SAM, SRULIK
E VANKA
E IÓNG (*)
Não sei como alertar este caso, muito
grave. Passa-se nesta aldeia global, numa escola onde três rapazolas fazem o
que querem e ninguém toma mão nisto. Como não sei o que fazer cabe-me denunciar
o caso a passar numa escola que deu referências a todas sobre a postura social
e muitas outras referências para o bem estar social.
Srulik, Sam e Vanka, “alunos” de três
“turmas diferentes, são observados de perto pelo Ióng, também de uma outra
turma. Ióng não se mete nas tropelias dos três, observa, e dá umas opiniões
quando lhe perguntamos: “O que se passa?”. Sempre pensou, que se as maldades que
os três praticam, redundarem em seu favor, e se assim era, incentiva-os.
Todos “estudam”, mas no dizer dos demais,
o que estudam é a forma de concretizarem o mal, disfarçada ou declaradamente.
Srulik e Sam são muito amigos mesmo, Sam
encobre as “asneiradas” do parceiro chegando a rir do que ele faz, aprovando sempre
os maldosos actos. Vejam, Srulik, um dia, lembrou-se de…
“Um vizinho daquela “escola”, tinha
construído, ao longo da sua vida, uma casa onde vivia com a família. Tinha tudo
o que necessitava. O pequeno pecúlio que ia amealhando, fruto do seu trabalho,
serve para a educação dos filhos e para o dia a dia. Todos os seus vizinhos
tinham casas que foram construindo e adquirindo com alguma dificuldade, mas
sempres de cabeça erguida, sem viverem à custa de ninguém.
Sam tinha dito a Srulik, por tê-lo visto a
rondar a casa próxima da escola: “Vê se não fazes nenhuma asneira e que toda a
gente veja, ficas entalado, olha que eu estou a dizer-te para não pensares em
nada estúpido porque se te vêm, não vou em teu auxilio! Ouves?” Srulik
sorriu-lhe e acalmou-o.
- “Já me viste alguma vez em acção? Só o
que te dizem ter sido eu. Não sou. Não sou como o Vanka que parte tudo por onde
anda, agora está na quinta do conterrâneo dele, a arrasar tudo, alguém lhe vai
à mão? Até os tais que criticam tudo, nada fazem. Se é assim, “bota a baixo,
também quero participar nisto, pode ser que ganhe um ‘cordãozinho de ouro’ para
vender. Só se o director desta coisa, toda, me vir e…
- Ah, não te preocupes – diz-lhe Sam: é um
banana, e é ele director da escola, vejam lá! Eu já o tinha tirado de lá,
nenhum dos membros desta escola tem categoria para fazer o que quer que seja.
Mas fotografias de conjunto, na escola tiram. Pagam os vidros que tu partes e
mais outras coisas, e até os da quinta do conterrâneo do Vanka, tudo o que ele
destrói também, mas a ti? Punirem-te? Oh, oh, isso é que era bom! Salto a
terreiro e digo que não foste tu e que se sabem que foste, digo que já te tinha
avisado para não fazeres nada, com isso calo-os. Ficam contentes porque te
avisei, ficam assim como se fossem eles a avisar. Mas vê se tens juízo. Nada às
claras. Entretanto ando agora a divertir-me a distrai-los para tu fazeres as
macacadas, não te preocupes. Até fazem de contas que não dão por isso se
desconfiarem, sabendo. Eh, eh. Não te alertes porque não têm competência para
fazer, nada! Comigo não se metem porque o meu pai manda nisto tudo, já viram o nosso
património e os cães que temos, quando vão para o terreno vai tudo na frente.
Srulik dá uma palmada nas costas do amigo
a sorrir e diz:
- Achas que se iam meter connosco, nem
pensar, têm medo de tudo e de todos. Querem é serem noticiados nas televisões e
bem, nas horas de “ponta”. Isto está por nossa conta.
Sam saiu de perto do amigo. Pensou na
quinta destruída do vizinho ao lado da escola e ficou a matutar se descobrem
que fui eu que lhe dei a pólvora… vai ser mau. Também pensou no que Srulik lhe
tinha dito sobre o Vanka. Verdade a outra quinta, a do conterrâneo, está quase
toda destruída. O homem, coitado, recebe apoio do pessoal dirigente da escola,
mas mais nada… Pensou: “Ora, eu até ficava bem na “fotografia” se fosse ter com
o Vanka e lhe pedisse para parar…”
Pegou no telemóvel e conversou com a
personagem, do outro lado… ficou admirado e preocupado com o que ele lhe
comunicou… “…que tinha atirado com uns barracões abaixo e que, se o outro
quisesse conversar, sim senhor, parava, e conversava, mas, os carros antigos e
o outro património que lá estava, seria para si e ponto final!”
- Então ele destruiu tudo e quer possuir o
que resta? Se calhar até o terreno pretende… será?
Outra interrogação para si, é o Ióng estar
sempre por perto… é o que se pode dizer, um “olheiro”. Talvez o perceba sem
saber muito bem as suas intenções…
Agora sou eu, como denunciante do
comportamento destes três miúdos a pensar que queria que fosse assim:
Um
dia aparece Srulik esbaforido junto a Sam:
-
Vamos ser chamados ao “director”!
-
Essa agora, então não estão em eleições?
-
Estão, melhor, estavam e elegeram um “gajo marado”. Contaram-lhe histórias
sobre nós, acho que o eleito juntou um processo com fotografias e tudo e vamos ter
que ir lá, agora.
-
Estás maluco. Algum destes “artistas” se vai meter connosco?
-
Acho que sim… também me disseram que nos querem prender e internar, já vi na
entrada, duas ambulâncias e polícia…
-
Polícia? Ambulâncias? Para quê? O meu pai é que é quem manda nas policias e em
tudo neste sítio, pode lá ser!
-
Mas é verdade!
Viram
aproximarem-se policias e uns homens de bata branca com “panos de fitas”.
Rodearam-nos, deram-lhe ordens de prisão, meteram-nos dentro desses panos,
ataram as fitas nas suas costas, introduziram-nos, cada um em sua ambulância e
o “bairro”, mais tarde, ficou a saber que os meliantes nunca mais iriam fazer
asneiras que prejudicassem a comunidade.
Existem atitudes que podem parecer
descabidas, sem razão e fora de tempo, mas que devem existir, custe o que
custar, doa a quem doer, para nunca se dar, sequer por esmola, o que cabe por
justiça aos povos neste mundo.
(*)
Sam, Srulik , Vanka e Ióng
Respectivamente, meninos:
americano, israelita, russo e chinês.
VM