sábado, 28 de março de 2026

 


SEMPRE TIRO AO…

 

 

            Se fomos inventados por Deus é porque o macaco o desiludiu  mesmo a sério.

            Temos provas de conseguirmos, neste planeta, ser uma espécie altamente complexa, de tal maneira que, quem se dedique a estudar-nos, acaba por “desistir”. Como portugueses ligados sempre aos complicadores, dividimo-nos em esquerda e direita. Para que não seja só complicado o estudo que nos fizerem neste campo, inventámos os centros. O centro esquerda e o centro direita. Inventamos ideias. E o que inventamos de ideias quando somos de esquerda? Para que o estudo que nos façam neste campo, continue em maré de complicação, logo não compreendido mesmo, usámos essas ideias e passámo-las para quem diz ou é de direita poder subverter, reverter, reescrever, assumindo-as de forma a que a partir daqui estas “novas”, sejam estudadas e consideradas inovação de acordo com os “tempos que correm”.

            Inventámos tudo que é torneio da verdade, como o “tiro ao”... ou ao “denegrir o/a”... Neste momento estamos em pleno “Tiro ao PS” por parte de um partido que segue a linha dos partidos de extrema direita europeus, e não só. A destruição e o denegrir os partidos humanistas é uma táctica fascista, velha conhecida, mas eficaz, sempre, sobre os mais distraídos ou irresponsáveis. É um grande campeonato. É sempre assim. Acabamos por ver que quem devia estar conscientemente atento, não está com ninguém. Ser fiel ao humanismo… a fidelidade só se faz notar nos equipamentos de som.

            Precisávamos de um futurologista. É claro que um vidente, que nos informe o futuro, seria muito bom, mas... esta arte é dificílima fundamentalmente no que respeita a predizer o futuro...

            Nada tínhamos preparado para qualquer catástrofe, somos sempre, mas sempre, optimistas sem respaldo para esse optimismo. Quando cai o “Carmo e a Trindade”, o respaldo do estado está nas actuações da máquina fiscal sobre quase todos nós. Esta máquina supera os dermatologistas... estes últimos só nos tiram a pele.

            É muito difícil viver permanentemente neste contexto. Criaram os políticos uma situação tão sistematicamente grave no país, que a nossa dignidade só será reposta daqui a muitos anos. Vamos ter confiança nisso? Distraídos como somos? No nosso sistema, (círculos plurinominais) os políticos entram no governo por favoritismo do eleito ou do partido maioritário. Se fosse por mérito (círculos uninominais), não passavam da “porta”!

            Deixemos os lamentos. Vamos ter que trabalhar muitas horas mais e muito melhor. Dez, doze... Dormir cinco, seis? Se assim formos por essa via, aproveito para alertar alguns de nós... para que não as misturem com as do trabalho.

            Nunca usei a frase de que o tal ou o outro, estará a dar voltas no caixão com este estado de coisas. Não partilho dessa ideia. Aliás, o único ser que dá voltas depois de morto é o frango a assar.

            Meu caro leitor, desfrute o dia, antes que um qualquer imbecil lho estrague.

            Vou acabar esta pequena conversa consigo, mas... não sem antes lembrar uma frase dos nossos actores preferidos, Woody Allen:

                        “O mágico fez um gesto e desapareceu a fome, fez outro e desapareceu a injustiça, fez um terceiro e desapareceram as guerras. O político fez um gesto… e desapareceu o mágico.”

           

VM


quinta-feira, 26 de março de 2026

 

 

VINÍCIUS 3

 

            Um dia, disseste que a Aurora se tinha acercado de ti, que a osculaste na sua boca orvalhada, mas que a boca “sabia a nada”… mesmo assim, apaixonaste-te por ela, continuando a buscá-la, sem veres manhã… sem veres tarde… estás cansado, dizes. Há dias, que até da vida dormes com a noite, ausentado da tua Aurora, esquecido… mas na ausência da Aurora pedes-lhe para mergulhar em ti como no mar, para que venha nadar em ti como no mar, para se afogar em ti… como no mar. Afinal é essa que é a mulher amada. A que semeia o vento, que colhe a tempestade, que determina meridianos, quem é misteriosa, portadora de si mesma? A mulher amada! Ela é o canto e a oferenda, o gozo e o privilégio, é isto mesmo, a mulher amada. Pois se assim o cantaste, eu o farei no meu cantinho, o de um simples trovista:

TARDE  DE VERÃO

 

Olho e vejo o sol a esbofetear-te o rosto,

mas de uma forma suave. Ficas endeusadamente dourada.

