FOGO… ESTÁ-ME NA ALMA
Os vegetais na natureza necessitam
de 200 a 350º C. para inflamar, para arderem em cadeia (incêndio) são
necessários cerca 400º no ambiente onde estão inseridas, 300º se o índice de
humidade for quase nulo. Todos sabemos que perto dos 150º, a planta desidrata,
perde a sua humidade residual e a 200º graus começa a pirólise. Aqui a celulose
da planta liberta gases que são combustíveis. Com o oxigénio da atmosfera, os
gases entram em combustão e as plantas vão desidratando, entram em combustão, o
ar circundante aquece, as plantas seguintes aquecem, e as seguintes igualmente,
vão sucessivamente libertando gases, entram em combustão e… etc., etc., etc. O
incêndio está “montado” e a progredir, rapidamente ou não, dependendo do nível
de humidade atmosférico e do “ataque” para se extinguir, de que for alvo.
Já sabemos e alguns entenderam
agora, certo? Continuando com a teoria de alguns de nós, a dos “fundos de
garrafa” que fazem de lentes e, com uma precisão diabólica, acertam num vegetal
morto, ressequido, claro desidratado que está pronto para receber um feixe de
luz concentrado, que vai provocar uma temperatura de 200º, inflama-o, e provoca
um incêndio. Outra teoria, esta tem menos adeptos, a das cabras a andarem sobre
as pedras, fazem-nas rolar, serra abaixo. Ao “baterem umas nas outras” provocam
faíscas que… todos temos teorias.
As trovoadas provocam,
esporadicamente incêndios localizados, verdade, mas quase sempre o relâmpago
cai depois da chuva que é quase sempre intensa, dizemos, quase sempre, durante
a chuva. A possibilidade de provocar um incêndio, é muito menor.
Agora, as matas devem estar limpas,
os quintais que lhe são adjacentes também e até as áreas de trabalho na agricultura
ou áreas a descoberto, igualmente próximas de vegetação rasteira ou não, devem
estar limpas, claro, com isso, diminui-se o risco de progressão do incêndio no
terreno. Até agora o óbvio, o que é correcto fazer. Nem necessitavam aparecer
os avisos para que se tomem todos os cuidados no manuseio de máquinas capazes
de provocar inflamação na vegetação desidratada. Uma das atitudes a ter, é a
responsabilidade ao manusearem-se máquinas próximas de áreas com vegetação
susceptível de entrar em combustão, e aqui sim, devia ser de presença
obrigatória, um extintor de boa capacidade, nunca “miniaturas” de 5Kg e
mangueiras prontas a funcionar ligadas a locais com água de bom caudal e
pressão. Quem o faz? Bom, ninguém pode dizer que não se pratica.
Mais um… agora… As matas, pinhais,
são praticamente de privados que herdarem esse património, mais ou menos
extenso, mas quase sempre pequeno e que têm vindo, ao longo de décadas a
empobrecer, ou no mínimo, outra perspectiva de leitura social, incapazes de
tratar esse património como gostariam, mas necessitam tentar viver da venda de
algumas árvores para fazerem face às agruras do dia-a-dia, isto, quando aparece
alguém honesto que paga um preço próximo do justo valor, como é habitual. Ora,
limpar matas, ordenar matas, não pode a esmagadora maioria dos proprietários,
fazê-lo. Quem recebe os cento e, duzentos e, trezentos e, mil que fossem. Só
para limpar, parcialmente um terreno com 800m2, os “benfeitores” que entraram
para esse negócio, levam entre 1000 e 2000 euros. O estado, através das
autarquias, para isso elas existem, para servir o povo, não para serem feudos à
espreita de aplicar uma “multita” aqui, outra acolá, ou até, bom, somos nós a
inventar, a compra pessoal de alguns desses “terrenitos” porque os
proprietários, dada a idade e estado social não podem… e… e… não estamos a
inventar assim tanto, temos alguns dados em “memória”. Também isto não
interessa para o caso que estamos a aflorar.
É difícil, sem uma actuação no
terreno por parte das autarquias, com a sua extensão nas juntas de freguesia,
resolver a pequena percentagem que falta para acabar com os incêndios
provocados. Dizemos que falta, porque, pensemos, qual é a teoria que se nos
apraz subscrever para este continuar de incêndios que lavram em locais
pensados? Porque foi decretada a abertura da época balnear e a dos incêndios?
Porque existem milhares de fundos de garrafas prontos para incinerar mato?
Porque é só relâmpagos e faíscas na época (engraçado) dos incêndios? Porque,
dado as pessoas não limparem os pinhais e os quintais, vão aparecer “ratazanas”
incendiarias, a meter fogo no quintal do vizinho? Os concertos que se fazem
pelo interior do país levam a rapaziada, depois do concerto, lá para a uma ou as
duas horas da manhã, no topo de um monte, a fumarem e distraidamente lançarem
os finais dos cigarros, para o feno ressequido e desatarem a fugir morro abaixo
quando ele pega fogo? Com humidade nocturna o cigarrito consumido vai atear o
mato provocando a temperatura necessária de 300º? Ou o “malandro” do isqueiro
ficou aceso?
Teremos algumas pessoas no nosso
povo, tão incultas, tão desprovidas de cérebro, tão maldosas, tão vingativas,
tão imbecis, que tenham prazer em destruir a própria casa, o seu património, o
dos outros e fazerem pagar, a todos, o remediar destas situações, pois é do
erário público que se vai pagar: uma cultura, um pinhal, uma casa. Temos esse
tipo de gente entre nós?
Será que temos também alguém tão
conhecedor do comportamento da flora, das leis da física, da química, da
mecânica que engendre artifícios que funcionam repentinamente, com retardo, com
circunstâncias especiais do tempo, que voem e larguem cargas incendiárias nos
locais mais inacessíveis do nosso território, será que existe esse alguém? E
agora, com a “guerra dos drones” podem estes “inginheiros” lograr mais uns bons
dinheiros ao usarem a sua capacidade inventiva e de obediência a um patrão
qualquer, mas agora na criação de modelos que resolvam problemas no dia-a-dia
da sociedade e, já agora, que os magistrados deixem de imaginar que são todos,
incendiários, doentes do foro psiquiátrico, “pobres coitados que não têm onde
cair mortos”, e sentenciem, para que conste na jurisprudência e seja um acórdão
mobilizador que ficam a dever à sociedade, descontado no que recebem ou vierem
a receber, 2, 3, 4% do que constar oficialmente em relação a esses cidadãos,
correspondente ao prejuízo que causarem.
Temos matéria para pensar, para
resolver e já e não para, por decreto,
declarar aberta a “época balnear” e a “época dos fogos”.
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