segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

 

A melhor cabidela de galo do “planeta”

 

 

            Nem todos gostam. Nem todos a sabem fazer e ainda nem todos conseguem finalizar uma iguaria como esta. Também nem todos se dão ao trabalho de se deslocarem, ao “sítio”, para a apreciar. Bom, não se consegue muitas vezes uma excelente companhia para celebrar um acto gastronómico. Nem todos compartilham a iguaria com quem a fez. Pois é. Na simplicidade, um hino ao paladar foi entoado.  Reparemos na cor do dito manjar…


            Trata-se de uma cabidela? É, sim senhor! De galo. Foi, um certo dia, em Santana da Serra, Ourique, mais exactamente em Rio Torto, Monte da Ribeira. Aconteceu no restaurante do senhor João. Homem já “ido”, mas com um espírito jovem invulgar.





 

A mesa da esplanada...

Pois tudo correu de acordo com as previsões do mestre cozinheiro, de seu nome, Joaquim. Este era sempre convidado para confeccionar “pratos especiais”, nos mais variados locais. Porquê? Bom, quem comeu as iguarias confeccionadas por ele é que sabe… e lembra. Já não o largava mais. Aí está ele ao centro na foto a seguir:




            O bom humor do Senhor Joaquim estava sempre a funcionar. Basta verificar o riso aberto do casal que o ladeia. A Amélia e o João.

Mais foram os convivas…




 

            Esta confecção tem que ser lembrada. Não porque se lhes prometeu. Simplesmente lembrar que existem pratos cujas confecções nunca vão ser esquecidas...




            No final, com todos a sorrirem, do manjar,  o abençoado melão apareceu, com origem, ali bem perto,de Ourique…

            Valeu por tudo. As pessoas deste país sabem que dentro deste rectângulo, existem “coisas” que nenhum país tem para nos dar. Pois a nossa viagem ao Monte da Ribeira, foi do melhor que a gastronomia nos reservou. Não conheço o meu país como devia. Só quando o conhecer, é que sairei com interesse em conhecer outros lugares, mas sem guias, sem horas marcadas, sem hotéis marcados. Faço sempre o mesmo por cá. Simplesmente vou, apareço e desfruto de inéditos, quer na arquitectura, cultura social, gastronómica… estudo e visito tudo o que os lugares têm para oferecer. Ah, gosto mesmo do meu país.

VM




domingo, 25 de janeiro de 2026

 

SOCIALISMO LIBERAL


 

            Dei comigo a reler John Stuart Mill para tirar umas dúvidas sobre o liberalismo social. Foi este brilhante filósofo e economista inglês, um dos defensores do liberalismo social e político. Como não sou da “área”, tenho que estudar muito, para entender e poder falar minimamente, sobre a evolução que estas ideias tiveram para o socialismo liberal.

            O ser humano, teve e tem que trabalhar, para ajudar a economia do seu povo e garantir os seus meios de subsistência com dignidade. Sendo a base económica de um povo, tem numa organização decorrente desse acto, a ajuda sistematizada dos serviços de saúde, a educação/formação, para continuar a ser útil à sociedade onde se insere e poder assim realizar os seus desejos, ter um serviço de justiça que lhe garanta que, litígios, aspirações, os seus bens, sejam salvaguardados e que o seu intelecto e espírito, tenham alimento, num serviço cultural que abranja todos os protagonistas do processo económico.

            Ser um socialista liberal é protagonizar os ideais socialistas, igualdade e justiça social, e combiná-los com os princípios liberais, seja, a liberdade individual, a democracia e a criação de um estado social que não deixe para trás nenhum dos protagonistas da economia do povo.

            Na economia mundial, falemos da Europa, agora, quer-se praticar uma ideologia, o ultraliberalismo, a designada direita não democrática. Aqui, o estado social separa-se, não é concebido, cria nuances disfarçadas de interesse nessa criação, mas distribui, o que seria para o bem-estar social, os montantes provenientes do trabalho, com os investidores que mais não pretendem que separarem-se, cada vez mais, de quem lhes retire a acumulação de riqueza, em detrimento do povo que luta para manter e aumentar a economia do seu povo. Com um sistema destes, estamos perto de o estabelecer no nosso país, toda a acção de protesto será calada com umas “pequenas ajudas ao povo”, mas só para que não interrompam o processo produtivo.  Quem retira o que nem por esmola deve ser dado ao povo quando lhe cabe por justiça? Governos com políticas preparadas para ludibriar o trabalhador; Donos de empresas que distribuem os lucros a investidores gananciosos, nunca os distribuindo, parte, pelos trabalhadores; Cidadãos que fogem aos impostos que são devidos ao estado, que os faria distribuir pelas várias áreas que carecem deles, e que beneficiariam o povo.

