quarta-feira, 29 de abril de 2026

 

CARTA AO CID ADÃO


    Hoje estou a ter com o meu amigo uma confidência, escreveram-me em mensagem, no blogue entardecidos.blogspot.com com uma interrogação: "Onde escreve, os seus textos que também estão no seu blogue, têm visualizações em três e quatro dias de 400, 500. No seu "site", são poucas..." Pois é... é que este blogue parece ser só para os meus amigos e que, nos dias em que lhes dá na "bolha" vão ler o que escrevo, até porque as redes sociais são para que as pessoas escrevam, não são para que leiam... É assim...


Enfim meu caro Cid Adão, depois de dizer e escrever só verdades, hoje apetece-me escrever só mentiras, até de forma descarada, para que o meu amigo se assombre. Começo então por lhe dizer que se fomos inventados por Deus é porque o macaco o desiludiu mesmo muito a sério.

Não é que conseguimos provar que neste planeta somos uma espécie muito complexa, capaz de fazer desistir quem se dedique a estudar-nos? Como portugueses, gostamos de ligar os complicadores, e aqui para nós, arranjámos maneira de nos dividirmos em esquerda e direita. E agora, tome nota, para que não tornemos muito complicado o estudo que eventualmente nos fizerem neste campo, inventámos os centros. O centro esquerda e o centro direita. O que inventamos. Somos pródigos. A quantidade de ideias que planeamos quando somos de esquerda... Para que o estudo que nos façam neste campo, passe agora, a uma situação de complexidade, logo pouco compreendido pelo vulgo, que diabo Cid Adão, somos intelectuais, usámos ideias lógicas, sustentadas, e passámo-las para quem está p´ra lá, na direita, poder adoptá-las e a partir deste ponto torná-las objecto de estudo... ah, e as considere, nessa direita, como própria criação...

Inventámos tudo que é torneio de diversão, como o “tiro ao”... ou ao “denegrir o/a”... Neste momento estamos em plena sessão de “tiro ao PS”. Grande campeonato. Notamos que a fidelidade convicta dos que sempre beneficiaram com o PS, deixa muito a desejar. É sempre assim. Ninguém está com ninguém. A verdade se diga, é que a fidelidade só se faz notar nos equipamentos de som.

Precisamos com urgência de um futurologista. É claro que um vidente, que nos informe o futuro, seria muito bom, mas... esta arte é dificílima, fundamentalmente no que respeita a predizer o futuro não preparado. Por agora o que nos aparece nas montras, ou nos catálogos é: “Agora fizemos, agora fazemos, nunca fizeram, nós fazemos”. Não é que tudo o que aconteceu até agora foi… nada, e só agora é que os génios apareceram?

Decretaram-nos rendas a pagar, por exemplo, a quem promove projectos de energia, sejam eólicos, sejam fotovoltaicos, e, para que não ganhem só o normal que devia ser, face ao investimento, paga-se-lhes uma taxa de: “Perspectivas de Lucro”, como se pode observar nas nossas contas da energia… mais uma canga para quase todos os portugueses. Esta “rapaziada” vai superando os dermatologistas... estes últimos só nos tiram a pele...

É muito difícil viver neste continuado e bem armadilhado contexto. Criaram os políticos uma situação tão grave no país, que a nossa dignidade só será reposta daqui a alguns? Anos? Vamos ter a confiança de que o sistema parasitário que se agarrou ao país, desapareça, refiro os políticos que continuam a entrar nas nossas “vidas” por favoritismo partidário, ou lugar na fila e que até legislam quando entram na “máquina”, veja-se... bom, se fosse por mérito não passavam da “porta”!

Vamos ter que trabalhar muitas horas mais e muito melhor ao que parece. Dez, doze... dormir cinco, seis, sete? Ah, aproveito para alertar alguns de nós... se formos até aí, para que não as misturem com as do trabalho.

Nunca usei a frase de que o tal, ou o outro, estará a dar voltas no caixão com este estado de coisas. Não partilho dessa ideia. Aliás, o único ser que dá voltas depois de morto é o frango ao ser assado.

Meu caro Cid Adão, desfrute o dia, antes que um qualquer imbecil lho estrague.

Vou acabar esta pequena conversa mentirosa consigo, mas... não sem antes lhe dizer:

“Ao conseguirmos a democracia, começámos com um “primeiro gesto” e desapareceu a fome latente, fizemos outro e quase desapareceu a injustiça, fizemos um terceiro e desapareceram as nossas intolerâncias. Um “génio”, travestido de político, pode aparecer, fazer um gesto, e conseguir acabar com a democracia”.

Um abraço.

 

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