Ser
povo... Português
O que é ser povo? Ao ouvir alguns candidatos a “imediatos”
do nosso navio, faço uma pequena reflexão. Tem a ver com a nacionalidade tão
“defendida” por um partido que dá a sensação de ser, na essência, um novo proto-nacionalista
ao querer “derrubar” o que somos… até agora. Continuando, não é bem o caso de
se ser analisado como cidadão deste rincão, diremos que, embora não parecendo,
que se é natural por nascimento e convicção. Simples… Mas numa análise directa
sobre essa filiação e convicção, digo-o, teríamos o caos definitivo e ficávamos
em pânico. O que nos está a aproximar então, desse caos absoluto? São as taxas
que se pagam para nos manter e continuarmos a ser povo, portugueses...
O nosso Camões (tens sorte, não tiveste um Nobel, vais
passando pelas escolas, pouco mas passas) escreveria em verso, que os
marinheiros não conseguiam marear, pensar, enquanto o corpo que dava para a
marinhagem, não estivesse farto, ou minimamente satisfeito, só depois disso
viria o tempo de escutar a razão e então criar um rumo.
Neste momento da vida da nação, toda esta marinhagem,
necessita de uma viragem ascendente e não a curva descendente que se apresenta
a toda a maruja. Tantos e tantos motins aconteceram e vão acontecer, por falta
de “mantimentos vários”, que satisfaçam os marinheiros neste viajar, agora e
ainda sem rumo certo e como sempre o fizemos, ao sabor da ondulação mas,
afirmo, orgulhosos de um pavilhão que sempre nos levou ao nada e continua nesse
propósito. “Abençoados imediatos” que nos guiam serena e ambliopamente em
direcção ao vazio.
Não é ser partidário do tal partido, não é ser-se profeta
da desgraça, é constatar a realidade. Quem ganha com este estado de coisas? É
quem nada faria a não ser acrescentar o caos se para concertar o caos fosse.
Se quisermos, (ainda este nosso querer…) podemos virar esta
situação. Podemos concretizar um país definitivamente, mas, deixemo-nos de
“teorias”, temos que partir de e para o concreto. Temos que arrancar para a
nova etapa que devemos pretender, a partir do inventário real, constituinte de
um povo. Não podemos continuar a ter nas páginas desse inventário o possuir-se
“força para vencer os inimigos”, quando não existem, não pode constar que temos
que ir contra moinhos de vento, porque não existem, não podemos referir que
temos outras terras para cuidar, quando nada mais temos por aí. Não pode
constar no inventário que somos o que não somos e se alguma vez o fomos, bom, é
melhor que nem isso conste para não darmos trabalho aos psiquiatras.
O que consta na base do nosso inventário é um país que
continua separado. Separado fisicamente de parcelas que são suas e separado das
realidades das parcelas que nos estão sempre afastadas. O que consta no
inventário de base é que somos um povo de poetas, fadistas e futebolistas, e
todos dos bons. Enfim, somos povo para aí virados. Não somos povo para domar o
tractor, a pedreira, a traineira, o gado, os inventos, o que for possível criar
de útil porque logo a seguir vendemos tudo porque depois é uma chatice ter que
trabalhar mais, mais e mais. Consta nesse inventário que entregamos o que quer
que seja do que temos de bom por uma boa noite de doce encantamento, um bom
carro, uma boa vivenda e que nos faça lembrar durante anos o sucedido, depois,
de nada mais se ter e ser... estamos uns “sem abrigo” a agarrarmo-nos a umas
“trombetas” que nem arautos da desgraça são mas que nada vão fazer, se o
conseguissem, porque nada sabem… a julgar pelos seus quadros.
Consta
nesse tal inventário, que trabalhamos, mas se lermos bem nas entrelinhas
constará que, se formos bem dirigidos para isso, trabalhamos. Quando constará
que sabemos dirigir, porque sabemos trabalhar e sobretudo, em exclusivo, no que
é nosso? Até temos quem o consegue fazer, bem, mas até aqui não queremos pagar
essa competência.
Vamos
ter que partir de uma série de “coisas nossas” que não podemos perder, têm
mesmo que fazer parte do inventário, mas temos que atirar definitivamente fora
o que fomos, do que nos orgulhamos, mas que não nos dá mais nada e serve só
para ficarmos com ar de idiotas. Pode colocar-se isso num livro de memórias,
nunca num inventário!
Urge fazer o inventário e começar a trabalhar,
definitivamente, mas todos para o mesmo lado, para cumprirmos Portugal.
Se o não fizermos, através de alguém, competente, por isso
bem pago, que marque o rumo, teremos que ser nós a determinar quem queremos
para nos ajudar a levar o país à situação de o ser. Independente, útil, capaz
de perpetuar desígnios, enfim, referências do ADN que pretendemos desde sempre,
quem pensa Portugal, transmitir à geração que nos irá permitir a alegria de os
ver crescer e realizarem-se.
Que quando as coisas se vão compondo lentamente, não nos
precipitemos a dizer mal e a remar ao contrário dos que querem fazer algo por
todos… não queiramos, permanentemente, criar sobre o bem a acontecer, “terra
queimada”… como é nossa aptidão.
Acabemos com os “atiradores-emboscados”, os pagamentos de
“rendas sobre a energia” aos que entram em projectos no nosso país porque o
estado paga-lhes, o estado somos nós… enfim, sobre tudo o que nos cangam e
rumemos ao Portugal que queremos. Sejamos portugueses responsáveis de uma vez
por todas!
Victor
Martins
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