            A economia, no socialismo liberal, (protagonizado pelos pensadores Eduard Bernestein e Karl Kautsky) é mista, seja: Ter mercado livre com apoio estatal, para que a livre iniciativa prospere, ter propriedade privada e os bens sociais que advêm daí, isto, através de uma forte e cuidada atenção governamental, garantindo assim que todos os intervenientes são livres. Nunca sufocar o mercado, ou tentar acabar com o capitalismo, sim, conciliar a liberdade com o bem-estar social e regular os mercados para que os monopólios não existam. Tudo isto está patente na doutrina socialista liberal e a social democrata pois são similares, na primeira, mais privilégio ao sector social, na segunda o privilégio da economia e que podemos, por serem idênticas ideologicamente, continuar a manter. Sabemos que por vezes os eleitos, dentro deste espectro politico, são rotulados de estarem mais à esquerda ou mais à direita da ideologia do partido. Por isso é que o povo, nas eleições, vai mudando para uma ou outra actuação politico/social, porque viu que os incentivos à economia não são os que deviam ser para que a economia avance ou noutro sentido, porque está descurado o bem-estar social, saúde, educação… justiça.

            Temos avançado socialmente, não como deveria ser? Sim, mas lembremos as competências pessoais dos candidatos aos lugares de primeiro ministro e subsequentes ministros nas várias áreas de governação. Temos que analisar, ponderar e escolher bem o currículo de cada um. Sobretudo pagar muito melhor a quem entra nesses lugares e deixar de enxovalhar o seu nome e a família de cada um deles… Ora, se eu sou competente com provas dadas no mercado e na sociedade, aufiro 10000 ou mais euros por mês, vou meter-me num governo a ganhar 4000 e ser, mais cedo ou mais tarde, enxovalhado? Não!

            O socialismo liberal e a social democracia (PS/PSD) respondem, sempre, melhor ao processo liberal, onde a liberdade, o mercado e a democracia, estão presentes permanentemente em qualquer acto que seja o percursor do desenvolvimento do povo, sendo qualquer desses actos o melhor de uma sociedade mais justa, nunca recorrendo a chavões de corrupção, de caos, pois esses chavões são para os totalitaristas que se apoiam no ultraliberalismo para aumentar o capital ao capitalismo em detrimento do bem estar social e estão suportados por uma excelente equipa de… capitalismo não declarado?

Esta análise é objecto de estudo apurado, não uma fantasia de novidade, própria de quem pretende um progenitor que lhe dê directamente o tal dinheiro da corrupção que proclama, o carro topo de gama, a casa, o primeiro lugar nas consultas, nas salas de operação, os diplomas sem esforço, se calhar, nas torneiras em casa, a separação do branco e do tinto, tudo directamente para os bolsos ou para as suas vidas… que ouço e vejo eu…

            Vamos usar a IA para criar riqueza no país, não para parodiar os intervenientes na política? Vamos pensar nestas eleições?

 

VM

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

 

CARTA ABERTA AOS YANKEES

(QUE NUNCA LÊEM NADA)


 

A ideologia-base da facção republicana nos EUA é focalizada na manutenção de

valores sociais, num mercado que se autorregula pela intervenção da lei da oferta e da

procura, apoiando a livre iniciativa, com redução da burocracia. Defende, por isso, a

intervenção governamental numa economia, mínima, com gastos reduzidos, uma

diminuição nos impostos e o apoio dos valores tradicionais, dando preponderância à

liberdade e à responsabilidade individual.

Em questões de cultura, é apoiada com uma boa participação estatal, mas sempre

com o travão financeiro, por forma a não sobrecarregar E estado com muitos programas

sociais.

Em questões de segurança nacional, como se sabe, levam-na à “letra” e, como se

observa agora, de uma forma exageradamente exibicionista, mostrando uma força que

ultrapassa leis e acordos internacionais, desonrando a palavra dada, em vários acordos.

