sábado, 21 de fevereiro de 2026

 

SOLIDÃO, OU A CORAGEM DE ESTAR SÓ.

 

 

 

Um triunfo que se consegue sobre nós é a coragem de sermos sós. As correntes opinativas que rodam em volta desta atitude, não conseguem demover esta forma de estar, quando pessoal e de livre vontade. O nosso tempo de vida, considerando então que somos entardecidos, deu-nos já o suporte, o conhecimento necessário para o tempo, que nos resta de vida. Nada nem ninguém é de geração espontânea. Alcandorados no nosso saber, conseguimos assim uma cultura que por poucos é entendida, pois, é sempre muito pessoal e nunca divulgada...

            Ser solitário não é sinónimo de se estar doente psiquicamente. Ser só, é vencer males dolorosos que nos provocaram ter vencido a noite, e permanecer sempre a acompanhar, paralelamente, os dias, apreciando-os, comentando-os, nunca lhes permitir que passem sobre a nossa forma de estar. Apesar de termos uma opinião sobre o sermos úteis para a sociedade, ao estarmos por opção sós, também nem sempre o que entendemos que é útil, é verdadeiramente útil para todos, e o melhor, também não gerou o melhor para todos. Descobre-se que em alguma circunstância das nossas vidas, o que lhe foi benéfica, mais tarde, afinal, não o foi. Também o contrário foi verdade.

Examinem o que de vida passaram, notarão que nalguns destes passos, aconteceu uma igualdade ao que digo. Ora, o resto de vida em solidão, saudável, (muitos não entendem isso e outros até a “tratam”, repare-se …) não vai perdurar todo o tempo que resta ao mundo, nem nós o queríamos, até porque iriamos dar conta que desapareceriam, o conceito de útil e inútil, o prejudicial e o favorável. Para a circunstância social, queremos manter-nos úteis, sem pretender ser um elemento que desgaste recursos que outros acumulam ao nos mantermos em solidão. E quando esta, está em forma de doença?

Ser útil, deve ser um hino de continuidade ao saber adquirido, que se deve prosseguir quando se envereda por uma solidão voluntária, produzindo actos que melhorem o bem-estar dos que nos rodeiam e provam que estão atentos à nossa forma de estar e nós há deles.

O autoconhecimento é um mergulho ao nosso ser que nos dá um rumo para as nossas respostas ao que se nos depara. É o resultado de sermos voluntariamente sós, responsáveis em cada um dos nossos actos e possuir o deleite dos sentidos pelo extraordinário prazer da “nossa companhia”, não necessitando de uma qualquer validação externa.  É ter capacidade para gerir emoções de maneira equilibrada e ter a autonomia que a sua resiliência emocional lhe permite. Ser solitário, na coragem de ser só, é o acto em que se constata, efectivamente, que somos os herdeiros do planeta, mas, mas… igualmente os verdadeiros responsáveis pelo bem-estar de tudo quanto nos rodeia e vive ao nosso lado.

Mesmo na “forma saudável” de ter a coragem de estarmos “sós”, nunca ela nos libertará de vivermos… sós, a um passo da… demência.

 

VM

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