Descobri-te. Ah se redescobri!

Estás deitada de lado e posso ver que essa intimidade de renda

cobre, ao longo do teu corpo, só a sua metade.

A minha desesperada busca queda-se no teu rosto que viraste para a luz..,

Apoias a cabeça na mão. O sol marca-te as formas.

Sinto que alguma coisa se fecha no meu peito. Será ciúme dessa luz imensa

ou a demanda da minha angustia, agora que te achei?

Vejo a redoma de ar que te rodeia e sei que o espaço que entre nós

medeia, nos separa dos nossos tempos…

O modo enganoso do teu seio, que se deixa ver, está

em sintonia com a tua respiração.

Esse ar que a mim chega, fez-se aroma de ti e és pétalas de luz…

Nesse teu rosto, está gravada toda a história da vida.

O teu corpo rompe em flores de fertilidade.

A minha ressurreição será entre teus lábios

e a vida romperá mais tarde por entre eles,

e teus seios alimentarão os poemas de toda a fome do universo.

Estou perante a mulher amada que tudo oferece sem dar nada!

Estou perante uma aurora que de luz me desfaz em ruinas!

Estou perante um sentir vertigens de loucura nesta paixão!

Estou perante a minha nudez que ela consegue só com o sorriso.

Aproximo o meu sentir, de ti, da aurora, da imagem que apresentas, da luz

que te rodeia…

Revejo só mais um encantamento que tua imagem projecta sobre mim.

Começo a aproximar-me do ano, do mês… da hora, do minuto que és…

Olhas-me enigmaticamente e do alto dessa inútil renda, para mim, renovas

a majestade da tua beleza, do teu signo, da tua permanência

e abres os braços voltando a ser, na permissão do teu chamamento

 a insuperável amiga, nunca uma contrafacção da aurora!

 

            Transmiti ao teu espírito o que me surgiu em encontros de ternura conseguidos sem culpa, sem dano, sem mácula alguma. Também referes o mesmo na tua verve poética. Proximidade poética? Vivências? Tropicalidade? Talvez somente tudo…

 

sábado, 14 de março de 2026

 

CONTRIBUTO PARA UM EXORCISMO 

 

Este texto não é produzido por

nenhum sistema de IA. Foi elaborado

com base no humano pensamento,

 e conhecimentos do autor.

 

 

 

               Podíamos começar por Moçambique, Cabo Verde, Guiné… mas vamos começar por um território que conhecemos razoavelmente, em termos de história, etnias…

A marcação do território de Angola, começa em 1482 com Diogo Cão, que começa a juntar num sítio próximo de São Paulo da Assunção (Luanda), alguns povos da beira mar. Por conhecimento “in loco”, os nativos foram presenciando o que se passava com o pessoal “estranho” (brancos), que davam víveres em troca da ajuda nas edificações que iam fazendo para assim cimentarem a sua presença naquelas paragens.

Portugal começou a ter uma presença significativa em África nas duas costas do continente africano. Em 1575, Paulo Dias de Novais, delimitou em Angola uma vasta área, que no século XIX, seu princípio e anos subsequentes, deu lugar à marcação territorial, ao domínio efectivo do terreno e também à colonização efectiva do território. Portugal tem o inventário exaustivo de todos os povos das suas colónias, suas localizações originais, proximidades e, ou, consanguinidades com outros povos, desde que assumiu a sua presença em África.

Do que existe em “inventário”, tomando como exemplo povos de Angola: os Maiacas, localizavam-se na sua grande maioria no Congo Belga e uma faixa, pequena em Angola, esta, situando-se ao longo da margem esquerda do rio Cuango. Este povo é o cruzamento de Congos e Lundas, os primeiros provindos de São Salvador do Congo e os Lundas do reino de Muata-Ianvo.  Desta dispersão, digamos, é que surge o “povo” Maiaca. Tudo isto está perfeitamente documentado, bem como de todas as etnias das ex-colónias.