A ideologia democrata está mais consentânea com uma perspectiva progressista

no sentido de uma esquerda política: defende maior interferência estatal na economia e

nos processos dos movimentos sociais, por exemplo, o anti racismo.

Usa-se a designação ‘liberal’(do inglês) para definir a sua ideologia, que não é,

no entanto, liberal no sentido do liberalismo clássico britânico, mas sim no sentido da

esquerda progressista, inclinada a políticas de acções concretas, de assistencialismo

social.

Assim, o Partido Democrata adoptou um caminho mais progressista, dirigido à

classe operária e às políticas assistencialistas e trabalhistas. Esta foi a ideia, após a

Grande Depressão (1929-1933), do presidente Roosevelt. A sua ideologia é apologista

da existência de um salário mínimo e de os impostos serem mais altos para quem tem

rendimentos mais elevados, tornando-se solidário com um estado social. Defende-se

uma regulamentação necessária sobre o consumo, para que exista protecção aos

consumidores. Preconiza também, a ideologia democrata, o direito a uma saúde para

todos os cidadãos.

Tudo isto está escrito e é posto em prática pelos seguidores partidários, que

querem manter a dignidade dos seus partidos, elevando o nível de vida dos cidadãos e,

assim, o seu bem-estar.

 

Quiseram e foram construindo os sucessivos governos, um por um, na medida

dos seus sonhos para os yankees (alcunha inicialmente pejorativa e que deixou de o ser),

um futuro sempre mais risonho para o país. Uns governantes ‘puxaram’ pela economia,

outros dedicaram mais os seus esforços ao povo, promovendo a educação e a saúde para

todos.

Mas…

– quando surge um governante que destrói os valores construídos ao longo de

muitos e muitos anos, pelos anteriores governos e por governos de outros países;

– quando surge um governante que destrói acordos firmados pelo seu povo com

outros que os fizeram de boa fé, desonrando a palavra dada;

– quando surge um governante que, não dando incentivos, no seu país, à

produtividade e “vive” de “roubar” o trabalho de outros povos, nas suas margens de

lucro nas produções, arvorando-se no direito de um usurário;

– quando surge um governante que ultrapassa o Estado de Direito Internacional

e age pela força, por forma a destruir valores de outros países, sem entrar na mesa das

negociações sequer com os seus aliados…

… esse governante está a actuar com sangue inocente nas mãos!...

Assim vemos Israel, a Rússia, a América… Governantes autorizados (pelo povo

que os elegeu?) a destruir os valores mundiais.

Great again? Não! Só se é grande como povo, quando se honram os valores e

os compromissos assumidos e se olha para os nossos vizinhos, no mundo, como iguais!

 

VM


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

 

SER… CONSTITUCIONAL…

 

 

            Governar um país? Por que processo? Reside na forma como se administra o estado e como se exerce o poder, tomando a origem do poder do presidente: na república, por eleição, por herança, na monarquia.

            O conceito de “res publica”, do latim, “coisa pública”, levou alguns povos a não pretenderem mais a sucessão, como condução da administração pública, e nas monarquias absolutistas, o pleno direito de organizar o país simultaneamente com o exercício do poder, mas sim, à implantação de um regime republicano, eleição pelo povo, como o nosso.

            Algumas monarquias modernas, passaram ao sistema constitucionalista. O rei acaba por ter um valor simbólico, representando, como o presidente da república em regime semipresidencialista, o país.

Numa monarquia absolutista, o monarca concentra todos os poderes do Estado, enquanto numa monarquia constitucional, o rei reina, mas não governa, pois há uma constituição que lhe limita os poderes e um parlamento que assume decisões políticas. É o caso do Reino Unido, Espanha, Japão, Canadá, Austrália.

Numa república presidencialista, o presidente acumula as funções de chefe de Estado e chefe de governo e o poder Executivo é independente do poder Legislativo. Países como Brasil, EUA, Argentina, México, Chile, Uruguai e Colômbia possuem esse tipo de governo.

Numa república parlamentarista, o chefe de Estado é o presidente, mas com funções mais simbólicas. O chefe do governo é o primeiro-ministro, escolhido pelo Parlamento e responsável por conduzir as políticas do país. São exemplos a Alemanha, Itália, Índia e Grécia.

República semipresidencialista: o país tem um presidente, eleito pelo povo, com funções políticas e diplomáticas, e um primeiro-ministro que é eleito pelo povo, mas com indicação do Parlamento, este “vigia” o governo na sua acção governativa.

