terça-feira, 14 de abril de 2026

 

TERTÚLIAS

 

 

            Por vezes conversamos afincadamente, outras só por meias palavras. É o suficiente porque temos sempre o humor em alta e já nos conhecemos, assim as meias palavras vão directas ao ponto que queremos, conseguindo rir do que pensamos, despoletado pelo que dizemos.

            Cid Adão é o meu comparsa nas tertúlias. É dele, a seguir a uma observação carregada de preocupação minha, o rematar de uma resposta, supostamente “vinda dos meus possíveis visados”. Referi que os auxílios aos que ficaram sem nada, ou sem possibilidades de poder voltar a produzir como o faziam anteriormente na zona de Leiria, Marinha Grande, Ourém, por causa da depressão Kristine, ainda não tinham sido implementados como deveria ter sido feito… muito “negócio” clandestino estava a ser feito com as dádivas: telhas, cimento, plásticos para estufas, tijolos, conforme se viu numa reportagem do dia 13, no NOW. Resposta: “Pois é, quando estou no sofá a ver jogos de futebol, farto-me de meter golos.” Fiquei a olhar para ele… Pensei que o Cid Adão teria a ideia que as dádivas deveriam ser guardadas, distribuídas e justamente inspeccionadas nos locais onde a necessidade é imperiosa e rapidamente. Nunca me passou pela cabeça que esta resposta estaria ligada a um: “Deixa andar, a nossa missão na autarquia é cumprir o nosso orçamento, entrar às nove e sair às dezassete…” Entretanto penso que não deve ser assim. A resposta de quem não quer saber dos problemas dos outros é que será essa.

            Se eu tivesse dado materiais para ajudar, retirando dos lucros da minha empresa, uma parte para acudir a quem praticamente ficou sem nada, ao ver o que vi na reportagem, disse ao Cid Adão isto, e acrescentei que meteria uma acção em tribunal contra quem, na autarquia deixa que isto se processe assim. Resposta do Cid Adão:

            -“Para quê? Para gastar dinheiro ao meter o processo? Para que o caso nunca mais se resolvesse e ande arrastado pelos tribunais durante anos? Para, se o autarca onde o meu amigo estaria fosse da “cor” do visado, e o amigo passar a ter problemas com a sua firma, posteriormente, por isto e por aquilo? Meu amigo, deixe-se desses pensamentos, ainda é de bom tempo.

            Decididamente, hoje, não consigo conversar com ele…

 

VM

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