quarta-feira, 29 de outubro de 2025

 

O ENSINO, UMA ATITUDE SOLIDÁRIA DOS POVOS.

 

O ensino é fundamental para um povo. No caso do nosso país e na base da sua implementação, está uma atitude solidária por parte de todos os cidadãos, no que diz respeito ao seu suporte financeiro e com esse acto, a transmissão de valores intrínsecos de cidadania. Pretende-se, com a formação das novas gerações que renovam um país, que esta seja a base de cidadãos conscientes, na sociedade e no mundo, a base do desenvolvimento económico da nossa sociedade e da sua construção na forma mais justa, criando as mesmas oportunidades para todos e ser sempre democrática. Assim, o ensino deve proporcionar o conhecimento e as competências necessárias para o progresso individual e colectivo, eliminando, dentro do possível, desigualdades ao longo da vida, fortalecendo a democracia e promovendo a inovação e a riqueza, económica e cultural do país.

Fica, a todos os cidadãos contribuintes, esta comparticipação no ensino e formação dos nossos jovens ao longo da sua vida, dispendiosa em termos de  “numerário”, mas “o sacrifício” é fundamental para que a sociedade possa e deva progredir, e assim “reaver” o que investiu nas novas gerações, pois são elas a chave do desenvolvimento social e financeiro do país. Esta atitude solidária por parte de todos, tem sempre um retorno futuro, no trabalho desenvolvidos pelas gerações sucessivas.

Para se ter uma ideia do que se “despende” no ensino, tomemos como exemplo o curso que mais recursos financeiros requer, para os contribuintes: o estado (cidadãos) dá um apoio significativo ao ensino da medicina nas faculdades públicas, cobrindo o custo real do curso, que é muitíssimo superior às propinas que os estudantes pagam. O montante exacto, varia conforme a faculdade, o orçamento e os custos específicos, mas estima-se que a formação de um médico possa orçar em cerca de 100 mil euros ao longo de seis anos. 

As faculdades públicas são financiadas pelo Orçamento do Estado (OE), que cobre a maior parte dos custos de formação, vencimentos de pessoal administrativo, docente e infra-estruturas.

Os alunos pagam propinas, mas este valor é simbólico em comparação com o custo total da formação. Para o ano lectivo de 2025-2026, o valor máximo das propinas para os mestrados integrados é de 697 euros anuais, montante que serve como exemplo do encargo do aluno.

O discente paga propinas anuais que variam, mas o valor total em que o estado contribui, ou seja, o que custa ao contribuinte, está mais perto dos 16 mil euros por ano do que do valor da propina, claro, pago pelo aluno, diremos até que é simbólico. 

O custo por ano de formação para uma faculdade privada, pode ser mais elevado, ultrapassando os 17 mil euros por ano, mas as universidades privadas também não cobrem 100% dos seus custos, e a diferença é, muitas vezes, subsidiada por fundações, como no caso da Universidade Católica Portuguesa. 

O curso de Medicina é mais caro que outros, o Estado (todos os contribuintes) paga essa formação... Nas faculdades públicas, o Estado tenta compensar valores para a formação anual, com verba do Orçamento do Estado e dá às faculdades cerca de 5000 euros por aluno/ano. O restante valor (mais de seis mil euros) tem de ser coberto com receitas próprias das universidades, que o fazem com muita dificuldade e muita “imaginação”.

Tomemos agora como exemplo o que alguns países “fazem pelo ensino da Medicina”.

Na América o ensino da medicina não é “gratuito” como o fazemos cá. O aluno tem que recorrer a empréstimos bancários, bolsas de estudo, etc. O curso pode orçar os 280 000 dólares, acrescentando ainda as propinas a pagar pelo estudante.

Na Inglaterra o ensino da Medicina não é gratuito, o custo anual, por estudante orça os 15 000 libras anuais. O aluno tem que recorrer a várias alternativas para obter dinheiro para custear o curso.

Na Suíça, Luxemburgo, Itália… também não é gratuito o ensino da Medicina, o recurso a que o estudante recorre é o mesmo que na América ou Inglaterra.

É então lógico que esses países aliciem os nossos jovens, com vencimentos razoáveis para um inicio de carreira, porque não gastaram rigorosamente, um cêntimo que seja, do “fundo solidário” que o nosso país despendeu para a formação destes jovens e que nos são absolutamente necessários… 

Moralmente, um jovem licenciado em Medicina deve sentir que, durante quatro ou cinco anos, o seu servir profissional deve ser no país que lhe pagou a maior “fatia” dos seus estudos? Aqui, a consciência deste facto, é soberana para uma decisão.