            No interior de cada regime, cabe aos cidadãos, zelarem e estarem atentos ao processo governativo e ao procedimento legislativo. Nada pior para um cidadão, que “chorar sobre o leite derramado”, ou, assumindo uma atitude de reparação, como exemplo, em eleições, ter depois uma postura de guardador das “trancas que colocou na porta, por ter sido a casa roubada” e acabar por cometer outros erros… mais graves até…

            Num regime monárquico, parlamentarista, o rei é, além de outros valores, o “detentor” da identidade do povo que lhe foi transmitida e que cultiva.     Num regime republicano, presidencialista, semipresidencialista, ou outro, a identidade do povo não é “incorporada” no, e pelo presidente. Um cargo de 5 anos não lhe dá essa “responsabilidade”, nem os presidentes a assumem. É somente referida em discursos, como facto histórico, mas brandida como “lei” pêlos populistas.

            No regime republicano, o presidente pode dar origem a uma ”perversão” por possuir uma magistratura de influência, ao provir de um partido, enquanto que na monarquia o rei é completamente apartidário, pois tem o conceito de país e a sua governação, como um todo, independente das ideias partidárias.

            Estamos com um país a confinar-se em Lisboa e no Porto, restando ao resto do país o deserto físico, social, politico, porque a “quantidade de votos” em eleições, não justifica intervenções em qualquer área. Atrevem-se ideias nos populistas que as gritam aos quatro ventos dizendo: agora é que é, vamos dar dinheiro a esmo às populações porque este país é só corrupção… que ouvimos nós… Entretanto dado o “interesse” da governação só em Lisboa e Porto, não seria interessante entregar ao senhor Trump o país, dado que ele anda “às compras”, ficando Lisboa e Porto para nós, mas com o estatuto de Protectorado?

            Dá que pensar este governar o país, e em que termos… Porque é que não criamos uma universidade para preparar governantes como se processa nos sucessores dos tronos?

VM

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

 

ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

Este texto não é produzido por

nenhum sistema de IA. Foi elaborado

com base no humano pensamento,

 e conhecimentos do autor.

 

            Vejo debates transmitidos a partir do Palácio de São Bento, e claro, ouço o que se diz. Também possuo um relato escrito de quando se dizia:

            - “Vª Exª excedeu-se na sua explanação e posicionamento, verificou-se claramente, que o plausível acto, decidido pelo seu governo, na ordem dada ao ministro das finanças, que alude, afinal, não é um meritório aplauso, trata-se sim, de uma mansa quietude, interprete actuação, porque ambos, são provenientes das estufas  dos políticos que são escravos dos desígnios titulados pelo chefe do governo de Vossa Excelência.”

            Vejo, ouço, o que se passou a dizer na mesma casa, nestes tempos “modernos”:

            - O senhor… oiça… não me interrompa… oiça bem o que lhe digo… Senhor presidente, assim não é possível responder ao deputado… espero que o senhor presidente tenha em conta o tempo destas interrupções e compense o tempo que tenho disponível… ó senhor deputado, não está ao corrente… pois é isso… o senhor não sabe mesmo nada, o que afirmou é pura mentira. O senhor vem para aqui mentir… traz a letra toda, mas a música que quer dar, não serve para ninguém dançar. Não sei ainda o que o senhor faz nessa bancada. Estude primeiro, não venha desinformar… oiça, não adianta atropelar as pessoas gritando mais alto… assim não conseguimos dialogar… senhor presidente, assim não é possível ter um diálogo correcto…

            - Senhores deputados, por favor, um pouco de decoro linguístico, mais ética por favor. O local onde os senhores estão, não é um Clube Recreativo. Por favor, contensão.

            Na democracia representativa, escolhemos os nossos representantes para decidirem e darem soluções aos nossos problemas; escolhidos em três ocasiões fundamentais, como sabemos: Eleições de um presidente para o país, caso presente, eleições de deputados para legislarem sobre: organização do funcionamento do país, que sejam soluções para os problemas pontuais criadas pelas leis aprovadas, criarem legislação para que o país progrida: económica e financeiramente, socialmente, de modo a que todos os cidadãos tenham um nível de bem-estar, igual ou sempre perto disso, entre todos. Para que isso aconteça, e seja aplicada nos vários locais, onde existe população, elegemos pessoas entre os cidadãos, para dirigirem as cidades, as vilas, as aldeias, os lugares, criámos então, as eleições autárquicas.