Nos mesmos moldes, Moçambique, Guiné, São Tomé… também foram marcados todos os territórios. Ao tempo, o mundo queria que essas demarcações fossem feitas como prova de pertença de quem as proclamasse, com provas cartográficas, e as registasse suas.

Deixemos o que fizemos bem feito e passemos a dizer do que se ouviu, até agora… tanta… parvoíce, tanta falta de conhecimento, cultura e, depois de tantos anos passados, (52) o que fazer, para este nosso, até que é simples, caso? Um infinito luto? Ouvir, dito com uma sobranceria inculta, a culpabilização do seu estado actual por quem ficou com territórios (países) a funcionar em pleno? Mas se alguns fantasmas nos atormentarem, sem razão? Faremos o exorcismo deles! Lembrar continuadamente a nossa história em modo pedagógico, não da pessoal, da de todos, dos de lá e dos de cá? Conversar resumida e informalmente, um pouco, sobre o assunto, valerá a pena?

Muito bem, vamos então por aqui, uma última vez. Passarei a informar, o que todos da minha geração e poucos jovens sabem, e até aos que não querem saber, que Portugal foi a primeira potência colonial europeia a entrar em África nos finais do século XV até meados dos anos 70 do último século, tal como a Espanha, foi dos últimos a sair. A razão de tal longevidade em África deveu-se, é credível por isso consensual, há neutral posição que Portugal manteve durante a II guerra mundial. Portugal sempre manteve uma crença, a da sua missão civilizadora, e como tal, a necessidade de manter essa vocação histórica. O facto é que as colónias contribuíam significativamente, dado o nosso investimento para que assim fosse, para a economia global portuguesa, por muito que se fizesse politicamente crer que não. Na investigação por nós feita, conseguimos dados sobre esse retorno do investimento, mas quando quisemos levar a investigação há exaustão… não conseguimos documentos essenciais. Conseguimos uma fonte que adiantou pouco mais do que o que tínhamos investigado, no caso das contas publicas até Abril de 1974. Assim só podemos dizer o que “sempre” se dizia pelo “puto”: “A metrópole” é que pagava tudo…

Pensemos: Com a força do trabalho e respectiva produção, o que a metrópole vendia a nível mundial? E o que investia nas províncias ultramarinas… em desfavor do povo metropolitano? Era o contrário o óbvio, o investimento necessário era sonegado ao povo, só se acumulava ouro.

Informemos para que a história tenha consistência no que se quer informar, que já nos anos 50 do século passado não se fundamentava, nem historicamente ou verificada no terreno, a presença de Portugal na África, na discriminação racial, mas sim na assimilação dos naturais de África. Entretanto a legislação muda e oficialmente em 1951, as colónias voltam a ser províncias do país, até com representantes na Assembleia Nacional em Lisboa. Mas a política económica e social portuguesa, nas parcelas de África, permanecia bastante ambígua como sempre somos capazes de fazer acontecer.

Em Angola, nos anos cinquenta do século passado, a quantidade de trabalhadores contratados foi significativamente aumentada. Isto é histórico! Qual o objectivo? O de aumentar as exportações do café e de algodão fundamentalmente. Mas esta assimilação dos povos das províncias ultramarinas, ficou muito aquém das intenções.

Recuemos à Constituição de 1933. Nela está expresso a necessidade tal como o objectivo, de se continuar com a assimilação. A verdade é que o que aconteceu paulatinamente, foi a divisão da população. Naturais e não naturais. Os não naturais, que ficavam sujeitos às leis portuguesas, eram: os brancos, os mestiços e os assimilados, ou seja, a pequena franja burguesa dos naturais residentes nas províncias. Todos estes tinham direito a voto. E os “naturais”? E os brancos, mestiços… nascidos nas províncias não eram naturais? O que era verdade no terreno é o pensamento (estrutural) na época, naturais e não naturais é um pensamento racista.

Em 1965 eram ainda poucos os assimilados com estatuto, sendo assim, não é surpresa nenhuma ver que os chefes dos grupos nacionalistas se contavam entre os mestiços e assimilados. O tribalismo acabou por ser um factor decisivo para a formação dos grupos nacionalistas. Na Guiné, o PAIGC que foi fundado em 1956, era composto por assimilados urbanos da cidade de Bissau, e membros do povo. O povo Balanta. Eram mais ou menos vinte por cento da população. Os Mandingas e os Fulas eram leais a Portugal, podemos dizer que entendiam a evolução como necessária dado que nenhuma repressão era visível no terreno...

