sábado, 14 de março de 2026

 

CONTRIBUTO PARA UM EXORCISMO 

 

Este texto não é produzido por

nenhum sistema de IA. Foi elaborado

com base no humano pensamento,

 e conhecimentos do autor.

 

 

               Podíamos começar por Moçambique, Cabo Verde, Guiné… mas começamos por um território que conhecemos razoavelmente, em termos de história, etnias…

A marcação do território de Angola, começa em 1482 com Diogo Cão, que começa a juntar, num sítio próximo de São Paulo da Assunção (Luanda), alguns povos da beira mar. Por conhecimento “in loco”, os nativos foram noticiadores do que se passava com o pessoal “estranho” (brancos), que iam dando trabalho e víveres em troca da ajuda em edificações, para cimentar a sua presença naquelas paragens. Portugal começou a ter uma presença significativa em África, nas duas costas do continente africano. Em 1575, Paulo Dias de Novais delimitou, em Angola, uma vasta área, que no século XIX, princípios, e anos seguintes, deu lugar à marcação, ao domínio efectivo do terreno e também à colonização efectiva do território. Portugal tem o inventário exaustivo de todos os povos das suas colónias, suas localizações originais, proximidades e, ou, consanguinidades com outros povos, desde que assumiu a sua presença em África.

Do que existe em “inventário”, tomando como exemplo, em Angola, os Maiacas. Localizavam-se na sua grande maioria no Congo Belga e uma faixa, pequena em Angola, esta, situando-se ao longo da margem esquerda do rio Cuango. Este povo é o cruzamento de Congos e Lundas, os primeiros provindos de São Salvador do Congo e os Lundas do reino de Muata-Ianvo.  Desta dispersão, digamos, é que surge o “povo” Maiaca. Tudo isto está perfeitamente documentado, bem como de todas a ex-colónias.

Com processos idênticos, Moçambique, Guiné, São Tomé… também foram marcados todos os outros territórios. Ao tempo, o mundo queria que essas demarcações fossem feitas, como prova de pertença de quem as proclamasse, com provas cartográficas, e as registasse suas.

Ouvindo tanta… parvoíce, e depois de tantos anos passados (50) o que fazer, para este nosso simples caso? Um infinito luto? Receber, uma sobranceria e culpabilização incultas de quem ficou com territórios (países) a funcionar em pleno? E se alguns fantasmas nos atormentarem? Faremos o exorcismo deles! Lembrar continuadamente a história, não da pessoal, da de todos, dos de lá e dos de cá? Conversar resumida e informalmente, um pouco, sobre o assunto, está a valer a pena?

Muito bem, vamos então por aqui, pela última vez. Passarei a informar, o que todos da minha geração e poucos jovens sabem, e aos que não querem saber, que Portugal foi a primeira potência colonial europeia a entrar em África nos finais do século XV até meados dos anos 70 do último século, tal como a Espanha, foi dos últimos a sair. A razão de tal longevidade em África deveu-se, é credível por isso consensual, há neutral posição que Portugal manteve durante a II guerra mundial. Portugal sempre manteve uma crença, a da sua missão civilizadora, e como tal, a necessidade de manter essa vocação histórica. O facto é que as colónias contribuíam com significado, dado o nosso investimento para que assim fosse, para a economia global portuguesa, por muito que se fizesse, politicamente, crer que não. Na investigação por nós feita, conseguimos dados sobre esse retorno do investimento, mas quando quisemos levar a investigação há exaustão… não conseguimos documentos essenciais. Conseguimos uma fonte que adiantou pouco mais do que o que tínhamos investigado, no caso das contas publicas até Abril de 1974. Assim só podemos dizer o que “sempre” se dizia pelo “puto”: “A metrópole” é que paga tudo… Pensemos: Com a força do trabalho, produção, que a metrópole vendia a nível mundial e que investia nas províncias ultramarinas… em desfavor do povo metropolitano... Sendo o contrário o óbvio, este, era sonegado ao povo.