Um pai em, por exemplo, Barcal ou Valverde da Gestosa, perto de Mirandela, que viva de um vencimento suportado na agricultura, ou outro métier… como lhe é possível colocar um filho a estudar Medicina? Não tem direito? Mas paga, com os seus impostos, o ensino dos filhos dos outros. É assim que funciona o nosso “fundo solidário”. Terá que ser sempre assim. Qual a diferença de votantes… entre o Barcal e Lisboa? Pois é, o que está incorrecto é não se terem criado oportunidades, neste país, para todos. País que não é tão grande assim. A dimensão da capacidade “mental”, que sucessivamente tomam assento nos governos, é que tem vindo a diminuir em termos de competências.

Um bastonário da ordem dos médicos, em 2025, afirmou que os jovens médicos não deviam, financeiramente, nada ao país, … (li esta afirmação). Penso que será uma notícia falsa por tão absurda que é a afirmação…

Já se afirmou que o número de médicos é suficiente, já foi dito o contrário… razão de que lado? Vamos fazer um raciocínio linear: Numa consulta, “rotina”, qual é o seu tempo de duração? Não está definido. Penso que administrativamente está. Conscientemente, deveria ser de 20 a 25 minutos, porque a “leitura” por parte do médico, das análises mandadas fazer, por necessárias (está em causa a saúde do contribuinte que deve continuar a sê-lo e assim garantir o sistema), seguindo-se a revisão da medicação… penso que este tempo é mínimo e se calhar não chega, falamos de rotina, não de consulta que se pretende consciente quando o caso, infelizmente, não é rotineiro. Este “meu tempo”, atribuído por mim, não é correcto de forma nenhuma. O médico, em seis horas de trabalho não consegue, honestamente, ver mais que 10 contribuintes e possui cerca de 1800 contribuintes ao seu cuidado. Que contabilidade faremos, em modo de “gasto de tempo”, para consultar todos os utentes? Claro que não são todos consultados, uns atrás dos outros. O que queremos demonstrar com esta “contabilidade”? Dizer que os tempos atribuídos a um médico, média, é uma “forma de pressão”, financeira, e tem tudo a ver com os “tais gastos” na saúde. A saúde não tem gastos. A saúde é um bem necessário, e os tais “gastos”, são a normal despesa que temos, para garantir que o contribuinte continua a “financiar” o sistema de saúde, com a sua saúde.

Encurtar tempos de consulta só porque é dispendioso… Serve quem? Se está em causa o bem estar do cidadão que garante o financiamento do SNS? Quem tem o direito de se meter no “meio”, contribuinte e prestador de serviço, pago pelo próprio contribuinte, para retirar o direito que cabe ao utente? Quem quer manobrar o financiamento? Criou-se uma classe de chantagistas? Claro que esta palavra e actuação, é o que nunca designará um prestador de serviço em saúde de formação nacional, e neste país. Então, temos que actuar sobre o que se passa na saúde em termos de: estruturas, prestadores de serviços, monopólios e eventualmente… quem sabe, cartelizações. Eu pago, para a saúde, demasiado da, e na, “minha vida”, para que me façam sentir, ainda, devedor e eternamente agradecido, com a prestação dos serviços. Não se atrevam, nunca, e sequer, a dar-me por esmola o que me cabe por justiça!

Dentro de um qualquer departamento ligado à saúde, centro de saúde ou hospital, não devem existir condados, reinos. São os prestadores do serviço de saúde, homens e mulheres, a quem o contribuinte respeita e espera profissionalmente e humanamente um excelente desempenho, quem nos ajuda a ter melhor qualidade de vida. A nossa homenagem a esses que fizeram no juramento de Hipócrates um modo de vida social e profissional.

 

 

VM


Também publicado no "DUAS LINHAS"

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

 

A FIRMA ESPINHO e ESPINHO LDA     

 

Eu ao telemóvel com um amigo:

            - Vamos sim. Não sei… Ah., parece-me bem… Faz tempo que não comemos javali. Está… está bem. Marca a mesa. Estamos lá à uma.

            Depois deste convite, lembrei-me de uma magnifica caçada aos javalis que fiz em Angola. Fomos em grupo. Estava um dia excelente para viajar no interior do mato. Foi assim:

Às quatro da manhã, certinhas, “subia a Avenida” Borges com o jipe. Entretanto saiu do local onde estacionou o seu jipe, Matos e o nosso guia, Tavongo. Este último com um bornal maior que o habitual. Eu e Franklin, aguardávamos há cerca de dez minutos na porta do nosso habitual café, fechado àquela hora, como é óbvio. Borges parou mesmo na curva e diz para todos:

- Bom dia! Toca a subir. Arrumam-se as coisas no caminho. Vamos, que já é tarde!

Era sempre a mesma frase, apesar de serem as nossas saídas, sempre, mas sempre, há hora que se combinava. Ninguém respondia a esta “provocação”.