Em Moçambique formou-se uma coligação com vários grupos com predominância da etnia Maconde, sensivelmente dois por cento da população.

Em Angola as formações dos grupos de libertação eram heterogéneas. O MPLA fundado em 1956 em Luanda. Continha no seu seio os assimilados urbanos da capital e nos arredores da cidade, os de etnia Mbundu. A FNLA surge das reivindicações do povo rural Bacongo no norte do país. Era dirigido por Holden Roberto, sobrinho do herdeiro do reino, que Portugal fez substituir por outro indivíduo. Os tais erros históricos, fundamentados na troca, como forma de enfraquecer os legítimos herdeiros e colocar do lado de cá (Portugal) os outros que nunca tiveram nada.

A etnia Ovimbundu no sul, e a etnia Chokwe no leste, apoiavam também este movimento de libertação. Mas a UNITA consegue trazer para as suas fileiras a etnia Chokwe. É fundado o movimento em 1966, por Jonas Malheiro Savimbi que por razões pessoais e políticas, se desliga do movimento de Holden Roberto.

Em Agosto de 1959, as autoridades portuguesas na Guiné, na pessoa de cipaios, mataram cerca de 50 indivíduos, justificada atitude, diziam os dirigentes da altura, por terem feito greve nas docas de Bissau…??? Claro que esta tinha sido feita propositadamente, a contestar a presença colonialista. Ideias já em circulação, sobre os movimentos para as libertações dos povos colonizados. Agora, em Angola, após uma série de ataques dos movimentos de libertação, estes, começaram com uma mortandade no norte de Angola de forma bárbara, as autoridades portuguesas tomam atitudes semelhantes às da mortandade na Guiné. Isto no dia 15 de Março de 1961. Outro disparate politico e militar.

Tratou-se de uma revolta na região do Uíje, numas roças de café. O seu inicio foi de tal ordem que os movimentos de libertação mataram cerca de 7000 pessoas, entre brancos das fazendas e indígenas leais. Esta atitude foi algo surpreendente para os portugueses, dados sempre, e eternamente, a não planearem o futuro. Sem preverem nada, e sem quererem intervir da mesma forma, logo, sem saber o que fazer, deixaram “correr o marfim”. Desde o Brasil que isto se prova e agora continua dentro do nosso território. Sempre que constatamos, “pequenos passos”, dados no florescimento da economia nacional, esses “milagres” são sempre acompanhados por bombos e charangas a assinalar esses pequeninos avanços. Por cá, nunca se conseguem multiplicar esses avanços. Bom, mas naquela altura do massacre nas fazendas de café, segundo dados que estão à nossa disposição, Portugal só tinha 3500 efectivos militares em toda a Angola, no Norte praticamente ninguém, simplesmente abandonado. Começaram o massacre por lá, porque seria?

Foram dadas concessões por parte do governo central, imediatas, para suster esta onda de revolta libertacionista, sustentada na pretensão: “A abolição do cultivo obrigatório de colheita, para exportação”. Verdade se diga que tal “cultivo obrigatório” não era sentido como obrigatório por parte dos grandes produtores, só o era como imperativo para aumentar a sua qualidade de vida e com isso desenvolver a terra, isto porque para o branco local, a metrópole não era efectivamente aquela mãe pátria que devia ser sempre venerada, não! Era considerada por quase todos, como madrasta no sentido negativo do termo, logo, essa ordem de cultivo obrigatório só poderia ter sido um complemento de personalidade para que, um qualquer dirigente no “puto”, se tenha sentido, nesse momento, dono de um império, ao legislar tão “profundamente”! Temos sempre este tipo de genialidade. A verdade no terreno era o “estarem-se nas tintas” para tal determinação.

Os habitantes das províncias, salvo alguns “afilhados do governo”, principalmente em Angola, não queriam saber o que se pensava na Metrópole. Mas, apesar de tudo, o certo é que aconteceu uma maior autonomia das províncias e acabou-se com a assimilação. Qualquer cidadão africano era igual a qualquer europeu. Mas estas concessões “escritas”, vieram tarde de mais, como sempre, até porque os movimentos de libertação por toda a África, estavam a dar os seus frutos e não seria na África Portuguesa que se iria parar, ou retardar esse movimento de libertação global!