Entremos, já nos anos 50 do século passado, para que a história tenha consistência no que se quer informar, não se fundamentava, nem historicamente ou verificada no terreno, a presença de Portugal na África, na discriminação racial, mas sim na assimilação dos naturais de África. Entretanto a legislação muda e oficialmente em 1951, as colónias voltam a ser províncias do país, até com representantes na Assembleia Nacional em Lisboa. Mas a política económica e social portuguesa, nas parcelas de África, permanecia bastante ambígua, como sempre somos capazes de fazer acontecer...

Em Angola, nos anos cinquenta do século passado, a quantidade de trabalhadores contratados foi significativamente aumentada. Isto é histórico! Qual o objectivo? O de aumentar as exportações do café e de algodão fundamentalmente. A assimilação dos povos das províncias ultramarinas, entretanto, ficou muito aquém das intenções.

Recuemos à Constituição de 1933. Nela está expresso a necessidade tal como o objectivo, de se continuar com a assimilação. O que aconteceu paulatinamente foi a divisão da população. Naturais e não naturais. Os não naturais, que ficavam sujeitos às leis portuguesas, eram: os brancos, os mestiços e os assimilados, ou seja, a pequena franja burguesa dos naturais residentes nas províncias. Todos estes tinham direito a voto. E os “naturais”? Como se os brancos, mestiços… nascidos nas províncias não fossem naturais. Um pensamento (estrutural) na época, racista.

Em 1965 eram ainda poucos os assimilados com estatuto, sendo assim, não é surpresa nenhuma ver que os chefes dos grupos nacionalistas se contavam entre os mestiços e assimilados. O tribalismo acabou por ser um factor decisivo para a formação dos grupos nacionalistas. Na Guiné, o PAIGC que foi fundado em 1956, era composto por assimilados urbanos da cidade de Bissau, e membros do povo. O povo Balanta. Eram mais ou menos vinte por cento da população. Os Mandingas e os Fulas eram leais a Portugal, podemos dizer que entendiam a evolução como necessária dado que nenhuma repressão era visível no terreno...

Em Moçambique formou-se uma coligação com vários grupos com predominância da etnia Maconde, mais ou menos dois por cento da população.

Em Angola as formações dos grupos de libertação eram heterogéneas. O MPLA fundado em 1956 em Luanda. Continha no seu seio os assimilados urbanos da capital e nos arredores da cidade, os de etnia Mbundu. A FNLA surge das reivindicações do povo rural Bacongo no norte do país. Era dirigido por Holden Roberto, sobrinho do herdeiro do reino, que Portugal fez substituir por outro indivíduo. Os tais erros históricos, fundamentados na troca, como forma de enfraquecer os legítimos herdeiros e colocar do lado de cá (Portugal) os outros que nunca tiveram nada.

A etnia Ovimbundu no sul, e a etnia Chokwe no leste, apoiavam também este movimento de libertação. Mas a UNITA consegue trazer para as suas fileiras a etnia Chokwe. É fundado o movimento em 1966, por Jonas Malheiro Savimbi que por razões pessoais e políticas, se desliga do movimento de Holden Roberto.

Em Agosto de 1959, as autoridades portuguesas na Guiné, na pessoa de cipaios, mataram cerca de 50 indivíduos, justificada atitude, diziam os dirigentes da altura, por terem feito greve nas docas de Bissau?... Claro que esta tinha sido feita propositadamente, a contestar a presença colonialista. Ideias já em circulação, sobre os movimentos para as libertações dos povos colonizados. Agora, em Angola, após uma série de ataques dos movimentos de libertação, estes aqui, começaram com uma mortandade no norte de Angola de forma bárbara, as autoridades portuguesas tomam atitudes semelhantes às da mortandade na Guiné. Isto no dia 15 de Março de 1961.

