isto em comparação com um jovem de 14 anos, com uma situação financeira favorável. Não é conversa de “oposicionista da esquerda” ou “populismo da direita”. São estudos credíveis… contrários às conversas de políticos…

O que é verdade, 1,8 milhões de portugueses vivem em famílias com rendimento mensal inferior a 632 euros, onde mais de um quarto da população, em risco de pobreza, se encontra “afogada” nas despesas da habitação, seja, a ganância do valor do aluguer de habitação, por valores iguais à incultura de quem pede esses montantes. Até os bancos vão aumentando o empréstimo, subindo o que disponibilizam por metro quadrado, ao cidadão comprador de casa. Afinal quantos, ou quais são os especuladores no mercado, oficializados, ou não?

Vamos analisar os porquês deste desaire dos sucessivos governos, que nos traçaram “um caminho destes”, para o “sucesso financeiro” de ”muitos” alguns? Os políticos deram a ideia de que tudo fizeram, para minorar e até anular, este problema sério que assola o nosso povo (50 anos), e dizem que até estamos melhor do que estávamos… anteriormente, há 50 anos? O problema tem a duração de 5 décadas e está a agravar-se. Teremos que contratar técnicos estrangeiros, especialistas em economia, para os nossos governos? Fazer-lhes um contracto (por 2 épocas?), para o caso de não conseguirem motivar os portugueses a trabalharem e necessitarem de mais tempo para “compor” as contas e reduzir a pobreza?

Não podemos, é claro, entrar por esta vertente de contractos com estrangeiros. Mas era um ponto a pensar. Entretanto ainda aparecia um mercado com “pontas de lança” a preços milionários, “treinados” em Yalle ou Harvard. Não podíamos pagar. Quem nos acode? A Nova de Lisboa? O ISCTE? O ISCAL? A UA? A UM? A UC? Afinal temos muitas faculdades de Economia ou que a leccionam. E?...

Todos os ministros das finanças e economia deram o melhor que sabiam… e? Resultados? Estive a ver se os números clausus de entrada nas faculdades, têm alguma implicação com os cursos… Medicina: 18, 19Finanças: 16, 15. Economia: 18… Qual é o resultado, no final dos cursos? Só posso pensar, aqui somos livres para pensar, será que o curso de Direito é que anda a estragar isto tudo?

A verdade é: “A economia, as finanças, são complexas quando se trata de um país.” Já nos falaram assim, do alto das cátedras de muitos e “competentíssimos” ministros. Será que é assim tão complexo, que nem os ministros dão conta do recado? Será que a riqueza produzida, no país, está só disponível para salários? De quem? Dos políticos? Dos médicos? Dos técnicos dos serviços de Metrologia?

É linear e pouco ortodoxa esta forma de referir o problema. Pois é… já nos disseram que a economia é complexa, que as finanças são complexas. Tudo bem, ao fim de 50 anos, quando é que teremos, então, um “nível de vida complexo e um salário também complexo”? Parece que… não, afinal, o nível de vida que têm competência para nos dar, bem como os salários, que são conseguidos de forma magistral, dizem-nos, são magnificamente lineares. Ah, queria anunciar, não é mau gosto, é para informar os “técnicos do complexo”, que os pobres já diminuíram, sim, dois foram atropelados, mortalmente, numa linear passadeira… Será que andamos, nós os votantes, a fazer o trabalho de casa? Todos passam, como querem, no nosso “crivo”?

 

VM

  ECONOMIA DO PAÍS   Estive com um amigo, economista, a quem fiz uma pergunta, para me esclarecer. Parecia-me de resposta fácil, afinal ...