Em 1964 a FRELIMO começa a sua guerrilha em Moçambique com o total apoio da Tanzânia. Em 1971 a FRELIMO contava, dados da altura, com cerca de 7000 guerrilheiros mas não conseguia penetrar mais além que Cabo Delgado e Niassa.

Só em 1968 é que começou a infiltrar-se em Tete, a partir da Zâmbia, com esta sempre a dar apoio, como forma de fazer perigar a barragem de Cabora Bassa, mas nunca conseguiu interromper os trabalhos da barragem de maneira eficaz. Em Junho de 1975, Moçambique torna-se independente.

Em Setembro de 1974, foi a vez da Guiné.

Em 11 de Novembro de 1975 Angola atinge o dia da independência, mas a existência de movimentos rivais não permite que a paz dure muito tempo.

Em Outubro de 1975, a FNLA e a UNITA, com o auxílio da África do Sul, esta desprotegida agora ao longo da sua fronteira, pelo abandono de Angola por parte de Portugal, avança sobre Luanda, a partir do Sul, enquanto a FNLA penetra pela região Norte.

No dia 7 de Novembro, a pedido do governo de Luanda, ou instada a isso, a Rússia por intermédio de Cuba, envia tropas, “naturalmente” cubanas, para Angola. Parte destas, numa força aerotransportada, confluem juntamente com as tropas do MPLA sobre a FNLA e destroem este contingente.

Resumindo, estes movimentos não teriam sido possíveis sem o apoio dos países vizinhos, Zaire, por exemplo, em Angola. A FRELIMO beneficiou porque os Macondes vivem dos dois lados, de Moçambique e Tanzânia.

Na Guiné o PAIGC, operava a partir do Senegal e da república da Guiné. Algumas incursões do movimento, sobre a Guiné Portuguesa, tiveram o apoio da artilharia Senegalesa. O Zaire era o refúgio da FNLA porque o seu presidente na altura, Mobutu, era cunhado de Holden Roberto e enquanto foi presidente, deu sempre todo o apoio a esse movimento.

Em Angola as forças portuguesas, perto de 1970, eram um número que atingia, quase os 60 000 efectivos, mas as patrulhas terrestres eram, agora, na proporção de dois ou três portugueses para 20 ou 30 africanos.

A metrópole começava a agitar-se seriamente contra a ida de soldados para as Áfricas, milicianos é claro, e não era possível, “teoricamente”, sustentar um património com aquelas dimensões, apesar de a concessionária do petróleo em Cabinda, pagar de renda praticamente a guerra toda anualmente, a somar com a “renda” dos diamantes, ferro, etc. Tudo isto era uma “forma” de acumular ouro para a metrópole que não tinha “negócios” com a Europa porque esta lhe virou as costas, fazia muitos anos. Mas a informação dada aos portugueses continentais não era de molde a dar a entender que a fonte de riqueza era Angola, em grande parte, trabalho de colonos. Aumentava nas províncias uma guerra surda da população, apesar dos portugueses possuírem uma forma de ser e de estar, diferente de qualquer outro povo no mundo, que tivesse tido colónias, claro, com muitos erros pelo caminho. Essa guerra velada, apoiada também nos princípios libertacionistas, pressionou também ao golpe militar de 25 de Abril.

Na Guiné verificou-se que os militares profissionais portugueses eram confrontados com o crescente desinteresse em se manterem no território por parte dos soldados. Muitos dos subalternos, no exército profissional Português, eram contrários à guerra, uns por convicção, outros porque não queriam estar no seio dela.

Portugal cometeu erros históricos na presença em África, com objectivos mal traçados. Caiu de maduro o império. É lógico o governo do país ter caído em vinte e cinco de Abril de setenta e quatro. Atenda-se entretanto, ninguém “roubou” ninguém. Ninguém, na altura da “nossa” chegada por essas paragens, estava num restaurante, ou numa esplanada a comer bifes ou beber vinho ou cerveja. Portugal deixou países, modernos, a funcionar! Morreram muitos seres, morreram muitos sonhos, mas renasceram povos! Infelizmente… alguns deles, ainda se encontram em cuidados continuados… vá-se lá saber porquê.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

 

SOLIDÃO, OU A CORAGEM DE ESTAR SÓ.