Tratou-se de uma revolta na região do Uíje, numas roças de café. O seu inicio foi de tal ordem que os movimentos de libertação mataram cerca de 8000 pessoas, entre brancos das fazendas e indígenas leais. Esta atitude foi algo surpreendente para os portugueses, dados sempre, e eternamente, a não planearem o futuro. Sem preverem nada, e sem quererem intervir da mesma forma, logo, sem saber o que fazer, deixaram “correr o marfim”. Desde o Brasil que isto se prova e agora continua dentro do território. Sempre que constatamos, “pequenos passos”, dados no florescimento da economia nacional, esses “milagres” são sempre acompanhados por bombos e charangas a assinalar esses pequeninos avanços. Nunca multiplicar esses avanços. Bom, mas naquela altura do massacre nas fazendas de café, segundo dados que estão à nossa disposição, Portugal só tinha 3000 efectivos militares em toda a Angola, no Norte praticamente ninguém, simplesmente abandonado. Começado o massacre por lá, porquê?

Foram dadas concessões por parte do governo central, imediatas, para, suster esta onda de revolta libertacionista, sustentada na pretensão: “A abolição do cultivo obrigatório de colheita, para exportação”. Verdade se diga que tal “cultivo obrigatório” não era sentido como obrigatório por parte dos grandes produtores, só como um imperativo para aumentar a sua qualidade de vida e com isso desenvolver a terra, isto porque para o branco local, a metrópole não era efectivamente aquela mãe pátria que devia ser sempre venerada, não! Era considerada por quase todos, como madrasta no sentido negativo do termo, logo, essa ordem de cultivo obrigatório só poderia ter sido um complemento de personalidade para que, um qualquer dirigente no “puto”, se tenha sentido, nesse momento, dono de um império, ao legislar tão “profundamente”! Esta sim é que era a verdade no terreno. Temos sempre este tipo de genialidade.

Os habitantes das províncias, salvo alguns “afilhados do governo”, principalmente em Angola, “estavam-se nas tintas” para o que se pensava na Metrópole. Mas, o certo é que aconteceu uma maior autonomia das províncias e acabou-se com a assimilação. Qualquer cidadão africano era igual a qualquer europeu. Mas estas concessões “escritas” vieram tarde de mais, como sempre, até porque os movimentos de libertação por toda a África, estavam a dar os seus frutos e não seria na África Portuguesa que se iria parar, ou retardar esse movimento de libertação global!

Em 1964 a FRELIMO começa a sua guerrilha em Moçambique com o total apoio da Tanzânia. Em 1971 a FRELIMO contava, dados da altura, com cerca de 7000 guerrilheiros mas não conseguia penetrar mais além que Cabo Delgado e Niassa.

Só em 1968 é que começou a infiltrar-se em Tete, a partir da Zâmbia, com esta sempre a dar apoio, como forma de fazer perigar a barragem de Cabora Bassa, mas nunca conseguiu interromper os trabalhos da barragem de maneira eficaz. Em Junho de 1975, Moçambique torna-se independente.

Em Setembro de 1974, foi a vez da Guiné.

Em 11 de Novembro de 1975 Angola atinge o dia da independência, mas a existência de movimentos rivais não permite que a paz dure muito tempo.

Em Outubro de 1975, a FNLA e a UNITA, com o auxílio da África do Sul, esta desprotegida agora ao longo da sua fronteira, pelo abandono de Angola por parte de Portugal, avança sobre Luanda, a partir do Sul, enquanto a FNLA penetra pela região Norte.

No dia 7 de Novembro, a pedido do governo de Luanda, ou instada a isso, a Rússia por intermédio de Cuba, envia tropas, “naturalmente” cubanas, para Angola. Parte destas, numa força aerotransportada, confluem juntamente com as tropas do MPLA sobre a FNLA e destroem este contingente.

Resumindo, estes movimentos não teriam sido possíveis sem o apoio dos países vizinhos, Zaire, por exemplo, em Angola. A FRELIMO beneficiou porque os Macondes vivem dos dois lados, de Moçambique e Tanzânia.

Na Guiné o PAIGC, operava a partir do Senegal e da república da Guiné. Algumas incursões do movimento, sobre a Guiné Portuguesa, tiveram o apoio da artilharia Senegalesa. O Zaire era o refúgio da FNLA porque o seu presidente na altura, Mobutu, era cunhado de Holden Roberto e enquanto foi presidente, deu sempre todo o apoio a esse movimento.

