ASSEMBLEIA
DA REPÚBLICA
Vejo debates transmitidos a partir do Palácio de São
Bento, e claro, ouço o que se diz. Possuo um relato escrito de quando se dizia:
- “Vª Exª excedeu-se na sua
explanação e posicionamento, verificou-se claramente, que o plausível acto,
decidido pelo seu governo, na ordem dada ao ministro das finanças, que alude, afinal
não é um meritório aplauso, porque se trata de uma mansa quietude, interprete
actuação, porque ambos, são as estufas para os políticos que são escravos dos
desígnios, titulados pelo titular do governo.”
Vejo, ouço, o que se passou a dizer na mesma casa, nestes
tempos “modernos”:
- O senhor… oiça… não me interrompa…
oiça bem o que lhe digo… Senhor presidente, assim não é possível responder
àquele senhor deputado… espero que o senhor presidente tenha em conta o tempo
destas interrupções e compense o tempo que tenho disponível… ó senhor deputado,
não está ao corrente… pois é isso… o senhor não sabe mesmo nada, o que afirmou é
pura mentira. O senhor vem para aqui mentir… traz a letra toda, mas a música
que quer dar, não serve para ninguém dançar. Não sei, ainda, o que o senhor faz
nessa bancada. Estude primeiro, não venha desinformar… oiça, não adianta
atropelar as pessoas gritando mais alto… assim não conseguimos dialogar… senhor
presidente, assim não é possível ter um diálogo correcto…
- Senhores deputados, por favor, um
pouco de decoro linguístico, mais ética por favor. O local onde os senhores
estão, não é um Clube Recreativo. Por favor, contensão.
Na democracia representativa, escolhemos os nossos
representantes para decidirem e darem soluções aos nossos problemas; escolhidos
em três ocasiões fundamentais: Eleições de um presidente para o país, eleições
de deputados para legislarem, leis que sejam: organização do funcionamento do
país, que sejam soluções para os problemas pontuais criadas pelas leis
aprovadas, criarem legislação para que o país progrida: economicamente,
financeiramente, socialmente, de modo a que todos os cidadãos tenham um nível
de bem-estar, igual ou sempre perto disso, entre todos. Para que isso aconteça,
e seja aplicada nos vários locais, onde existe população, elegemos pessoas
entre os cidadãos, para dirigirem as cidades, as vilas, as aldeias, os lugares,
criámos então, as eleições autárquicas.
Na casa onde o povo tem os seus representantes, a
democracia que se deseja, devia estar assente em princípios onde tem que estar
presente a realidade das coisas do dia-a-dia dos cidadãos, e a das ideias
concretizáveis para levar o “sonho” de uma sociedade mais rica e mais igual
entre todos, num movimento contínuo. Para que esta, digamos, “metafísica”, se realize
e desenvolva, na casa onde se trata a democracia, o poder que lá se pretende,
não pode estar baseado nos caprichos de alguns “senhores com assento na casa”,
sim, em princípios, fundamentos, que os superem nos seus ditames e explique a todos,
a necessidade de retirar ou transformar esses indivíduos, não no que gostam de
ser e dizem ser a fonte da verdade, mas sim no canal fundamental ao transporte
do que é verdadeiro e necessário ao povo, o que lhe é devido para a sua
existência digna, no espaço e tempo acordado entre todos os que foram eleitos.
Não devemos ter em conta o “sonho” que os eleitos
possuem, porque esse não foi divulgado ao povo, por nenhum dos que se
propuseram aos cargos. É que esse “sonho”, nunca tem em conta a realidade do
necessário. É um sonho pessoal que tem como pretensão transforma-lo em
realidade, para que o seu detentor leve a cabo os seus projectos pessoais. E para
os demais? Nunca vimos ou soubemos, de alguém que se digne a estar com atenção
à realização dos sonhos dos demais, quanto muito, e por amabilidade, “ouve, em
sonolência”, a necessidade do “sonho” dos outros.
Os representantes, os nossos, os do povo, dizem-nos que
nos amam que só estão na politica porque nos querem servir, porque combaterão
por nós sempre que necessário. O que notámos até agora, nós povo? Que somos
simplesmente um meio para que o “sonho” dos que nos amam, se concretize. Por
exemplo, ouvi comentários que subscrevem o que digo, muito gostam de nós quando
apresentamos arte. Comentam com “ternura” da ingenuidade da nossa arte, das
nossas superstições e do que representam as lendas e os mitos que nos são
subjacentes… tão “simples” que nós somos… a ver pela leitura dos sorrisos
complacentes e adamados, desses nossos “benfeitores políticos”.
Em abono da verdade, interessam-nos outros interventores
políticos, dentro do quadrante clássico, os que sempre, debaixo da democracia
por eles assegurada, levaram o país para o desenvolvimento, mas agora os que
vêm o povo como uma fonte de intervenções para a resolução económica e social
que é necessária fazer, com inteligência e a vontade necessárias, onde o
equilíbrio social tem que residir sempre no prato da balança da vontade; os que
consigam “desmontar em consenso”, as actuações
das corporações nefastas ao mesmo desenvolvimento, e que, por serem ideologicamente
corporativas, são um entrave económico, financeiro e social ao progresso de um
país que até tem menos habitantes, por exemplo, que Tóquio, Xangai, São Paulo
ou Nova Yorque.
Será que os políticos arregimentados para o Palácio de
São Bento, para estas eleições presidenciais, lançaram candidatos próprios,
quanto a nós, sem terem em conta o interesse do povo, para que, alguém, (sou eu
a pensar) que por acaso venha fora dos partidos, não “penetre” no “estabelecido
tácito político”? A dispersão de votos interessa a quem, isto atendendo a que o
povo seja “seguidista partidário”? Esta atitude corporativa, vai dispersar
votos para que o candidato, extra partidário, não entre? Era o cúmulo desse
monopólio corporativo partidário! Bom, também era um “abre olhos para o povo
que quer democracia limpa”... Seria? Mas, será que todos os candidatos possuem
o perfil necessário, sim, necessário, aos tempos imediatos, que se nos afiguram
pela frente? Vamos pensar nisto? Ou vamos ouvir aquele influenciador que nos
diz que o melhor insecticida é o que mata insectos voadores, mas esquece que
não mata os “rastejantes”?
VM
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