            Na casa onde o povo tem os seus representantes, a democracia que se deseja, devia estar assente em princípios onde tem que estar presente a realidade das coisas, do dia-a-dia dos cidadãos, e a das ideias concretizáveis para levar o “sonho” de uma sociedade mais rica e mais igual entre todos, num movimento contínuo. Para que esta, digamos, “metafísica”, se realize e desenvolva, na casa onde se trata a democracia, o poder que lá se pretende, não pode estar baseado nos caprichos, ou “demandas que são dadas” a alguns “senhores com assento na casa”, sim, em princípios, fundamentos, que os superem nos seus ditames e explique a todos, a necessidade de retirar ou transformar esses indivíduos, não no que gostam de ser e até nos dizem serem a fonte da verdade, mas sim no canal fundamental ao transporte do que é verdadeiro e necessário ao povo, o que lhe é devido para a sua existência digna, no espaço e tempo acordado entre todos os que foram eleitos.

            Não devemos ter em conta o “sonho” que os eleitos possuem, porque ele não foi divulgado ao povo, por nenhum dos que se propuseram aos cargos. É que esse “sonho”, nunca tem em conta a realidade do nosso necessário. É um sonho pessoal que tem como pretensão transforma-lo em realidade, para que o seu detentor leve a cabo os seus projectos pessoais, ou de outrém. E para os demais? Nunca vimos ou soubemos, de alguém que se digne a estar com atenção à realização dos sonhos dos demais, quanto muito, e por amabilidade, “ouve, em sonolência”, a necessidade de realização dos “sonhos” dos outros.

            Os representantes, os nossos, os do povo, dizem-nos que nos amam que só estão na politica porque nos querem servir, porque combaterão por nós sempre que necessário. O que notámos até agora, nós povo? Que somos simplesmente um meio para que o “sonho” dos que nos amam, se concretize.   Em abono da verdade, interessam-nos outros interventores políticos, com ideias mais consentâneas com os tempos actuais, dentro do quadrante clássico, os que sempre, debaixo da democracia por eles assegurada, levaram o país para o desenvolvimento, sem aventuras cujo respaldo está na incompetência, navegando à vista sem soluções, sim, pasto de poderes instalados que estão a espreitar estas lacunas para lançarem as suas pretensões sobre os imaturos sociopolíticos eleitos.

            Será que os políticos arregimentados no Palácio de São Bento, para estas eleições presidenciais, lançaram candidatos próprios, quanto a nós, sem terem em conta o interesse do povo, para que, alguém, (sou eu a pensar) que por acaso venha fora dos partidos, não “penetre” no “estabelecido tácito político? A dispersão de votos interessa a quem? Se atendermos a que o povo seja “seguidista partidário” e… Servem quem, essas votações? Esta atitude corporativa, vai dispersar votos para que o candidato, extrapartidário, não entre? Era o cúmulo desse monopólio corporativo partidário! Bom, também era um “abre olhos” para o povo que quer democracia limpa... Seria? Mas, será que todos os candidatos possuem o perfil necessário, sim, necessário, aos tempos imediatos que se nos afiguram pela frente? Vamos pensar nisto? Ou vamos ouvir aquele influenciador que nos diz que o melhor insecticida é o que mata insectos voadores… nunca refere que não mata os “rastejantes”?

VM

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

 

NA LUSITÂNIA

 

            Fui andando pelos galhos da vida e notei, nos ares que me traziam a voz do vulgo, que a vidinha corria bem. Cada um no seu galho, cada um a dizer mal do bem que possuía, cada um a preparar o edital do protesto sobre o porquê do absurdo. (Os cartazes eram multicoloridos). Vida sossegada, normal, fui pensando sobre o que via e que já nem ouço.

            Acerquei-me de um domiciliado, numa mesa ao lado, que em empolgamento transmitia a um outro, as doces venturas de uma viagem que fez por paragens do “lá é que é”, onde o dinheiro de cá é suficiente para viver aquele momento, , e é onde tudo nos faz vibrar… O dinheiro gasto , não dá para viver .