Em Angola as forças portuguesas, perto de 1970, eram um número que atingia, quase os 60 000 efectivos, mas as patrulhas terrestres eram, agora, na proporção de dois ou três portugueses para 20 ou 30 africanos.

A metrópole começava a agitar-se seriamente contra a ida de soldados para as Áfricas, milicianos é claro, e não era possível, “teoricamente”, sustentar um património com aquelas dimensões, apesar de a concessionária dos petróleos em Cabinda, pagar de renda praticamente a guerra toda anualmente, a somar com a “renda” dos diamantes, ferro, etc. Tudo isto era uma “forma” de ouro para a metrópole que não tinha “negócios” com a Europa porque esta lhe virou as costas, fazia muitos anos. Mas a informação dada aos portugueses continentais não era de molde a dar a entender que a fonte de riqueza era Angola, em grande parte, trabalho de colonos. Aumentava nas províncias uma guerra surda da população, apesar dos portugueses possuírem uma forma de ser e de estar, diferente de qualquer outro povo no mundo, que tivesse tido colónias. Essa guerra velada, apoiada também nos princípios libertacionistas, pressionou também ao golpe militar de 25 de Abril.

Na Guiné verificou-se que os militares profissionais portugueses eram confrontados com o crescente desinteresse em se manterem no território por parte dos soldados. Muitos dos subalternos, no exército profissional Português, eram contrários à guerra, uns por convicção, outros porque não queriam estar no seio dela.

Portugal cometeu erros históricos na presença em África, com objectivos mal traçados. Caiu de maduro o império. É lógico o governo do país ter caído em vinte e cinco de Abril de setenta e quatro. Ninguém “roubou” ninguém. Ninguém, na altura da nossa chegada por essas paragens, estava num restaurante, ou numa esplanada a comer ou beber. Portugal deixou países, modernos, a funcionar! Morreram muitos seres, morreram muitos sonhos, mas renasceram povos! Infelizmente, alguns ainda se encontram em cuidados continuados…


sábado, 21 de fevereiro de 2026

 

SOLIDÃO, OU A CORAGEM DE ESTAR SÓ.

 

 

 

Um triunfo que se consegue sobre nós é a coragem de sermos sós. As correntes opinativas que rodam em volta desta atitude, não conseguem demover esta forma de estar, quando pessoal e de livre vontade. O nosso tempo de vida, considerando então que somos entardecidos, deu-nos já o suporte, o conhecimento necessário para o tempo, que nos resta de vida. Nada nem ninguém é de geração espontânea. Alcandorados no nosso saber, conseguimos assim uma cultura que por poucos é entendida, pois, é sempre muito pessoal e nunca divulgada...

            Ser solitário não é sinónimo de se estar doente psiquicamente. Ser só, é vencer males dolorosos que nos provocaram ter vencido a noite, e permanecer sempre a acompanhar, paralelamente, os dias, apreciando-os, comentando-os, nunca lhes permitir que passem sobre a nossa forma de estar. Apesar de termos uma opinião sobre o sermos úteis para a sociedade, ao estarmos por opção sós, também nem sempre o que entendemos que é útil, é verdadeiramente útil para todos, e o melhor, também não gerou o melhor para todos. Descobre-se que em alguma circunstância das nossas vidas, o que lhe foi benéfica, mais tarde, afinal, não o foi. Também o contrário foi verdade.

Examinem o que de vida passaram, notarão que nalguns destes passos, aconteceu uma igualdade ao que digo. Ora, o resto de vida em solidão, saudável, (muitos não entendem isso e outros até a “tratam”, repare-se …) não vai perdurar todo o tempo que resta ao mundo, nem nós o queríamos, até porque iriamos dar conta que desapareceriam, o conceito de útil e inútil, o prejudicial e o favorável. Para a circunstância social, queremos manter-nos úteis, sem pretender ser um elemento que desgaste recursos que outros acumulam ao nos mantermos em solidão. E quando esta, está em forma de doença?

