ECONOMIA DO PAÍS
Estive com um
amigo, economista, a quem fiz uma pergunta, para me esclarecer. Parecia-me de
resposta fácil, afinal não é. O que perguntei:
- Como é que vou
perceber, de forma básica, simples, como é que funciona esta nossa economia?
- De simples
não tem nada, mas em modo de entendimento fácil, dir-te-ei que funciona assim: Mediante
os nossos consumos internos, importações, e perante as nossas exportações, existe
uma “troca e um encontro de contas”, seja, “toma lá, dá cá”. Exportamos 20, importamos
para nosso consumo, 20, O saldo externo é zero. Exportamos 20, produzimos 10,
importamos 10, saldo positivo de 10. Exportamos 20, produzimos 10, mas
consumimos 40, o défice já é negativo. Temos que arranjar umas correcções para endireitar
o défice, seja, produzir mais e consumir menos,. Ou no caso de consumir o mesmo
ou mais, a produção terá sempre que ser maior. Até agora, dá para perceber?
- Sim,
dá, “fogo à peça”.
-
Então falemos agora da nossa produtividade, o que conseguimos produzir no país,
bens e serviços que nos são pedidos e assim vendáveis a preços justos, para o
estrangeiro.
Dados divulgados
em 2024, em 2025 ainda não estão confirmados, as nossas exportações, atingiram 79,3 mil milhões de euros, isso
representou um crescimento de 2,5% em relação ao ano de 2023. Considerando
exportações de bens e serviços (no período de Janeiro a Outubro) o total foi de,
mais ou menos, 112 mil milhões de
euros. Crescemos assim 4,6%.
Mas, mas… as
importações totais de bens para Portugal, em 2024, chegaram a perto dos 105,5
mil milhões de euros. Este valor, representa um crescimento de aproximadamente
1,9%, em relação a 2023. O défice comercial subiu 78 milhões de euros, neste
momento, quer dizer, já não será, mas pelos dados que tenho é assim.
- O nosso
défice tem vindo a acumular-se, é?
- Sim, o défice da balança comercial agravou-se em Julho
de 2025, pois as exportações baixaram e as importações subiram. Em Julho,
as exportações diminuíram 11,3% e as importações cresceram 2,8% em relação ao
ano anterior, o que fez o défice comercial subir aos 1.173 milhões de euros. Ao
que sei. Olha, compramos mais do que produzimos e isso é grave para as finanças
do país. Todos temos direito a um bom nível de vida, mas… “Se não trabalho, produzindo bens… não consigo comprar comida”. É
claro isto. Se tens um vencimento mensal de 1000 € e gastas 1200 €… estás a
aumentar a tua dívida para com alguém… banco, supermercado, oficina, a um
amigo… ninguém tem culpa da tua má gestão e ninguém quer saber se tens direito
ou não, a ter um nível de vida como queres… deves, tens que pagar.
- Outra pergunta,
Lembrei das implicações das greves. São graves, não?
- Nalguns casos
têm algum impacto, mas quando são planeadas para não prejudicar trabalhadores e
a fonte que dá emprego, sim, alertar para se chegar a um consenso salarial, aqui,
está certo. Outras vezes, são devastadoras e levam a que algumas firmas chegam
a não recuperar financeiramente.
- Ei, concordas
com esse direito ou não, afinal?
- Nem parece tua
essa pergunta. Claro que sim! Mas a forma de paralisar uma firma não deve ser
mais assim, isso é uma forma básica de há 30 anos. Os representantes dos
trabalhadores, agora, devem ser provenientes do mesmo local de trabalho e serem
os mais competentes. Devem estar sempre a par do que a firma faz e da sua
economia, no geral. Daí o saberem se a firma pode ou não disponibilizar mais
dinheiro para salários.
- Pois, pois, mas
nem todas as firmas permitem a intromissão nos seus negócios por parte dos colaboradores.
A verdade é que nesta atitude se fundamentou a organização sindical há muitos
anos, não os tempos de agora. Falo também do patronato, a maioria, que continua
a elaborar num erro, quanto à minha experiência, ao não permitir que os seus
colaboradores, na pessoa de dois ou três mais antigos e competentes, estejam
representados nos conselhos de administração das firmas.
- Sim, compro a
ideia, esses funcionários, com função “sindical”, devem ter formação, concordo,
logo capacidade para assim terem “assento” nos assuntos financeiros
“específicos” das firmas para debaterem, com propriedade, uma resolução
salarial. Demagogia minha? Não me parece.
- Essas formações
académicas e experiência no “terreno”, pessoais, são necessárias. Aceito e
subscrevo o que afirmas, mas, já agora, como é que a economia no país se
“defende” para não atravessar altos e baixos que só retiram qualidade de vida
aos trabalhadores?
- Pois é, existem
várias políticas que podem ajudar a diminuir o défice na balança comercial
externa, como a imposição de tarifas e cotas de importação para proteger a
indústria nacional, a celebração de acordos comerciais para facilitar as
exportações e a adopção de políticas cambiais para tornar a moeda local mais
barata, o que estimula as exportações.
Investir em
produtividade é fundamental, quer o estado domine completamente o tecido
económico, quer se esteja numa economia liberal onde a economia é
intervencionada pelo estado em mínimos, só a regulação e fiscalidade, rigorosas.
Mas, intervir sempre, ajudando a produtividade com uma observação competente
nos exportadores, torna a economia mais competitiva internacionalmente e contribuiu
para a redução do défice comercial sem a necessidade de desvalorização cambial
ou ajustes fiscais.
- Ou fazer o que
Trump faz? Taxas e taxas às importações dos EUA?
- Isso tem muitos
contras … “viver à custa” das tarifas impostas, pode quase dizer-se que o país,
lá do outro lado do oceano, está a viver à custa do trabalho dos outros, uma
espécie de especulação de taxas e juros… é uma forma básica de “endireitar uma
economia”. Triste é que a Europa subjugou-se, por incompetência e sem liderança
capaz.
- Pois é, subjugar-se
ao Trump que com as “ supplier tax”, a funcionar com descontos disfarçados às
suas compras, transferindo custos inerentes da compra para os fornecedores, do
que pretende adquirir. Aqui vigora o pensamento profundo de Donald Trump: Os outros países que trabalhem para nós.
Estou como o “outro”:
“Assim também eu!”
VM
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