O dia estava espectacular para viagem e a manter-se assim, seria dia para uma boa caçada. Uma névoa permitia um ambiente fresco. Digamos que agradável para Junho, entradas que eram as épocas das cacimbas. Só ali soubemos para onde íamos. Quase sempre era assim. Matos, Franklim ou o Borges, quando decidiam o local, nunca diziam para onde. Tinham receio de que falássemos e outros fossem para a nossa área ou a brigada venatória ficasse a saber. Era só “confiança” em nós.

Bom, rumámos para o Madombes, ou seja, para a esquerda do cruzamento da saída do Cubal com a estrada que vai da Huila a Benguela. Nunca tinha ouvido tal nome, mas como era perto, a cerca de 120 quilómetros, gozaria a paisagem. Até lá chegar, ainda vou ver muita coisa. Estrada alcatroada de novo, tudo a rodar. Seguimos.

Afinal, não é nada disso. Dez minutos depois, conversa em dialecto com Tavongo, e toca a virar na direcção a Civite, agora para a direita do cruzamento. Ou seja, há que virar para trás na direcção de Benguela. Tavongo ao que se percebe, informou um local que lhe parecia melhor, ou disse que para esse lado existiam mais javalis. Tinha informação, e porque isto e porque aquilo… bom, tudo falado em dialecto Umbundo.

Nada que os restantes não percebessem. O que eu percebia? Nada!

A saída da estrada para a picada, bem, era como passar da noite para o dia. Nunca dei tanto salto, ao ponto do Borges reduzir a velocidade de tal maneira que até  se pensou em voltar. Mas não. Morra quem se negue! O amanhecer não tardaria, mas o “cabedal” já doía, e a nós, com provas dadas em picadas más, até parecia mentira estarmo-nos a queixar daquela forma. Mas que estávamos doridos, isso estávamos.

Mais para a frente, uma grande algazarra por parte do nosso guia. Toca a parar o “pacaça”. O ajudante de campo do Matos salta da viatura e começa a seguir, olhando para o chão, ainda iluminado com os faróis, “via” qualquer coisa. Não descortino nada, juro que não me apercebo do que quer que seja “inscrito” no chão, tão duro ele era… Não vejo mesmo nada. Só vejo espinheiras à nossa volta. Isso vejo. Temos que ter cuidado em não ser ferido, dada a enorme quantidade destas pequenas árvores, novas ainda, com cerca de cinquenta centímetros a um metro do chão. Tantas, tantas. Até parece uma plantação propositada. É uma colónia que singrou neste local.

Parou-se o jipe e o ouvido ficou à escuta. Saímos. Tavongo fala qualquer coisa ao Matos e este diz-nos:

- O Tavongo deu com uma vara de javalis, ao que diz são muitos, muitos mesmo, e estão a andar na direcção do interior. A esta hora vão a pastar. Parece que por aqui, habitantes de alguma sanzala, têm milho semeado. Já vos digo como se vê que é assim... Não é preciso fazerem essas caras de dúvida. Ora bem, julgando as pegadas, só aqui no chão é que se notam, estão a muito pouco tempo daqui. Pelo que sei “ler” nas palavras do Tavongo, devem estar a dois ou três quilómetros. Foi ver e, se o vento vier na nossa direcção, vai meter-se à frente deles, para que sintam o nosso cheiro e voltem agora na nossa direcção. Vamos ver se consegue dar essa volta aos bichos.

- Então como é que vamos saber se estão a vir para cá? - Pergunto, na minha ânsia de saber e para lembrar, quiçá, que não podemos comunicar com sinais de fumo. - Resposta:

- Este Chicoronho7 é mesmo matumbo. O rapaz faz um sinal que eu conheço desde miúdo e sei o que ele está a dizer com esse “canto”. É o canto de uma arara, ou uma espécie que deve ser parente dela, não interessa o que é. Logo, como vai demorar a dar a volta, são uns três quilómetros que ainda o vão fazer demorar, vamos comer qualquer coisa que tenho fome e vocês também.

- Claro que temos também fome! - Diz imediatamente Borges.

- O atum e as sardinhas eram os petiscos predilectos do pessoal, quase sempre era o que se trazia, Matos interrompe os gestos de abrir as latas e informa:

- Não vale a pena tirarem as vossas coisas porque hoje o “rancho é melhorado”! Ontem ouve festa na fazenda e mandei fazer umas bifanas de guelengue a mais. O pão e umas cucas que estavam em pedra, com os sacos do gelo, levei-as ontem para o Borges meter no jipe. Acho estão aí, debaixo do banco, como o tempo está fresco se calhar ainda estão boas para beber. Bom, toca a comer e a beber, mas não mais que uma cerveja! Nem pensem! Quero tudo apto a raciocinar.

Ficámos ali sentados enquanto o dia despontava. O que estava a acontecer é que a névoa se estava a dissipar para nosso desconforto. Dentro de uma ou duas horas iria ser o bonito com o calor previsto.

