TER
LIBERDADE
Ultimamente tenho acordado com uma
enorme vontade de ser rico. Mas agora, no meu entardecer nesta vida, dei conta
que não consigo. O que sempre pretendo, e tenho, é a liberdade de me poder
enganar, sem que esses enganos me toldem percursos. É libertador ter liberdade
para poder errar. Considerei sempre a alma oxigenada, a maior parte do meu
tempo, sendo livre.
Neste meu entardecer, não é definido
nenhum grau para a minha liberdade, mas devo dizer que não foi sempre assim; passou algum tempo por mim, até descobrir que a espera pela
liberdade não era justificada, afinal, descobri-a por tê-la dentro de mim.
Todos a temos, mais ou menos oculta. É só querer e sobretudo, ter a vivência
suficiente para detectar a sua porta de entrada.
A liberdade, tal como a concebo, é
conferir a outra pessoa, o direito de escolher um percurso, connosco, ou não,
dentro dos nossos ideais, das nossas escolhas, ou não. Ao respeitarmos a
escolha dessa pessoa, estamos a fruir plenamente da nossa liberdade interior e
a garantir que ninguém nos poderá acusar de subjugarmos esse alguém.
Fui sempre pensador livre, que não diz
tudo que pensa, mas sempre pensei, seguramente, em tudo que digo, porque aqui,
a nossa maior liberdade, é sermos nós. Em tempos, essa forma de ser livre,
custou-me a mudança de “arma”, de Engenharia para Infantaria. Malhas que o
império tecia. Alguns querem esses tempos de volta…
Sempre chorei, sorri, libertei e
liberto uma gargalhada franca, de coração livre e o pensamento cheio de paixão
de viver.
A liberdade, a minha, tem asas e o
seu voo não entra em rota de colisão com nenhuma das outras que ao redor e ao
largo de mim, se espraiam.
Nunca fui atrás de um poder qualquer,
para ter que perder a liberdade, porque o poder cerceia a liberdade.
Assim, possuir a liberdade como eu a
entendo, não é viver: subjugado ao dinheiro, escravo de opiniões, de comunhões
clubistas ou a não ajuda ao nosso semelhante. É sim, continuar a luta pelos
nossos sonhos sem colidir com os dos outros, sempre que possível, “voar” em conjunto,
cada um com as suas asas. Também é pela luta que se aprende onde estão as
portas do nosso interior, as que dão entrada na liberdade.
Ser livre, então, é poder escolher o
que interessa a um conjunto de pessoas que vivem numa rua, num bairro, numa
vila, numa cidade, num distrito, ou num ermo… Ser livre não é sorrir sobre o
que outros nos informaram estar correcto sem verificar primeiro. Ser livre não
é bater palmas a atitudes governativas que acabaram por não beneficiar o que quer
e quem quer que seja, e foi, simplesmente um nada, dito tudo, para resolver
problemas na comunidade. Ser livre não é deixar de cumprir a obrigação de
escolher quem melhor nos representa, e dizer: “Estou cheio deles, só pensam no
que lhes interessa”. Pela “ausência” destes, que se dizem cheios, é que “eles”
fazem o que entendem. Ser livre é analisar, estudar, reconhecer que, Trump,
Putin, Orbán, Natanyahu, Jinping, Jong-un, Khamenei, Obiang, Dias-Canel,
Berdimuhamedow, são ditadores que sujeitam milhões de pessoas aos seus
“instintos”, subordinando-os a seres que começaram a perder a dignidade de
humanos, sem o saberem. Sofrem da síndrome do “sequestrador”. Destes, 99% estão
convencidos que a verdade desses governantes, será sempre a sua bandeira. Seres
que podiam, livremente, viajar por todo o planeta, viver uma vida digna e
conviver com todos os seres humanos livres, estão condenados a viver numa
mentira que não os dignifica e os leva a concordar com atitudes assassinas.
Incrível, mas os ditadores, disfarçados, é o que fazem à liberdade dos povos
que dirigem. Será que estes “escravos modernos” pensariam, se lhes acontecesse,
perderem um carro, uma casa, uma cidade, um parente, filho etc., etc… como os
seus dirigentes, em atitudes destrutivas, fazem aos pais de outros filhos? À
destruição do património que tantos e tantos anos levou a construir? Apetece-me
gritar: “Acordemos! Sejamos livres”! E no nosso cantinho? Vamos querer
continuar a ser livres? Sejamos sempre livres! Vamos em frente. É o momento para uma análise definitiva sobre
o que é ser povo: “Donde se vem, o que se é e o que se tem, e definitivamente,
o que queremos ser, e ter.
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VM