Estavam sentados num local onde normalmente se fala uma oitava acima, graças a um liquido que provou lubrificar as vãs palavras, sitio onde se mete no bolso o “memorando”, antes do liquido lubrificante, e que é quase sempre visitado por seres praticamente “mudos” à entrada…

Reparei que o outro interlocutor lhe disse que tinha visto a passagem dele e da família pelo , no “outdoor da família” e que até tinha feito um: “está porreiro, pá” com o “memorando” próprio, o tal instrumento que sabemos, trava a língua.

Ao sair da mesa para a rua, assisti a um desaguisado entre um piloto de uma arma de assalto, (vulgo automóvel), com um congénere. Entendia a razão dos dois, nada sobre o que tinha acabado de acontecer, mesmo sabendo tudo, e já quase em “vias de facto”. Entretanto, resolvendo o caso com civilidade, anularem-se, e deram a uma entidade que por eles cuida (seguro), a resolução da incapacidade dos maquinistas. Esta saída, hoje, dos seus galhos, de forma irresponsável… deviam não ter saído do galho, mas essa atitude, para castigo de todos nós, fez com que saiam penalizados futuramente. Ora, que interessa isso agora e sempre? A sua vida é feita de grandes nadas, sempre a acontecerem. Passam-lhes ao lado grandes “tudos”, os que não entendem nunca, mas dizem aos neurónios activos que a vida tem que ser vivida, porque a dita, dura só três dias e um já passou…

Deambulei para outra realidade, dentro da mesma, para ver se a vida continuava em modo normal, não é que estava? Fora, é claro, os desajustes maioritários. Descobri, junto a uma esquina deste perscrutar, que um jovem conversava com outro com um “memorando” na mão. De vez em quando encostavam-se um ao outro e olhavam o memorando de um, falavam… engraçado, falavam mesmo. Tenho esta observação, porque constatei que os memorandos calam a boca aos seres humanos. Frases curtas, mas aqui, falavam. Depois trocavam de posição, era o outro que mostrava o seu memorando e falavam, rindo. Riam mesmo. Ora… não falavam em modo de diálogo para conseguir sorrir ou rir, não, mostravam o memorando um ao outro. Isso é que era mostrar. Falar, ao que parece, custa imenso, com o memorando na mão. Acabei por dar conta, afinal, que as palavras que se dirigiam, eram exíguas, para mim, não sendo um verdadeiro diálogo, só podia ser em código, ah, e dá para rir. Estes códigos foram levando até à I.A. Despediram-se, foi cada um para seu lado, onde cada um, seguia aos… quase, tropeções porque não olhavam para o chão…. O memorando danifica os pisos das ruas ao que me parece…

Mais lá para a frente, reparei num cidadão que saía de um “mercadinho” com um saco de compras numa mão e um talão na outra… parava de vez em quando… resmungava… ia com o sobrolho franzido. Seria porque foi penalizado por ter saído para um mercado fora do seu “galho”? Ou é mesmo assim? Já duvido de tudo. Quer queiramos ou não, a verdade é que temos sempre que sair do nosso galho… Se calhar anda furioso porque não ganha dinheiro suficiente para conseguir ir ao… “”? Ao tal . Está muito carrancudo. Parece que o cidadão está a sair da normalidade da vida e por isso, por raiva de não ter, ou procurar ter (dá trabalho), está a fazer parte do grupo que tudo contesta e que nada vê a não ser… uma “contestação pequenina”? Não lhe vi nenhum cartaz na mão… só um talão. Será que era, afinal, um minúsculo cartaz e não me apercebi? Ah, esta minha miopia…

Vi mais adiante uns cidadãos sentados, estranho…, mas, por onde é que eu entrei? Estão fardados, levantavam-se, saúdam-se militarmente, olham uns écrans terríveis, com labaredas a decorrerem nas telas, de seguida falam nuns memorandos pessoais, sentam-se, levantam-se, saúdam-se militarmente, falam para uns microfones em frente a umas máquinas… sentam-se, levantam-se, saúdam-se militarmente, falam nos memorandos pessoais… repetem-se, repetem-se. Saí dali rapidamente, este não é um galho que conheça, tudo é muito mecanizado para que eu consiga perceber o que se está a passar. Serão chefes? Pois, os chefes não são mesmo, gente do meu galho!

