SER POBRE LINEARMENTE
Começo a perder a capacidade de seguir a linha
orientadora protagonizada em 25 de Abril de 1974. Fui ao meu bloco de notas,
abri-o, folheei, e na página do “25Abr”, começo por ler:
Os objectivos sociais definidos no
manifesto apresentado pelos capitães de Abril, incluem a criação de um regime
democrático, o fim da guerra colonial e promover a descolonização. Desenvolver a economia, o sector social e garantir direitos e liberdades.
Estes objectivos têm por orientação, democratizar o país e modernizar a sociedade através de políticas, que melhorem as
condições de vida de todos indiscriminadamente, e garantam o acesso à cultura,
por todos os cidadãos.
No desenvolvimento socioeconómico, anotei
que se falava no implemento de um modelo económico moderno e
dinâmico, ao serviço do país, que promovesse reformas sociais para combate à
pobreza e às desigualdades e assim garantir uma melhoria constante das
condições de vida dos cidadãos.
Resumidamente, a Revolução de Abril quis criar uma sociedade mais justa,
mais livre e igualitária. Criou o Serviço Nacional de Saúde, a Segurança Social
e um Sistema de Ensino Público Universal, tudo o que não era prática no regime
anterior, que foi, sim, de opressão e com desigualdades acentuadas, como
sabemos.
Passados 50 anos… leio num relatório, recente, que em
Portugal: “Cerca de 1,8 milhões de
pessoas vivem em risco de pobreza, o que corresponde a aproximadamente 18% da
população. Existem também desigualdades regionais significativas, com a taxa de
pobreza, mais elevada, nas regiões autónomas e mais baixa na Grande
Lisboa. A "intensidade da pobreza" aumentou em 2022, indicando
que os mais pobres estão a ficar ainda mais pobres.
Sabemos que a pobreza é uma tendência transmitida de
pais para filhos. Um jovem de 14 anos que cresce em pobreza, lemos nas
estatísticas, este jovem tem três vezes mais probabilidades de continuar a
viver em pobreza, ainda entre os 39-49 anos, isto em comparação com um jovem de
14 anos, com uma situação financeira favorável. Não é conversa de
“oposicionista da esquerda” ou “populismo da direita”. São estudos credíveis…
contrários às conversas de políticos…
O que é verdade, 1,8 milhões de portugueses vivem em
famílias com rendimento mensal inferior a 632 euros, onde mais de um quarto da população, em risco de pobreza, se
encontra “afogada” nas despesas da habitação, seja, a ganância do valor do
aluguer de habitação, por valores iguais à
incultura de quem pede esses montantes. Até os bancos vão aumentando o
empréstimo, subindo o que disponibilizam por metro quadrado, ao cidadão
comprador de casa. Afinal quantos, ou quais são os especuladores no mercado, oficializados,
ou não?
Vamos analisar os porquês deste desaire
dos sucessivos governos, que nos traçaram “um caminho destes”, para o “sucesso
financeiro” de ”muitos” alguns? Os políticos deram a ideia de que tudo fizeram,
para minorar e até anular, este problema sério que assola o nosso povo (50
anos), e dizem que até estamos melhor do que estávamos… anteriormente, há 50
anos? O problema tem a duração de 5 décadas e está a agravar-se. Teremos que
contratar técnicos estrangeiros, especialistas em economia, para os nossos
governos? Fazer-lhes um contracto (por 2 épocas?), para o caso de não
conseguirem motivar os portugueses a trabalharem e necessitarem de mais tempo
para “compor” as contas e reduzir a pobreza?
Não podemos, é claro, entrar por esta
vertente de contractos com estrangeiros. Mas era um ponto a pensar. Entretanto
ainda aparecia um mercado com “pontas de lança” a preços milionários,
“treinados” em Yalle ou Harvard. Não podíamos pagar. Quem nos acode? A Nova de
Lisboa? O ISCTE? O ISCAL? A UA? A UM? A UC? Afinal temos muitas faculdades de
Economia ou que a leccionam. E?...
Todos os ministros das finanças e
economia deram o melhor que sabiam… e? Resultados? Estive a ver se os números
clausus de entrada nas faculdades, têm alguma implicação com os cursos… Medicina:
18, 19…Finanças: 16, 15. Economia: 18… Qual é o resultado, no
final dos cursos? Só posso pensar, aqui somos livres para pensar, será que o
curso de Direito é que anda a estragar isto tudo?
A verdade é: “A economia, as finanças,
são complexas quando se trata de um país.” Já nos falaram assim, do alto das
cátedras de muitos e “competentíssimos” ministros. Será que é assim tão
complexo, que nem os ministros dão conta do recado? Será que a riqueza produzida,
no país, está só disponível para salários? De quem? Dos políticos? Dos médicos?
Dos técnicos dos serviços de Metrologia?
É linear e pouco ortodoxa esta forma de
referir o problema. Pois é… já nos disseram que a economia é complexa, que as
finanças são complexas. Tudo bem, ao fim de 50 anos, quando é que teremos,
então, um “nível de vida complexo e um salário também complexo”? Parece que…
não, afinal, o nível de vida que têm competência para nos dar, bem como os
salários, que são conseguidos de forma magistral, dizem-nos, são magnificamente
lineares. Ah, queria anunciar, não é mau gosto, é para informar os “técnicos do
complexo”, que os pobres já diminuíram, sim, dois foram atropelados,
mortalmente, numa linear passadeira… Será que andamos, nós os votantes, a fazer
o trabalho de casa? Todos passam, como querem, no nosso “crivo”?
VM
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