 

 

 

Um triunfo que se consegue sobre nós é a coragem de sermos sós. As correntes opinativas que rodam em volta desta atitude, não conseguem demover esta forma de estar, quando pessoal e de livre vontade. O nosso tempo de vida, considerando então que somos entardecidos, deu-nos já o suporte, o conhecimento necessário para o tempo, que nos resta de vida. Nada nem ninguém é de geração espontânea. Alcandorados no nosso saber, conseguimos assim uma cultura que por poucos é entendida, pois, é sempre muito pessoal e nunca divulgada...

            Ser solitário não é sinónimo de se estar doente psiquicamente. Ser só, é vencer males dolorosos que nos provocaram ter vencido a noite, e permanecer sempre a acompanhar, paralelamente, os dias, apreciando-os, comentando-os, nunca lhes permitir que passem sobre a nossa forma de estar. Apesar de termos uma opinião sobre o sermos úteis para a sociedade, ao estarmos por opção sós, também nem sempre o que entendemos que é útil, é verdadeiramente útil para todos, e o melhor, também não gerou o melhor para todos. Descobre-se que em alguma circunstância das nossas vidas, o que lhe foi benéfica, mais tarde, afinal, não o foi. Também o contrário foi verdade.

Examinem o que de vida passaram, notarão que nalguns destes passos, aconteceu uma igualdade ao que digo. Ora, o resto de vida em solidão, saudável, (muitos não entendem isso e outros até a “tratam”, repare-se …) não vai perdurar todo o tempo que resta ao mundo, nem nós o queríamos, até porque iriamos dar conta que desapareceriam, o conceito de útil e inútil, o prejudicial e o favorável. Para a circunstância social, queremos manter-nos úteis, sem pretender ser um elemento que desgaste recursos que outros acumulam ao nos mantermos em solidão. E quando esta, está em forma de doença?

Ser útil, deve ser um hino de continuidade ao saber adquirido, que se deve prosseguir quando se envereda por uma solidão voluntária, produzindo actos que melhorem o bem-estar dos que nos rodeiam e provam que estão atentos à nossa forma de estar e nós há deles.

O autoconhecimento é um mergulho ao nosso ser que nos dá um rumo para as nossas respostas ao que se nos depara. É o resultado de sermos voluntariamente sós, responsáveis em cada um dos nossos actos e possuir o deleite dos sentidos pelo extraordinário prazer da “nossa companhia”, não necessitando de uma qualquer validação externa.  É ter capacidade para gerir emoções de maneira equilibrada e ter a autonomia que a sua resiliência emocional lhe permite. Ser solitário, na coragem de ser só, é o acto em que se constata, efectivamente, que somos os herdeiros do planeta, mas, mas… igualmente os verdadeiros responsáveis pelo bem-estar de tudo quanto nos rodeia e vive ao nosso lado.

Mesmo na “forma saudável” de ter a coragem de estarmos “sós”, nunca ela nos libertará de vivermos… sós, a um passo da… demência.

 

VM

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

 

TER LIBERDADE

 

 

Ultimamente tenho acordado com uma enorme vontade de ser rico. Mas agora, no meu entardecer nesta vida, dei conta que não consigo. O que sempre pretendo, e tenho, é a liberdade de me poder enganar, sem que esses enganos me toldem percursos. É libertador ter liberdade para poder errar. Considerei sempre a alma oxigenada, a maior parte do meu tempo, sendo livre.

Neste meu entardecer, não é definido nenhum grau para a minha liberdade, mas devo dizer que não foi sempre assim; passou algum tempo por mim, até descobrir que a espera pela liberdade não era justificada, afinal, descobri-a por tê-la dentro de mim. Todos a temos, mais ou menos oculta. É só querer e sobretudo, ter a vivência suficiente para detectar a sua porta de entrada.

A liberdade, tal como a concebo, é conferir a outra pessoa, o direito de escolher um percurso, connosco, ou não, dentro dos nossos ideais, das nossas escolhas, ou não. Ao respeitarmos a escolha dessa pessoa, estamos a fruir plenamente da nossa liberdade interior e a garantir que ninguém nos poderá acusar de subjugarmos esse alguém.