E passou meia hora, uma hora, hora e meia e o sol a rir para nós lá de cima. Até que ouvimos um piar de uma ave, para além dos pássaros que estavam por ali. Matos ficou alerta. Levantou-se. Outro som igual, fraco esse piar, ouvia-se mal. Estava longe a fonte do som. Matos diz ao terceiro piar igual.

- Deu com eles! Vamos ver as armas! Temos caçada!

A minha Liege já estava com zagalote nos dois canos para o caso de ser preciso atirar. Entretanto a Parker e Winchester a postos, uma com  Borges, outra com Matos, Franklin trouxe uma 375 S&W, nova. Ainda não a tinha visto. Montou-a à nossa frente.

Achei estranho não ter despertado a curiosidade dos “viciados” Matos e Borges, mas, afinal, soube depois, já a tinham estado a experimentar. Eu é que não sabia deste facto, fiquei a saber agora.

Para quem é novato nestas lides, que “ataca” de caçadeira ao lado deles, que interesse tinham estes veteranos em me comunicar as suas compras? Estou a exagerar. O facto é que não me disseram porque a arma esteve para ser devolvida. Pensavam que tinha um defeito, afinal era uma “qualidade” da arma. Possuía uma segurança especial.

Novo “cantar do passarão”. Matos pede silêncio. O vento está na nossa direcção e eles viraram para cá. Em cheio. Estão perto. Borges, anda a ver o local por onde podem passar os javalis, para assim nos colocarmos.

Borges e Matos deslocam-se para o interior rapidamente e passados uns três ou quatro minutos, voltam. Fazem sinal para que eu e o Franklin os sigamos. Colocamo-nos calmamente atrás de um “cordão” enorme e denso de espinheiras que cortavam transversalmente a picada. Seria através da abertura que a picada fazia, que viriam os javalis com toda a certeza. Único caminho livre para os animais. Assim o Tavongo faça cumprir o itinerário aos javalis. Armas em posição. Novo “pio”. Matos informa em voz baixa:

- Atenção que estão em cima de nós. Nem mais um som.

De facto, começava a ouvir-se um matraquear no chão. Era um barulho surdo, mas percebia-se. Fiquei baralhado com o ruído, até me parecia vindo de outro lado que não o calculado. Isso sou eu que não percebo nada de “esperas”. Todos de cócoras, com um joelho no chão atrás das espinheiras, colados a elas, para que os animais só vissem tarde demais, o nosso aparato, entendendo que os javalis vêem de frente e entrem pela abertura da picada. Estamos em espera com as armas aperradas. Todos apontam para a abertura.

O barulho é tal agora que nos diz estarem perto e vão entrar no “buraco da picada”, mas... O som não se faz ouvir desse lado. Instintivamente viramo-nos, mas já não temos tempo de reacção. Fomos projectados pelos javalis que “carregaram” sobre nós, mais a fugir que a atacar, para dentro das espinheiras, com armas e tudo.

No ar só se ouviam “palavras novas” e ais. Uma cena digna de um filme cómico e agora connosco a tentar sair das espinheiras com o mínimo de estrago e dor. Aparece o gigante Tavongo a dizer, meio a sorrir, na sua cara de espanto:

- Náo tivêmos curpa patrão! Deram vorta, não podías avisar se não, não cáçavas ninhum...

Matos responde-lhe do lado de dentro do “jardim das espinheiras”:

- Vês algum morto? Vez? Porra! Avisavas! –Entretanto tentava sair do “jardim”, devagar.

Tavongo deitava as mãos à cabeça com uma vontade de rir e saltitava.

Por fim, já mais calmo, ajudou-nos a sair daquela cena picante. Tirámos os picos que pudemos uns aos outros. E, saiu um pedido, feito pelo Matos:

- Ninguém conta nada disto! É uma vergonha!

Olhávamos de soslaio para Borges, o nosso “bufo” de serviço permanente. Este sorria, com aquele sorriso que o caracteriza quando quer fazer alguma macacada. Era certo e sabido que, apesar do Matos lhe ir a dizer no percurso até casa, para não contar nada, senão não lhe falava mais, que “todo” o Cubal ficaria a saber no próprio dia e iamos ser alvo de chacota…

Ao outro dia, quando me preparava para ir para a Escola Industrial e Comercial D. João II, ouço uma voz do outro lado da rua. Era Augusto Sousa. Pergunta-me:

- Então, já passou o álcool nos buracos dos espinhos? - Sorri e perguntei:

- Já! Como é que soube?

- Ontem o Borges falou através do rádio, lá para casa.

Anui a sorrir. Pensei:  Tinha que ser!

 

VM

  ECONOMIA DO PAÍS   Estive com um amigo, economista, a quem fiz uma pergunta, para me esclarecer. Parecia-me de resposta fácil, afinal ...