quinta-feira, 23 de abril de 2026

 

Ser povo... Português

 

O que é ser povo? Ao ouvir alguns candidatos a “imediatos” do nosso navio, faço uma pequena reflexão. Tem a ver com a nacionalidade tão “defendida” por um partido que dá a sensação de ser, na essência, um novo proto-nacionalista ao querer “derrubar” o que somos… até agora. Continuando, não é bem o caso de se ser analisado como cidadão deste rincão, diremos que, embora não parecendo, que se é natural por nascimento e convicção. Simples… Mas numa análise directa sobre essa filiação e convicção, digo-o, teríamos o caos definitivo e ficávamos em pânico. O que nos está a aproximar então, desse caos absoluto? São as taxas que se pagam para nos manter e continuarmos a ser povo, portugueses...

O nosso Camões (tens sorte, não tiveste um Nobel, vais passando pelas escolas, pouco mas passas) escreveria em verso, que os marinheiros não conseguiam marear, pensar, enquanto o corpo que dava para a marinhagem, não estivesse farto, ou minimamente satisfeito, só depois disso viria o tempo de escutar a razão e então criar um rumo.

Neste momento da vida da nação, toda esta marinhagem, necessita de uma viragem ascendente e não a curva descendente que se apresenta a toda a maruja. Tantos e tantos motins aconteceram e vão acontecer, por falta de “mantimentos vários”, que satisfaçam os marinheiros neste viajar, agora e ainda sem rumo certo e como sempre o fizemos, ao sabor da ondulação mas, afirmo, orgulhosos de um pavilhão que sempre nos levou ao nada e continua nesse propósito. “Abençoados imediatos” que nos guiam serena e ambliopamente em direcção ao vazio.

Não é ser partidário do tal partido, não é ser-se profeta da desgraça, é constatar a realidade. Quem ganha com este estado de coisas? É quem nada faria a não ser acrescentar o caos se para concertar o caos fosse.

Se quisermos, (ainda este nosso querer…) podemos virar esta situação. Podemos concretizar um país definitivamente, mas, deixemo-nos de “teorias”, temos que partir de e para o concreto. Temos que arrancar para a nova etapa que devemos pretender, a partir do inventário real, constituinte de um povo. Não podemos continuar a ter nas páginas desse inventário o possuir-se “força para vencer os inimigos”, quando não existem, não pode constar que temos que ir contra moinhos de vento, porque não existem, não podemos referir que temos outras terras para cuidar, quando nada mais temos por aí. Não pode constar no inventário que somos o que não somos e se alguma vez o fomos, bom, é melhor que nem isso conste para não darmos trabalho aos psiquiatras.

O que consta na base do nosso inventário é um país que continua separado. Separado fisicamente de parcelas que são suas e separado das realidades das parcelas que nos estão sempre afastadas. O que consta no inventário de base é que somos um povo de poetas, fadistas e futebolistas, e todos dos bons. Enfim, somos povo para aí virados. Não somos povo para domar o tractor, a pedreira, a traineira, o gado, os inventos, o que for possível criar de útil porque logo a seguir vendemos tudo porque depois é uma chatice ter que trabalhar mais, mais e mais. Consta nesse inventário que entregamos o que quer que seja do que temos de bom por uma boa noite de doce encantamento, um bom carro, uma boa vivenda e que nos faça lembrar durante anos o sucedido, depois, de nada mais se ter e ser... estamos uns “sem abrigo” a agarrarmo-nos a umas “trombetas” que nem arautos da desgraça são mas que nada vão fazer, se o conseguissem, porque nada sabem… a julgar pelos seus quadros.

Consta nesse tal inventário, que trabalhamos, mas se lermos bem nas entrelinhas constará que, se formos bem dirigidos para isso, trabalhamos. Quando constará que sabemos dirigir, porque sabemos trabalhar e sobretudo, em exclusivo, no que é nosso? Até temos quem o consegue fazer, bem, mas até aqui não queremos pagar essa competência.

Vamos ter que partir de uma série de “coisas nossas” que não podemos perder, têm mesmo que fazer parte do inventário, mas temos que atirar definitivamente fora o que fomos, do que nos orgulhamos, mas que não nos dá mais nada e serve só para ficarmos com ar de idiotas. Pode colocar-se isso num livro de memórias, nunca num inventário!

Urge fazer o inventário e começar a trabalhar, definitivamente, mas todos para o mesmo lado, para cumprirmos Portugal.

Se o não fizermos, através de alguém, competente, por isso bem pago, que marque o rumo, teremos que ser nós a determinar quem queremos para nos ajudar a levar o país à situação de o ser. Independente, útil, capaz de perpetuar desígnios, enfim, referências do ADN que pretendemos desde sempre, quem pensa Portugal, transmitir à geração que nos irá permitir a alegria de os ver crescer e realizarem-se.

Que quando as coisas se vão compondo lentamente, não nos precipitemos a dizer mal e a remar ao contrário dos que querem fazer algo por todos… não queiramos, permanentemente, criar sobre o bem a acontecer, “terra queimada”… como é nossa aptidão.

Acabemos com os “atiradores-emboscados”, os pagamentos de “rendas sobre a energia” aos que entram em projectos no nosso país porque o estado paga-lhes, o estado somos nós… enfim, sobre tudo o que nos cangam e rumemos ao Portugal que queremos. Sejamos portugueses responsáveis de uma vez por todas!

 

 

Victor Martins

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