quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

 

COM O REI NA BARRIGA

 

Não é que eu tenha nada a ver, mas tendo tudo, no que diz respeito aos “efeitos colaterais, repiso sempre a ideia, mais que provada no “terreno”, que é nosso dever fazer sempre a leitura dos currículos dos candidatos a políticos, bem como saber o que têm produzido, ao longo da sua carreira, algo de positivo para as nossas sociedades. Brada aos ventos, o que os povos demissionários das suas responsabilidades, fazem, ou não fazem, para procurar “patronos” que lhes dêem um refrigerante e um hambúrguer dos grandes embrulhado na promessa, vem “certificada”, de grandes vencimentos e viagens “culturais” ao mundo.

Nós, por não fazermos o “trabalho de casa”… se “calhar” pode sair-nos na rifa um “Dono da Verdade” (DdV)?

O calcanhar de Aquiles dos egocêntricos é a sua fragilidade emocional, mas a arruaça, a grosseria, para disfarçarem o ponto fraco, são parte intrínseca dos tais donos da verdade. O simples cidadão não está consciente, porque desconhece, os “grandes desígnios” que o dono da verdade transporta sobre os seus ombros, poderá dizer-se que tem uma missão messiânica, que é “abrir os olhos” do povo para fenómenos como a corrupção, que lavra pela sociedade e ganha um terreno que tem de ser atalhado rapidamente. Este é o estandarte do DdV. Sacrificar-se pelo povo, pois só ele sabe do que fala e do que vê. Um verdadeiro vidente. Mostra o caminho, a luz que a maioria não vislumbra, e até, alguns, preferem viver na escuridão. O DdV não pode permitir que o povo continue a passar por situação semelhante. Este DdV é um paladino da justiça.

A sua forma de catequizar, é baseada em pressupostos que carecem de confirmação, porque não são verdade ou estão fora de contexto. Quando for analisado o que disse, o que o dono da verdade afirma, já a sua mentira ou ideia confusa, se tornou verdade no espirito iletrado. A análise do discurso, logicamente, acaba por ser feita fora de tempo, porque demora. Logo, a mentira entrou no espirito dos incautos e já fez a sua “progressão”, tornando-se em verdade absoluta.

O DdV, no seu pavonear, quando lhe é dirigido um “não”, vindo de um qualquer interlocutor, a reacção destes “doentes”, é de raiva ou abandono do local de diálogo, mas acaba em tentativas imediatas de manipulação a quem pronunciou o não. Se estes DdV estão em posição de chefia, numa empresa, ou partido, por exemplo, vão “pisar” quem disse a palavra até conseguirem o seu despedimento, ou expulsão da agremiação.

 Esta sensibilidade à crítica, construtiva ou destrutiva, seguida de uma doentia ideia de rejeição, faz com que tenham sempre presente a necessidade de aprovação dos seus actos, nem que paguem a uma plateia para terem “aplausos” à sua gestão. São um embuste, porque dão sempre um ar de seres confiantes, sobretudo superiores, dentro da sua incapacidade em serem competentes, no que quer que seja. São só donos de retóricas. Se não é a plateia, a tal dos aplausos, para os “admirar”, o seu ego minga, e isso não pode acontecer de forma alguma. Não estão com ninguém, não ouvem ninguém, não esperam conselhos de ninguém, estão sempre prontos a reagir de uma maneira brusca, especialmente espalhafatosa, para que todos vejam o seu papel de vítimas ou, bem aproveitada a circunstância, o de uma firme liderança. Querem dar sempre a ideia de seres perfeitos, imaculados, porque os outros é que são taxistas e, ou corruptos.

Diremos então que existe uma necessidade constante, deste grupo de “doentes”, em serem admirados e aplaudidos permanentemente, isso para ter lugar a tal admiração e credibilidade externa ao grupo, que dê suporte a uma auto-imagem e à percepção subjectiva da sua superioridade. 

Bom, recordo nos meus tempos de adolescente, que um elemento do nosso grupo, filho de pais com capacidade financeira, possuía uma magnifica bola, igual aquela dos jogos, toda em cabedal que, quando o contrariávamos dizia:

- A bola é minha, ninguém joga, ou as equipas são como eu quero!

Com toda a implicação que isto possa ter, agora, neste brilhante mundo partidário…

Existem DdV, de vários tipos, os que só usaram a verdade, por um período de tempo, tipo empréstimo, mas que entendem ser os donos, mesmo assim. Bom, são os que só servem para uma conversa na mesa de um café durante um jogo de futebol, com todos os presentes interessados em que Portugal ganhe… Ninguém quer saber do que dizem. Se calhar nem capacidade económica possuem para chamar a atenção dos presentes. Na verdade, são apenas maçadores. Educadamente olhamos para eles, de vez em quando, e referir: “Ah, sim, sim. Tem razão”. Sim, nisto somos educados.

Agora, existem os DdV que estão escudados pela retaguarda. Com suporte financeiro substancial e que acenam o estandarte da verdade constantemente, com a mentira na ponta do discurso. Quando se for analisar essa mentira, já ela produziu o seu efeito e a verdade já não “vai a tempo” de repor o contexto nem o objectivo da desmistificação. O que interessava aos Donos da Verdade está dito e conta como verdadeiro todo o contexto da mentira anunciada. Esse apoio financeiro tem um objectivo, o da multiplicação, tal como nas culturas do bolor: em ambiente (depois) favorável.

O que tiramos de ilação daqui? Estudar estes comportamentos? Ler mais para se ter mais dados para fazer uma análise, neste nosso caso? Trocar ideias e conhecimentos com quem sabemos estar à altura de saber mais sobre estes casos ou para detectarmos estes charlatões? Detectar as mentiras destes discursos e comunicá-las aos demais?

Não digamos peremptoriamente, que não temos tempo para o trabalho básico, seja, “ver/ler/ouvir” com olhos, ouvidos e cérebro de, “ver/ler/ouvir”. Para conseguirmos ter uma democracia com verdade, temos que ter tempo para tudo isto. E temos!

Finalizarei com uma frase simples que pode ser transformada para esta nossa vivência e cuidado democrático, foi-me referida há muitos anos:

“Dizes sempre que nunca tens tempo para ir ao médico, mas vais acabar por ter tempo para estares doente”.

 

VM

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