Ser útil, deve ser um hino de continuidade ao saber adquirido, que se deve prosseguir quando se envereda por uma solidão voluntária, produzindo actos que melhorem o bem-estar dos que nos rodeiam e provam que estão atentos à nossa forma de estar e nós há deles.

O autoconhecimento é um mergulho ao nosso ser que nos dá um rumo para as nossas respostas ao que se nos depara. É o resultado de sermos voluntariamente sós, responsáveis em cada um dos nossos actos e possuir o deleite dos sentidos pelo extraordinário prazer da “nossa companhia”, não necessitando de uma qualquer validação externa.  É ter capacidade para gerir emoções de maneira equilibrada e ter a autonomia que a sua resiliência emocional lhe permite. Ser solitário, na coragem de ser só, é o acto em que se constata, efectivamente, que somos os herdeiros do planeta, mas, mas… igualmente os verdadeiros responsáveis pelo bem-estar de tudo quanto nos rodeia e vive ao nosso lado.

Mesmo na “forma saudável” de ter a coragem de estarmos “sós”, nunca ela nos libertará de vivermos… sós, a um passo da… demência.

 

VM

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

 

TER LIBERDADE

 

 

Ultimamente tenho acordado com uma enorme vontade de ser rico. Mas agora, no meu entardecer nesta vida, dei conta que não consigo. O que sempre pretendo, e tenho, é a liberdade de me poder enganar, sem que esses enganos me toldem percursos. É libertador ter liberdade para poder errar. Considerei sempre a alma oxigenada, a maior parte do meu tempo, sendo livre.

Neste meu entardecer, não é definido nenhum grau para a minha liberdade, mas devo dizer que não foi sempre assim; passou algum tempo por mim, até descobrir que a espera pela liberdade não era justificada, afinal, descobri-a por tê-la dentro de mim. Todos a temos, mais ou menos oculta. É só querer e sobretudo, ter a vivência suficiente para detectar a sua porta de entrada.

A liberdade, tal como a concebo, é conferir a outra pessoa, o direito de escolher um percurso, connosco, ou não, dentro dos nossos ideais, das nossas escolhas, ou não. Ao respeitarmos a escolha dessa pessoa, estamos a fruir plenamente da nossa liberdade interior e a garantir que ninguém nos poderá acusar de subjugarmos esse alguém.

Fui sempre pensador livre, que não diz tudo que pensa, mas sempre pensei, seguramente, em tudo que digo, porque aqui, a nossa maior liberdade, é sermos nós. Em tempos, essa forma de ser livre, custou-me a mudança de “arma”, de Engenharia para Infantaria. Malhas que o império tecia. Alguns querem esses tempos de volta…

Sempre chorei, sorri, libertei e liberto uma gargalhada franca, de coração livre e o pensamento cheio de paixão de viver.

A liberdade, a minha, tem asas e o seu voo não entra em rota de colisão com nenhuma das outras que ao redor e ao largo de mim, se espraiam.

Nunca fui atrás de um poder qualquer, para ter que perder a liberdade, porque o poder cerceia a liberdade.

Assim, possuir a liberdade como eu a entendo, não é viver: subjugado ao dinheiro, escravo de opiniões, de comunhões clubistas ou a não ajuda ao nosso semelhante. É sim, continuar a luta pelos nossos sonhos sem colidir com os dos outros, sempre que possível, “voar” em conjunto, cada um com as suas asas. Também é pela luta que se aprende onde estão as portas do nosso interior, as que dão entrada na liberdade. 