Já tive outro galho. De lá via um sonho, via… pressentia-o, porquê? Porque todos em redor eram todos e cada um, ninguém se atropelava. Todos andavam de galho em galho, na vida… Sempre pensei e quis que fosse assim. Era esse o sítio, tinha o sabor da manga acabado de colher, tinha o aroma do café acabado de torrar, tinha o sabor de um pirão molhado em óleo de dem-dem… tinha um mamoeiro no pátio a sorrir-me em dádiva. Tinha o sorriso da árida e pródiga terra que cheirava diferente quando chovia. Tinha a certeza… certeza? Mas tinha por garantia dos idos 500, que o pouco que viesse era tudo mais que aqui neste galho, muito mais…

Logo apareceu uma outra parte do meu sonho que sempre me pareceu irrealizável, mas que se tornou realidade. Com essa parte do sonho, acordei 25 vezes, com muita satisfação, e a respirar uma liberdade diferente, com essa parte do sonho a concretizar-se, afinal, completando o sonho original, o seu todo. Pensei que a natureza tinha compensado todo o meu mundo neste meu novo galho, e compensou no meu espirito e que agora… deambula de local para local… sem conseguir sair do galho, só em pequenas escapadelas, como agora, só para ver se estou, ou não, a perder o sonho.

Outro galho, onde não faço a mínima ideia como consegui ouvir uma discussão entre vários, parecem-me cidadãos… Ouve-se: “Eu fiz, quando estive lá… (este lá não é o tal “lá”, pareceu-me..) Os outros, quase ao mesmo tempo diziam a sorrir: “Nunca fez nada disso, para que é que afirma que fez?” Um quer falar, outro interrompe-o, e mais um e mais outro… mas não me parece ter entrado numa feira? Estão todos de fato, ao lado uns dos outros a falarem para um dispositivo que vai “andando”, ora apontando para a cara de um, ora para a de outro. Não reconheço este lugar onde não se dialoga, só existe ruído e incompreensão… Pareceu-me um lugar onde todos querem o que não sabem querer…

Ah, e então? Agora, neste outro sitio da vida, conformadamente normal, vi uma quantidade de normais a discutirem sobre a vida, tudo em alta voz, por isso mesmo, cada um mais normal que o outro. Denunciavam ser tudo obliquo, tudo era mau. Um dizia que pagava ao banco 800 euros para ir abatendo no montante da hipoteca da casa. Falava que ia alugar a dispensa lá de casa, onde meteria uma cama, nada mais por aí cabia. Informava que ia alugar a quem necessitasse de cama, talvez estudantes… por 800 euros… Dentro do que é a calma normal, a minha, não gostei do que ouvi! Pela primeira vez não gostei, mesmo nas barbas do meu galho! Isto não se diz, não se pensa, nem se executa! Intrometi-me e dei a minha opinião sobre o que de bom tínhamos no “”, que tudo à volta da nossa vida, merecia brados de aleluia. Ninguém em parte nenhuma tem o bem e o bom que nós possuímos.

Disse que não tínhamos necessidade de viajar para “” porque, quase todos os presentes, nem conheciam o “” como primeiro o deveriam conhecer antes de ir ao “”. Disse em voz alta para que todos ouvissem, que o “cá” era fabuloso, com mostras de vida única e até que o céu era mais azul, , que o sal das nossas águas é fabuloso, que os nossos manjares são únicos no “ e célebres no ”, que o verde da planície, das campinas, dos prados é verde, verde, verde, entusiasmei-me e disse que e que e que… não me deixaram acabar, viraram-se todos (penso que só alguns, outros estavam cabisbaixos) contra mim aos gritos, e em uníssono, disseram:

- “Cala-te “ó não sabes nada”! Que pensas saber, tu, das nossas vidas, politicas, negócios, desleixos e quejandos? Cala-te, porque ainda te queimamos esse teu verde e metemos tudo a negro como nas fotografias antigas!... Até te afogamos em água desperdiçada!”

Tive receio, saí muito depressa da companhia dos demais, afinal, e subi ao meu galho… ameaçaram? Ameaçam? Ai não que não foi, e é.  E não é que me estão a queimar o verde?… e todo o meu resto, afinal, arde-me mesmo tudo… ah, engraçado, sem a graça de outrora do meu velho galho, começo agora, e outra vez, a ver ao longe. Também sei que é sempre a mesma repetição, a eterna chegada dos cartazes… e os discursos zangados, como se todos devessem tudo uns aos outros e agora, no que consta, só a um. Estas tonitruantes atoardas são posteriormente vistas naquele galho onde se transmitem resumos do que se passou, nos tais écrans… Constato que esta vida, afinal, está, e assim nós o continuemos a permitir, progressivamente normal, de forma a que as contestações infundadas, passam a ser normalmente verdades.