Fui sempre pensador livre, que não diz tudo que pensa, mas sempre pensei, seguramente, em tudo que digo, porque aqui, a nossa maior liberdade, é sermos nós. Em tempos, essa forma de ser livre, custou-me a mudança de “arma”, de Engenharia para Infantaria. Malhas que o império tecia. Alguns querem esses tempos de volta…

Sempre chorei, sorri, libertei e liberto uma gargalhada franca, de coração livre e o pensamento cheio de paixão de viver.

A liberdade, a minha, tem asas e o seu voo não entra em rota de colisão com nenhuma das outras que ao redor e ao largo de mim, se espraiam.

Nunca fui atrás de um poder qualquer, para ter que perder a liberdade, porque o poder cerceia a liberdade.

Assim, possuir a liberdade como eu a entendo, não é viver: subjugado ao dinheiro, escravo de opiniões, de comunhões clubistas ou a não ajuda ao nosso semelhante. É sim, continuar a luta pelos nossos sonhos sem colidir com os dos outros, sempre que possível, “voar” em conjunto, cada um com as suas asas. Também é pela luta que se aprende onde estão as portas do nosso interior, as que dão entrada na liberdade. 

Ser livre, então, é poder escolher o que interessa a um conjunto de pessoas que vivem numa rua, num bairro, numa vila, numa cidade, num distrito, ou num ermo… Ser livre não é sorrir sobre o que outros nos informaram estar correcto sem verificar primeiro. Ser livre não é bater palmas a atitudes governativas que acabaram por não beneficiar o que quer e quem quer que seja, e foi, simplesmente um nada, dito tudo, para resolver problemas na comunidade. Ser livre não é deixar de cumprir a obrigação de escolher quem melhor nos representa, e dizer: “Estou cheio deles, só pensam no que lhes interessa”. Pela “ausência” destes, que se dizem cheios, é que “eles” fazem o que entendem. Ser livre é analisar, estudar, reconhecer que, Trump, Putin, Orbán, Natanyahu, Jinping, Jong-un, Khamenei, Obiang, Dias-Canel, Berdimuhamedow, são ditadores que sujeitam milhões de pessoas aos seus “instintos”, subordinando-os a seres que começaram a perder a dignidade de humanos, sem o saberem. Sofrem da síndrome do “sequestrador”. Destes, 99% estão convencidos que a verdade desses governantes, será sempre a sua bandeira. Seres que podiam, livremente, viajar por todo o planeta, viver uma vida digna e conviver com todos os seres humanos livres, estão condenados a viver numa mentira que não os dignifica e os leva a concordar com atitudes assassinas. Incrível, mas os ditadores, disfarçados, é o que fazem à liberdade dos povos que dirigem. Será que estes “escravos modernos” pensariam, se lhes acontecesse, perderem um carro, uma casa, uma cidade, um parente, filho etc., etc… como os seus dirigentes, em atitudes destrutivas, fazem aos pais de outros filhos? À destruição do património que tantos e tantos anos levou a construir? Apetece-me gritar: “Acordemos! Sejamos livres”! E no nosso cantinho? Vamos querer continuar a ser livres? Sejamos sempre livres! Vamos em frente.  É o momento para uma análise definitiva sobre o que é ser povo: “Donde se vem, o que se é e o que se tem, e definitivamente, o que queremos ser, e ter.

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VM

           

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

 

 

“GLOSA SEM MÉTRICA” SOBRE UM POEMA

 

Ao atravessar o portão,

o bulício ficou para trás. Tinha pensado sair e ir à loja de venda dos chocolates. Uns colegas advertiram-no que a Contínua podia vê-lo e levava-o ao Conselho Directivo. Tinha decidido, estava decidido! Chegou cá fora a correr e…

travou logo de repente,

estava ali na sua frente, na estrada, o que o iria fazer ir de um passeio ao outro, areia, e da fixe,

deslizou no alcatrão,

ainda teve que se baixar, quase de cócoras porque se desequilibrou e lá iam os seus dotes por água abaixo, e com os colegas a vê-lo de dentro do recreio, a “patinar” assim, desequilibrado ou a cair? Iriam rir, mas não aconteceu nada disso porque conseguiu fazer uma pose de patinador profissional e até

qual patinador, sorridente.

A rua era muito frequentada, quer por pessoas que moravam nas imediações, por alunos da escola e muito trânsito automóvel…

Ouviu um apito conhecido.