Ser livre, então, é poder escolher o que interessa a um conjunto de pessoas que vivem numa rua, num bairro, numa vila, numa cidade, num distrito, ou num ermo… Ser livre não é sorrir sobre o que outros nos informaram estar correcto sem verificar primeiro. Ser livre não é bater palmas a atitudes governativas que acabaram por não beneficiar o que quer e quem quer que seja, e foi, simplesmente um nada, dito tudo, para resolver problemas na comunidade. Ser livre não é deixar de cumprir a obrigação de escolher quem melhor nos representa, e dizer: “Estou cheio deles, só pensam no que lhes interessa”. Pela “ausência” destes, que se dizem cheios, é que “eles” fazem o que entendem. Ser livre é analisar, estudar, reconhecer que, Trump, Putin, Orbán, Natanyahu, Jinping, Jong-un, Khamenei, Obiang, Dias-Canel, Berdimuhamedow, são ditadores que sujeitam milhões de pessoas aos seus “instintos”, subordinando-os a seres que começaram a perder a dignidade de humanos, sem o saberem. Sofrem da síndrome do “sequestrador”. Destes, 99% estão convencidos que a verdade desses governantes, será sempre a sua bandeira. Seres que podiam, livremente, viajar por todo o planeta, viver uma vida digna e conviver com todos os seres humanos livres, estão condenados a viver numa mentira que não os dignifica e os leva a concordar com atitudes assassinas. Incrível, mas os ditadores, disfarçados, é o que fazem à liberdade dos povos que dirigem. Será que estes “escravos modernos” pensariam, se lhes acontecesse, perderem um carro, uma casa, uma cidade, um parente, filho etc., etc… como os seus dirigentes, em atitudes destrutivas, fazem aos pais de outros filhos? À destruição do património que tantos e tantos anos levou a construir? Apetece-me gritar: “Acordemos! Sejamos livres”! E no nosso cantinho? Vamos querer continuar a ser livres? Sejamos sempre livres! Vamos em frente.  É o momento para uma análise definitiva sobre o que é ser povo: “Donde se vem, o que se é e o que se tem, e definitivamente, o que queremos ser, e ter.

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VM

           

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

 

 

“GLOSA SEM MÉTRICA” SOBRE UM POEMA

 

Ao atravessar o portão,

o bulício ficou para trás. Tinha pensado sair e ir à loja de venda dos chocolates. Uns colegas advertiram-no que a Contínua podia vê-lo e levava-o ao Conselho Directivo. Tinha decidido, estava decidido! Chegou cá fora a correr e…

travou logo de repente,

estava ali na sua frente, na estrada, o que o iria fazer ir de um passeio ao outro, areia, e da fixe,

deslizou no alcatrão,

ainda teve que se baixar, quase de cócoras porque se desequilibrou e lá iam os seus dotes por água abaixo, e com os colegas a vê-lo de dentro do recreio, a “patinar” assim, desequilibrado ou a cair? Iriam rir, mas não aconteceu nada disso porque conseguiu fazer uma pose de patinador profissional e até

qual patinador, sorridente.

A rua era muito frequentada, quer por pessoas que moravam nas imediações, por alunos da escola e muito trânsito automóvel…

Ouviu um apito conhecido.

Olhou de soslaio, parecia-lhe o apito do carro do seu pai. Mas como continuava a deslizar focou-se no trajecto, claro, não era um local próprio para uma “brincadeira” deste tipo, foi chamado à atenção…

Era um carro que passava.

Estava quase o trajecto cumprido, na sua cabeça, em segurança e já a pensar no sabor que ia escolher. Mas todos, lá dentro, estão a ver a classe do seu deslizar, não são todos que conseguem esta proeza, nem nos concursos se desliza assim, até porque…

E no deslizar, parecido

Sim, sim, desafiava quem quer que fosse dos colegas a dar uma ideia semelhante, parecia estar a deslisar, parecido mesmo…

com o dos patins, atravessava

pois era, atravessava a rua de lado a lado, passeio a passeio…

bem ligeiro, sobre a areia

as chuvas deram jeito e trouxeram muita areia para a estrada, afinal nem tudo é mau, lá estava ela, a bendita areia…

que cobria o alcatrão,

é que era mesmo de lado a lado, a areia, e ainda bem que ninguém a tirou de lá porque assim, conseguiu ir ao outro lado, e com o pensamento já formado quando pensou naqueles cabazes cheios de “chupas”, só tinha que atravessar…

a rua que o medeia

… já parou! Sem percalço. Os colegas do outro lado a verem a sua chegada, como não caiu, nem foi atropelado, perdeu a graça… ninguém ligou mais ao assunto, nem quiseram saber se a Contínua o levaria ao CD. Ele já estava no sítio que queria, tinha partido de…

entre a escola e o cabaz

… e o sabor, qual seria o chupa preferido no momento, a escolher, sim, qual seria o cabaz…

dos “chupas” que, enfim, são,

as delicias de um rapaz!

