segunda-feira, 4 de maio de 2026

 

ECONOMIA DO PAÍS


 

Estive com um amigo, economista, a quem fiz uma pergunta, para me esclarecer. Parecia-me de resposta fácil, afinal não é. O que perguntei:

- Como é que vou perceber, de forma básica, simples, como é que funciona esta nossa economia?

            - De simples não tem nada, mas em modo de entendimento fácil, dir-te-ei que funciona assim: Mediante os nossos consumos internos, importações, e perante as nossas exportações, existe uma “troca e um encontro de contas”, seja, “toma lá, dá cá”. Exportamos 20, importamos para nosso consumo, 20, O saldo externo é zero. Exportamos 20, produzimos 10, importamos 10, saldo positivo de 10. Exportamos 20, produzimos 10, mas consumimos 40, o défice já é negativo. Temos que arranjar umas correcções para endireitar o défice, seja, produzir mais e consumir menos,. Ou no caso de consumir o mesmo ou mais, a produção terá sempre que ser maior. Até agora, dá para perceber?

            - Sim, dá, “fogo à peça”.

            - Então falemos agora da nossa produtividade, o que conseguimos produzir no país, bens e serviços que nos são pedidos e assim vendáveis a preços justos, para o estrangeiro.

Dados divulgados em 2024, em 2025 ainda não estão confirmados, as nossas exportações, atingiram 79,3 mil milhões de euros, isso representou um crescimento de 2,5% em relação ao ano de 2023. Considerando exportações de bens e serviços (no período de Janeiro a Outubro) o total foi de, mais ou menos, 112 mil milhões de euros. Crescemos assim 4,6%. 

            Mas, mas… as importações totais de bens para Portugal, em 2024, chegaram a perto dos 105,5 mil milhões de euros. Este valor, representa um crescimento de aproximadamente 1,9%, em relação a 2023. O défice comercial subiu 78 milhões de euros, neste momento, quer dizer, já não será, mas pelos dados que tenho é assim.

            - O nosso défice tem vindo a acumular-se, é?

- Sim, o défice da balança comercial agravou-se em Julho de 2025, pois as exportações baixaram e as importações subiram. Em Julho, as exportações diminuíram 11,3% e as importações cresceram 2,8% em relação ao ano anterior, o que fez o défice comercial subir aos 1.173 milhões de euros. Ao que sei. Olha, compramos mais do que produzimos e isso é grave para as finanças do país. Todos temos direito a um bom nível de vida, mas… “Se não trabalho, produzindo bens… não consigo comprar comida”. É claro isto. Se tens um vencimento mensal de 1000 € e gastas 1200 €… estás a aumentar a tua dívida para com alguém… banco, supermercado, oficina, a um amigo… ninguém tem culpa da tua má gestão e ninguém quer saber se tens direito ou não, a ter um nível de vida como queres… deves, tens que pagar.

- Outra pergunta, Lembrei das implicações das greves. São graves, não?

- Nalguns casos têm algum impacto, mas quando são planeadas para não prejudicar trabalhadores e a fonte que dá emprego, sim, alertar para se chegar a um consenso salarial, aqui, está certo. Outras vezes, são devastadoras e levam a que algumas firmas chegam a não recuperar financeiramente.

- Ei, concordas com esse direito ou não, afinal?

- Nem parece tua essa pergunta. Claro que sim! Mas a forma de paralisar uma firma não deve ser mais assim, isso é uma forma básica de há 30 anos. Os representantes dos trabalhadores, agora, devem ser provenientes do mesmo local de trabalho e serem os mais competentes. Devem estar sempre a par do que a firma faz e da sua economia, no geral. Daí o saberem se a firma pode ou não disponibilizar mais dinheiro para salários.

- Pois, pois, mas nem todas as firmas permitem a intromissão nos seus negócios por parte dos colaboradores. A verdade é que nesta atitude se fundamentou a organização sindical há muitos anos, não os tempos de agora. Falo também do patronato, a maioria, que continua a elaborar num erro, quanto à minha experiência, ao não permitir que os seus colaboradores, na pessoa de dois ou três mais antigos e competentes, estejam representados nos conselhos de administração das firmas.

- Sim, compro a ideia, esses funcionários, com função “sindical”, devem ter formação, concordo, logo capacidade para assim terem “assento” nos assuntos financeiros “específicos” das firmas para debaterem, com propriedade, uma resolução salarial. Demagogia minha? Não me parece.

- Essas formações académicas e experiência no “terreno”, pessoais, são necessárias. Aceito e subscrevo o que afirmas, mas, já agora, como é que a economia no país se “defende” para não atravessar altos e baixos que só retiram qualidade de vida aos trabalhadores?

- Pois é, existem várias políticas que podem ajudar a diminuir o défice na balança comercial externa, como a imposição de tarifas e cotas de importação para proteger a indústria nacional, a celebração de acordos comerciais para facilitar as exportações e a adopção de políticas cambiais para tornar a moeda local mais barata, o que estimula as exportações. 

 Investir em produtividade é fundamental, quer o estado domine completamente o tecido económico, quer se esteja numa economia liberal onde a economia é intervencionada pelo estado em mínimos, só a regulação e fiscalidade, rigorosas. Mas, intervir sempre, ajudando a produtividade com uma observação competente nos exportadores, torna a economia mais competitiva internacionalmente e contribuiu para a redução do défice comercial sem a necessidade de desvalorização cambial ou ajustes fiscais. 

- Ou fazer o que Trump faz? Taxas e taxas às importações dos EUA?

- Isso tem muitos contras … “viver à custa” das tarifas impostas, pode quase dizer-se que o país, lá do outro lado do oceano, está a viver à custa do trabalho dos outros, uma espécie de especulação de taxas e juros… é uma forma básica de “endireitar uma economia”. Triste é que a Europa subjugou-se, por incompetência e sem liderança capaz.

- Pois é, subjugar-se ao Trump que com as “ supplier tax”, a funcionar com descontos disfarçados às suas compras, transferindo custos inerentes da compra para os fornecedores, do que pretende adquirir. Aqui vigora o pensamento profundo de Donald Trump: Os outros países que trabalhem para nós.

Estou como o “outro”: “Assim também eu!”

 

VM

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