Olhou de soslaio, parecia-lhe o apito do carro do seu pai. Mas como continuava a deslizar focou-se no trajecto, claro, não era um local próprio para uma “brincadeira” deste tipo, foi chamado à atenção…

Era um carro que passava.

Estava quase o trajecto cumprido, na sua cabeça, em segurança e já a pensar no sabor que ia escolher. Mas todos, lá dentro, estão a ver a classe do seu deslizar, não são todos que conseguem esta proeza, nem nos concursos se desliza assim, até porque…

E no deslizar, parecido

Sim, sim, desafiava quem quer que fosse dos colegas a dar uma ideia semelhante, parecia estar a deslisar, parecido mesmo…

com o dos patins, atravessava

pois era, atravessava a rua de lado a lado, passeio a passeio…

bem ligeiro, sobre a areia

as chuvas deram jeito e trouxeram muita areia para a estrada, afinal nem tudo é mau, lá estava ela, a bendita areia…

que cobria o alcatrão,

é que era mesmo de lado a lado, a areia, e ainda bem que ninguém a tirou de lá porque assim, conseguiu ir ao outro lado, e com o pensamento já formado quando pensou naqueles cabazes cheios de “chupas”, só tinha que atravessar…

a rua que o medeia

… já parou! Sem percalço. Os colegas do outro lado a verem a sua chegada, como não caiu, nem foi atropelado, perdeu a graça… ninguém ligou mais ao assunto, nem quiseram saber se a Contínua o levaria ao CD. Ele já estava no sítio que queria, tinha partido de…

entre a escola e o cabaz

… e o sabor, qual seria o chupa preferido no momento, a escolher, sim, qual seria o cabaz…

dos “chupas” que, enfim, são,

as delicias de um rapaz!

 

 

VM

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

 

A melhor cabidela de galo do “planeta”

 

 

            Nem todos gostam. Nem todos a sabem fazer e ainda nem todos conseguem finalizar uma iguaria como esta. Também nem todos se dão ao trabalho de se deslocarem, ao “sítio”, para a apreciar. Bom, não se consegue muitas vezes uma excelente companhia para celebrar um acto gastronómico. Nem todos compartilham a iguaria com quem a fez. Pois é. Na simplicidade, um hino ao paladar foi entoado.  Reparemos na cor do dito manjar…


            Trata-se de uma cabidela? É, sim senhor! De galo. Foi, um certo dia, em Santana da Serra, Ourique, mais exactamente em Rio Torto, Monte da Ribeira. Aconteceu no restaurante do senhor João. Homem já “ido”, mas com um espírito jovem invulgar.





 

A mesa da esplanada...

Pois tudo correu de acordo com as previsões do mestre cozinheiro, de seu nome, Joaquim. Este era sempre convidado para confeccionar “pratos especiais”, nos mais variados locais. Porquê? Bom, quem comeu as iguarias confeccionadas por ele é que sabe… e lembra. Já não o largava mais. Aí está ele ao centro na foto a seguir:




            O bom humor do Senhor Joaquim estava sempre a funcionar. Basta verificar o riso aberto do casal que o ladeia. A Amélia e o João.

Mais foram os convivas…




 

            Esta confecção tem que ser lembrada. Não porque se lhes prometeu. Simplesmente lembrar que existem pratos cujas confecções nunca vão ser esquecidas...




            No final, com todos a sorrirem, do manjar,  o abençoado melão apareceu, com origem, ali bem perto,de Ourique…

            Valeu por tudo. As pessoas deste país sabem que dentro deste rectângulo, existem “coisas” que nenhum país tem para nos dar. Pois a nossa viagem ao Monte da Ribeira, foi do melhor que a gastronomia nos reservou. Não conheço o meu país como devia. Só quando o conhecer, é que sairei com interesse em conhecer outros lugares, mas sem guias, sem horas marcadas, sem hotéis marcados. Faço sempre o mesmo por cá. Simplesmente vou, apareço e desfruto de inéditos, quer na arquitectura, cultura social, gastronómica… estudo e visito tudo o que os lugares têm para oferecer. Ah, gosto mesmo do meu país.

VM




  SEMPRE TIRO AO…                 Se fomos inventados por Deus é porque o macaco o desiludiu  mesmo a sério.             Temos provas de con...