 

 

VM

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

 

A melhor cabidela de galo do “planeta”

 

 

            Nem todos gostam. Nem todos a sabem fazer e ainda nem todos conseguem finalizar uma iguaria como esta. Também nem todos se dão ao trabalho de se deslocarem, ao “sítio”, para a apreciar. Bom, não se consegue muitas vezes uma excelente companhia para celebrar um acto gastronómico. Nem todos compartilham a iguaria com quem a fez. Pois é. Na simplicidade, um hino ao paladar foi entoado.  Reparemos na cor do dito manjar…


            Trata-se de uma cabidela? É, sim senhor! De galo. Foi, um certo dia, em Santana da Serra, Ourique, mais exactamente em Rio Torto, Monte da Ribeira. Aconteceu no restaurante do senhor João. Homem já “ido”, mas com um espírito jovem invulgar.





 

A mesa da esplanada...

Pois tudo correu de acordo com as previsões do mestre cozinheiro, de seu nome, Joaquim. Este era sempre convidado para confeccionar “pratos especiais”, nos mais variados locais. Porquê? Bom, quem comeu as iguarias confeccionadas por ele é que sabe… e lembra. Já não o largava mais. Aí está ele ao centro na foto a seguir:




            O bom humor do Senhor Joaquim estava sempre a funcionar. Basta verificar o riso aberto do casal que o ladeia. A Amélia e o João.

Mais foram os convivas…




 

            Esta confecção tem que ser lembrada. Não porque se lhes prometeu. Simplesmente lembrar que existem pratos cujas confecções nunca vão ser esquecidas...




            No final, com todos a sorrirem, do manjar,  o abençoado melão apareceu, com origem, ali bem perto,de Ourique…

            Valeu por tudo. As pessoas deste país sabem que dentro deste rectângulo, existem “coisas” que nenhum país tem para nos dar. Pois a nossa viagem ao Monte da Ribeira, foi do melhor que a gastronomia nos reservou. Não conheço o meu país como devia. Só quando o conhecer, é que sairei com interesse em conhecer outros lugares, mas sem guias, sem horas marcadas, sem hotéis marcados. Faço sempre o mesmo por cá. Simplesmente vou, apareço e desfruto de inéditos, quer na arquitectura, cultura social, gastronómica… estudo e visito tudo o que os lugares têm para oferecer. Ah, gosto mesmo do meu país.

VM




domingo, 25 de janeiro de 2026

 

SOCIALISMO LIBERAL


 

            Dei comigo a reler John Stuart Mill para tirar umas dúvidas sobre o liberalismo social. Foi este brilhante filósofo e economista inglês, um dos defensores do liberalismo social e político. Como não sou da “área”, tenho que estudar muito, para entender e poder falar minimamente, sobre a evolução que estas ideias tiveram para o socialismo liberal.

            O ser humano, teve e tem que trabalhar, para ajudar a economia do seu povo e garantir os seus meios de subsistência com dignidade. Sendo a base económica de um povo, tem numa organização decorrente desse acto, a ajuda sistematizada dos serviços de saúde, a educação/formação, para continuar a ser útil à sociedade onde se insere e poder assim realizar os seus desejos, ter um serviço de justiça que lhe garanta que, litígios, aspirações, os seus bens, sejam salvaguardados e que o seu intelecto e espírito, tenham alimento, num serviço cultural que abranja todos os protagonistas do processo económico.

            Ser um socialista liberal é protagonizar os ideais socialistas, igualdade e justiça social, e combiná-los com os princípios liberais, seja, a liberdade individual, a democracia e a criação de um estado social que não deixe para trás nenhum dos protagonistas da economia do povo.