Daqui, do meu galho, digo da minha observação de outras paragens, que com todas as desconsiderações, agora normais, feitas à democracia firmada nas instituições, por parte dos habitantes dos “galhos extremos da árvore”, e que referem comummente, “nós contra eles”, um desses galhos fala em “corrupção e nada se faz”, no outro extremado galho, fala-se na “exploração do povo pelo capital”. Temos que saber ver estas manobras por parte do pessoal esgalhado destes galhos… digo eu para fazer… pensar? Se calhar o melhor é ser anormal dentro desta normalidade? Mas afirmo por constatação: “Nesta Lusitânia, está a ser muito difícil ser-se macaco… nestes galhos já tão secos de esperança e atacados destes parasitas, ah, disseram-me que água e sabão pulverizado sobre o sistema parasitário… acaba com ele. Será?”.

VM

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

 

E AGORA MANUEL?

 

E agora Manuel?

Sim, e agora?

O que clamaste, dando-lhes tu razão,

aplaudindo quem te chegou ao “coração”.

Pois foi, aderiste sem demora,

comendo daquele “farnel”.

E agora Manuel?

Sim, e agora?

Eram os melhores do mundo,

prometeram tudo, mas não foste ao fundo.

E agora Manuel?

Sim, e agora?

Já te arrependeste, eu sei.

Já choraste, também sei,

até perguntaste lá, na sede,

afinal, o que faziam por ti.

A resposta, disseste: “Não a ouvi!

E agora Manuel?

Sim, e agora?

Zangaste-te comigo e não me falas,

não sei porquê, agora que tudo calas,

não será de mandar alma fora

o que te atormenta? Já agora…

E agora Manuel?

Sim, e agora?

Olha, não será que a culpa é nossa?

Não te disse que o “tal”, assim que possa,

fica igual a outros tantos

e não nos vale entrar em prantos,

é mais um que o país arrasa.

É que não fazemos o “trabalho de casa”,

na hora das eleições.

E agora Manuel?

Sim, e agora?

Tens a casa “pendurada”,

não consegues já pagá-la.

Pagas na farmácia mais,

e quando ao hospital vais

ninguém te atende na hora,

mandam-te, mas é embora,

que isto de estares doente,

não é quando tu o sentes,

mas sim sermos pacientes,

até ver o pré dos galenos

engrossar, e deixá-los mais serenos.

Lembras-te do Aníbal?

O de Mirandela? Esse.

O que nos disse, que afinal

não podia pagar, o que fosse,

dos estudos dos seus filhos. Tal e qual.

Pagava todos os impostos

para que outros estudassem.

O que havia de fazer?

O que tinha p’ra dizer?

E a sua vida? Só desgostos…

Toca a semear pastagens!

E o que de todos, nos impostos,

pagámos para os seus cursos?

E o país? Sem retorno! É ver os modos

com que nos fazem fazer figura d’ursos

na frente dos hospitais…

E muito, muito mais…

Vão embora do país…

E o caso do tribunal?

O que te deixou tanto mal,

prolongando-se ao infinito,

como ficaste aflito!

Lá saiu, mas, p’ra que serviu a sentença.

Tu e a tua bem-querença.

E o automóvel a crédito?

O do carro que precisavas,

com juros exorbitantes?

Lembra que até te tinha dito

que, nos que acreditavas,

ficavam iguais aos que já estavam!

Que te dizia eu? Quem disso

te lembrou? Porque te meteste nisso?

Mas, ir ver quem são, o que fizeram,

o que fazem no país, onde estiveram?

Disse-te: “Temos que fazer o trabalho de casa”,

Não o fizeste, nunca o fazemos…

Prometem-nos tudo p’ra nada termos.

E agora Manuel?

Sim, e agora?

Se nunca a riqueza se produziu,

Para quê confiar em quem prometeu,

que até pensa ser o maior “disto tudo”,

a perder ficas tu e fico eu,

a ver tudo pelo canudo

que “nesta rifa” saiu.

Sim senhor. Muito bem. E agora?

E agora Manuel?

Pagas tu… e pago eu!


VM

  A melhor cabidela de galo do “planeta”                 Nem todos gostam. Nem todos a sabem fazer e ainda nem todos conseguem finaliz...