            Na economia mundial, falemos da Europa, agora, quer-se praticar uma ideologia, o ultraliberalismo, a designada direita não democrática. Aqui, o estado social separa-se, não é concebido, cria nuances disfarçadas de interesse nessa criação, mas distribui, o que seria para o bem-estar social, os montantes provenientes do trabalho, com os investidores que mais não pretendem que separarem-se, cada vez mais, de quem lhes retire a acumulação de riqueza, em detrimento do povo que luta para manter e aumentar a economia do seu povo. Com um sistema destes, estamos perto de o estabelecer no nosso país, toda a acção de protesto será calada com umas “pequenas ajudas ao povo”, mas só para que não interrompam o processo produtivo.  Quem retira o que nem por esmola deve ser dado ao povo quando lhe cabe por justiça? Governos com políticas preparadas para ludibriar o trabalhador; Donos de empresas que distribuem os lucros a investidores gananciosos, nunca os distribuindo, parte, pelos trabalhadores; Cidadãos que fogem aos impostos que são devidos ao estado, que os faria distribuir pelas várias áreas que carecem deles, e que beneficiariam o povo.

            A economia, no socialismo liberal, (protagonizado pelos pensadores Eduard Bernestein e Karl Kautsky) é mista, seja: Ter mercado livre com apoio estatal, para que a livre iniciativa prospere, ter propriedade privada e os bens sociais que advêm daí, isto, através de uma forte e cuidada atenção governamental, garantindo assim que todos os intervenientes são livres. Nunca sufocar o mercado, ou tentar acabar com o capitalismo, sim, conciliar a liberdade com o bem-estar social e regular os mercados para que os monopólios não existam. Tudo isto está patente na doutrina socialista liberal e a social democrata pois são similares, na primeira, mais privilégio ao sector social, na segunda o privilégio da economia e que podemos, por serem idênticas ideologicamente, continuar a manter. Sabemos que por vezes os eleitos, dentro deste espectro politico, são rotulados de estarem mais à esquerda ou mais à direita da ideologia do partido. Por isso é que o povo, nas eleições, vai mudando para uma ou outra actuação politico/social, porque viu que os incentivos à economia não são os que deviam ser para que a economia avance ou noutro sentido, porque está descurado o bem-estar social, saúde, educação… justiça.

            Temos avançado socialmente, não como deveria ser? Sim, mas lembremos as competências pessoais dos candidatos aos lugares de primeiro ministro e subsequentes ministros nas várias áreas de governação. Temos que analisar, ponderar e escolher bem o currículo de cada um. Sobretudo pagar muito melhor a quem entra nesses lugares e deixar de enxovalhar o seu nome e a família de cada um deles… Ora, se eu sou competente com provas dadas no mercado e na sociedade, aufiro 10000 ou mais euros por mês, vou meter-me num governo a ganhar 4000 e ser, mais cedo ou mais tarde, enxovalhado? Não!

            O socialismo liberal e a social democracia (PS/PSD) respondem, sempre, melhor ao processo liberal, onde a liberdade, o mercado e a democracia, estão presentes permanentemente em qualquer acto que seja o percursor do desenvolvimento do povo, sendo qualquer desses actos o melhor de uma sociedade mais justa, nunca recorrendo a chavões de corrupção, de caos, pois esses chavões são para os totalitaristas que se apoiam no ultraliberalismo para aumentar o capital ao capitalismo em detrimento do bem estar social e estão suportados por uma excelente equipa de… capitalismo não declarado?

Esta análise é objecto de estudo apurado, não uma fantasia de novidade, própria de quem pretende um progenitor que lhe dê directamente o tal dinheiro da corrupção que proclama, o carro topo de gama, a casa, o primeiro lugar nas consultas, nas salas de operação, os diplomas sem esforço, se calhar, nas torneiras em casa, a separação do branco e do tinto, tudo directamente para os bolsos ou para as suas vidas… que ouço e vejo eu…

            Vamos usar a IA para criar riqueza no país, não para parodiar os intervenientes na política? Vamos pensar nestas eleições?

 

VM

  CONTRIBUTO PARA UM EXORCISMO    Este texto não é produzido por nenhum sistema de IA. Foi elaborado com base no humano pensamento, ...